Grupo ambientalista entrou com pedido na Justiça Federal para suspender certames, previstos para ocorrerem nesta semana
Após o Observatório do Clima anunciar uma ação na Justiça Federal contra os editais de licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319, políticos amazonenses se manifestaram em repúdio à organização ambiental. O processo foi protocolado no último fim de semana e aguarda uma decisão liminar.
O senador Eduardo Braga (MDB), que vem ativamente publicando sobre a rodovia em suas redes no último mês devido à inauguração da ponte sobre o rio Autaz Mirim, escreveu em suas redes sociais que a bancada amazonense não iria permitir um novo entrave à BR-319 e que já previa uma tentativa de embargar a obra.
“Uma ONG, que não tem sede no Amazonas, financiada por um grupo de inimigos do progresso do Amazonas, que não faz ideia do que é depender de uma estrada para chegar ao hospital ou escoar o seu produto, entra na Justiça para impedir a pavimentação da BR-319. O argumento como sempre é o meio ambiente. Um falso interesse, porque o verdadeiro interesse é financeiro”, disse.
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Braga ressaltou que a Nova Lei do Licenciamento Ambiental garante a reconstrução da estrada por ter sido pavimentada antes, na época de sua inauguração. O fato consta no parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que foi consultada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) antes da publicação dos editais. “Somos e seremos sempre um muro de proteção aos interesses do Amazonas. Podem vir. Confiamos na justiça e nas leis. Não vão nos parar, vamos para cima. Chega de o Amazonas pedir licença para crescer”, concluiu.
O governador interino Roberto Cidade (União) e o ex-governador Wilson Lima (União) também criticaram a ação do Observatório do Clima contra os editais da BR-319. Cidade afirmou que há pessoas que dependem da ligação promovida pela rodovia para viver e que “quem está longe muitas vezes não sente, mas quem vive aqui sabe o peso do isolamento”. “É inadmissível que uma ONG, o quem quer que seja, tente travar a nossa tão sonhada BR-319. O Amazonas também é Brasil. Nós estamos aqui prontos para dialogar, para conversar com quer que seja e possamos manter a nossa floresta em pé. Mas o nosso povo não pode mais sofrer com a falta da pavimentação”, disse.
Wilson Lima publicou em suas redes que não se pode mais aceitar o argumento de defesa da floresta enquanto mantém “o povo do Amazonas de joelho” e acusou o Observatório do Clima de fazer exatamente isso ao se posicionar contra a BR-319. “Essa gritaria faz parte da agenda que alimenta a arrecadação de mais de R$ 300 milhões obtidos nos últimos anos por essa rede internacional, que já recebeu doação milionária até da fundação do bilionário George Soros. Preservar é importante, mas esquecer o nosso povo não é opção”, criticou.
Bancada
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Fotos: Reprodução/Google
Coordenador da bancada federal amazonense, o senador Omar Aziz (PSD) escreveu que ninguém sabe preservar melhor a floresta do que o povo amazonense, que mantém 98% da mata em pé, e classificou a ação judicial como uma tentativa de prejudicar o estado do Amazonas e o povo amazonense. “A BR-319 é um direito e uma necessidade do povo do nosso Estado e fundamental para o País desenvolver. Espero que a Justiça tenha a sensibilidade de entender a sensibilidade dessa questão. Vamos continuar lutando por ela e pelo bem do Amazonas”, disse.
Embora não tenha comentado sobre a ação da ONG, o deputado federal Átila Lins (PSD) saiu em defesa da pavimentação da BR-319 em discurso na tribuna na Câmara dos Deputados e afirmou que o povo amazonense estava ansioso “para que essas obras aconteçam e nós passamos sair do isolamento”. “A BR-319 representa muito mais do que uma estrada. Ela significa acesso, desenvolvimento, oportunidades e dignidade para o nosso povo. Com a previsão da visita do presidente Lula ao Amazonas e os anúncios relacionados à rodovia, cresce a expectativa de que possamos avançar nesse caminho tão esperado”, afirmou.
O deputado federal Saullo Vianna (MDB) disse que recebia “com indignação” o fato de Observatório do Clima entrar na Justiça contra os editais da estrada, afirmando que a falta de pavimentação mantém o Amazonas isolado em tempos de estiagem. O parlamentar afirmou que seguirá atuando “para que essa decisão seja revista e a BR-319 avance”. Suplente de Silas Câmara, que está licenciado do mandato, o deputado federal João Carlos (Republicanos) escreveu em suas redes sociais que enquanto organizações fazem relatórios e captam milhões falando sobre a Amazônia, “somos nós, que estamos aqui todos os dias, que protegemos essa terra”. “Quem vive aqui sabe da realidade: isolamento, dificuldade de acesso, custo de vida alto, falta de oportunidades. A BR-319 não é teoria, é necessidade real. É o caminho para garantir dignidade, desenvolvimento e melhores condições para o nosso povo”, publicou.
O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) também repudiou a tentativa de judicializar os editais da rodovia e chamou de "inaceitável" o fato de organizações externas ao Amazonas tentarem impor uma agenda "que desconsidera as necessidades da população". "O Observatório do Clima não representa o povo amazonense, que há décadas sofre com o isolamento e cobra soluções concretas de infraestrutura. É inadmissível que uma ONG tente interferir em uma obra essencial e falar em nome do Amazonas sem representar a realidade de quem vive no estado", criticou.
Em nota, o senador Plínio Valério (PSDB) afirmou que a atuação do observatório não era novidade e que havia denunciado isso durante a comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou organizações não governamentais na Amazônia. “Eu já sabia que o Observatório do Clima, que também denunciamos durante o nosso mandato, iria intervir e provavelmente conseguirá, já que parte do Judiciário está pronta para acolher esse tipo de ação. O resultado será o embargo dessa suposta obra do meião”, disse. O tucano declarou ainda que gostaria que todos que hoje se posicionam contra a ONG e contra a hoje ex-ministra Marina Silva (Rede) “tivessem feito o mesmo ao longo dos últimos sete anos”, mas que toda a ajuda é bem-vinda para fazer a pavimentação da BR-319 sair do papel.
Fonte: com informações Acrítica
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