Segundo a Procuradoria-Geral da República, a organização criminosa "documentou quase a totalidade" das ações para a ruptura democrática. Julgamento começa nesta terça (2).
A Procuradoria-Geral da República apresentou um arsenal de provas contra Jair Bolsonaro e outros sete réus na ação que julga a tentativa de golpe de Estado no Brasil. O conjunto de evidências vai de vídeos e manuscritos a registros de reuniões e mensagens digitais, que, segundo a acusação, expõem uma engrenagem cuidadosamente montada para sabotar a democracia e desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
Entre os elementos mais contundentes estão a live do então presidente em julho de 2021, quando atacou sem provas as urnas eletrônicas, e a reunião transmitida ao vivo com embaixadores, em julho de 2022, repetindo acusações infundadas contra a Justiça Eleitoral. Há ainda manuscritos e arquivos eletrônicos que detalham um “plano de desacreditar reiteradamente o processo eletrônico de votação”, além de mensagens que revelam o uso indevido de forças de segurança, sobretudo da Polícia Rodoviária Federal, no segundo turno das eleições.
As investigações também apontam que houve manipulação de relatórios militares sobre a idoneidade das urnas, convocação do Alto Comando do Exército para discutir medidas que impedissem a posse de Lula, registros de monitoramento militar por meio dos planos “Punhal Verde Amarelo” e “Copa 2022”, e até a formalização, pelo PL, de uma representação para questionar dolosamente a integridade do processo eleitoral. O clímax dessa escalada foi a destruição das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, episódio que a PGR trata como consequência direta da conspiração.
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Segundo o procurador Paulo Gonet, o crime de golpe de Estado está materialmente comprovado pela sequência de atos destinados a romper a normalidade democrática. Para ele, não há dúvida de que a organização criminosa se valeu da estrutura do próprio Estado, mobilizando agentes públicos e setores militares para desacreditar as urnas, ameaçar o Judiciário e tentar subjugar a vontade popular. A acusação sustenta ainda que houve incitação à violência contra ministros e tentativa de intervenção direta nos Poderes constituídos.

Além do ataque à democracia, a PGR aponta crimes de dano e deterioração do patrimônio histórico, evidenciados pelas imagens de destruição e pelos documentos oficiais que dimensionam os prejuízos ao Senado, à Câmara e ao Supremo Tribunal Federal.

Fotos: Reprodução
Em sua análise final, Gonet foi categórico: a ação progressiva e coordenada, executada entre julho de 2021 e janeiro de 2023, comprova a existência de uma organização criminosa estável, hierarquizada e voltada a um fim comum — instaurar um projeto autoritário de poder à revelia da Constituição. O que se desenha nos autos, segundo o procurador, é a mais grave tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito desde a redemocratização do país.
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