Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em foto do dia 9 de novembro de 2023
O próximo Plano Safra, que será anunciado em junho, trará um impulso significativo ao plantio de alimentos básicos essenciais para a alimentação brasileira, com o objetivo de formar estoques públicos estratégicos, informou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ao g1. Este programa visa estimular a produção agropecuária por meio de empréstimos com juros reduzidos.
A formação de estoques é uma medida crucial para garantir o abastecimento nacional em situações de emergência, como perdas na produção agrícola ou pecuária devido a eventos climáticos extremos, como secas ou enchentes.
Recentemente, as cheias históricas no Rio Grande do Sul, que detém 70% da produção de arroz do país, forçaram o governo a zerar a taxa de importação do cereal e buscar suprimentos no exterior. Essa situação destaca a importância de diversificar a produção e incentivar o plantio de outros alimentos básicos.
Veja também
.jpeg)

"Precisamos diversificar nossa produção, não deixar o produtor refém de culturas como soja, milho e algodão", afirmou Fávaro. O governo planeja lançar contratos de opções para produtos como arroz, feijão, trigo, mandioca e milho – este último, crucial para a produção de carnes.
Os contratos de opções funcionam oferecendo ao produtor o direito, mas não a obrigação, de vender sua produção ao Estado por um preço previamente fixado. Se o mercado estiver pagando mais, o produtor pode optar por vender às empresas privadas. Caso contrário, ele tem a garantia de que o governo comprará seu produto pelo preço acordado.
"Não buscamos criar super estoques públicos como no passado, mas assegurar a presença do Estado para manter o equilíbrio e o abastecimento", enfatizou Fávaro, ressaltando o papel da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesse processo.
Os estoques de arroz, que já alcançaram 4,4 milhões de toneladas nos anos 1988 e 1989, estão atualmente zerados, segundo dados da Conab. Críticos argumentam que os estoques públicos representam uma intervenção estatal no mercado, enquanto defensores veem a medida como essencial para a soberania e segurança alimentar.

Para enfrentar perdas causadas por eventos climáticos extremos, o governo também pretende ampliar o seguro agrícola, com programas como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que subsidia parte do custo do seguro para produtores.
Fávaro destacou a necessidade de expandir a adesão ao seguro rural, especialmente em regiões onde a estabilidade climática já não é garantida. Ele sugeriu que estímulos nas taxas de juros para empréstimos do Plano Safra poderiam incentivar mais produtores a aderirem ao seguro.
Apesar da demanda crescente, o orçamento do PSR tem enfrentado cortes, com uma queda de R$ 1 bilhão em 2023 para R$ 940 milhões em 2024, enquanto a demanda do setor é de R$ 2 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).
O ministro também destacou o papel do setor agropecuário na mitigação das mudanças climáticas, mencionando tecnologias como a "365" da Embrapa, que mantém a cobertura verde do solo durante todo o ano, protegendo-o e melhorando a produtividade.

Fotos: Reprodução/Google
Além disso, o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas visa recuperar 40 milhões de hectares de pastagens em dez anos, promovendo uma produção sustentável e combatendo o desmatamento.
"Não precisamos desmatar mais para aumentar a produção. O Brasil tem pastagens suficientes que podem ser convertidas. Não há concorrência entre produzir e preservar", concluiu Fávaro.
Esta iniciativa do Plano Safra é um passo significativo para garantir a segurança alimentar do Brasil, enfrentando os desafios das mudanças climáticas e promovendo uma produção agrícola diversificada e sustentável.
Fonte: com informações do G1
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.