22 de Abril de 2026

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Política - 03/02/2023

PLANO DE FUGA: Bolsonaro diz que é 'italiano' logo após marcos do Val acusá-lo de tramar golpe de estado

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Foto: Reprodução

Foragido nos EUA, ex-presidente se calou sobre denúncia, mas sinalizou que pretende se manter longe do Brasil para evitar a cadeia

O cerco está se fechando para Jair Bolsonaro e o ex-presidente sabe disso. Tanto é que se mantém há mais de um mês nos EUA e já sinaliza que pretende ir para outro país, enquanto novas denúncias o deixam cada vez mais perto da prisão.

 

Nesta quinta-feira (2), o9 senador Marcos do Val (Podemos-ES) revelou em entrevistas à imprensa que participou de uma reunião no Palácio da Alvorada no dia 9 de dezembro em que Bolsonaro e o ex-deputado Daniel Silveira detalharam um plano de golpe de Estado.

 

O plano consistiria em Marcos do Val marcar uma reunião com Alexandre de Moraes para grampear o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de tirar do magistrado uma declaração comprometedora, como a de teria "extrapolado" a Constituição e, assim, fazer com que as eleições fossem anuladas, Bolsonaro se mantivesse no poder e o magistrado fosse preso.

 

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Segundo o relato, Bolsonaro estaria de acordo com o plano e prints de mensagens do deputado Daniel Silveira a Marcos do Val após a reunião confirmam em partes o conteúdo do encontro golpista.

 

Bolsonaro, até o momento, não se pronunciou sobre a denúncia. Em entrevista à mídia dos EUA na manhã desta quinta-feira, no entanto, afirmou que, "pela legislação", ele pode ser considerado "italiano". "Pela legislação, eu sou italiano, eu tenho avós nascidos na Itália, e a legislação de vocês diz que sou italiano", declarou.

 

Questionado pela imprensa se pretende fazer o processo de reconhecimento da cidadania italiana, tal como seus filhos Flávio e Eduardo Bolsonaro, o ex-presidente tergiversou e se limitou a dizer: "Pouquíssima burocracia e cidadania plena".

 

 

A fala, feita justamente no dia da denúncia de Marcos do Val, que se soma ao caso da minuta golpista encontrada na casa do ex-ministro Anderson Torres, que está preso, indica que Bolsonaro, diante do cerco se fechando, não pretende retornar ao Brasil tão cedo e já vislumbra, inclusive, morar na Itália.

 

Ainda nesta quinta-feira, Marcos do Val prestará depoimento, autorizado por Moraes, à Polícia Federal, no âmbito do inquérito que apura os atos golpistas do dia 8 de janeiro e que devem implicar diretamente Bolsonaro.

 

A REUNIÃO COM BOLSONARO

 

 

O senador do Podemos diz que a reunião com Bolsonaro foi marcada para acontecer por volta das 17h30 do dia 9 e que recebeu orientações de Silveira sobre como entrar de forma discreta no Alvorada.

 

“Vou te mandar a minha localização, mas tu não entra não, no Alvorada. E nem chega perto da entrada. Tu não vai aparecer. Tu vai parar o carro no estacionamento que eu vou te mandar a localização. Eu vou estar ali. O carro vai vir buscar a gente”, teria dito Silveira em mensagem de áudio.

 

Do Val e Silveira teriam sido levados ao Alvorada por seguranças de Bolsonaro e iniciaram a reunião que durou cerca de 40 minutos.

 

Bolsonaro estava de bermuda, camisa de manga curta e chinelo e um dos assuntos abordados foi a mobilização de apoiadores nos acampamentos em frente aos quarteis. Foi quando Silveira teria pedido ao então presidente que apresentasse a ideia que “salvaria o Brasil”.

 

A ideia era armar o plano contra Moraes para que o ministro fosse preso e a posse de Lula e as eleições anuladas. “Você será um herói nacional”, teria dito Silveira.

 

GSI

 

 

Na reunião, Bolsonaro teria dito que já havia acertado com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, a participação da Agência Brasileira de Informação (Abin) "que daria suporte técnico à operação, fornecendo os equipamentos de espionagem necessários".

 

Além de Bolsonaro, Do Val e Silveira, outras duas pessoas teria conhecimento do plano.

 

O senador teria sido escalado pelo ex-presidente para se aproximar de Moraes "porque conhecia o ministro há mais de uma década". Do Val teria pedido tempo para pensar e foi cobrado no dia seguinte da resposta por Silveira.

 

O senador não respondeu e foi cobrado novamente. “Não sei se você compreendeu a magnitude desta ação. Ela define, literalmente, o futuro de toda a nação”, disse Silveira, que cobrou uma resposta pela terceira vez.

 

ENCONTRO COM MORAES

 

Fotos: Reprodução

 

Marcos do Val diz que teria informado Silveira que iria "declinar da missão" no dia 14 de dezembro, após relatar a Moraes o plano de Bolsonaro.

 

“Não acredito”, teria dito o ministro em tom de espanto ao receber o alerta inda de toga, no intervalo do julgamento da ação sobre o orçamento secreto.

 

Como resposta da negativa, Do Val teria recebido uma mensagem breve de Silveira: "Entendo, obrigado".

 

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No dia seguinte, Moraes multou Daniel Silveira em R$ 2,6 milhões por desrespeito às medidas cautelares na prisão domiciliar, entre elas retirar a tornozeleira eletrônica e não manter distância de outros investigados.

 

Procurados pelo Veja, Silveira disse que está impedido pela Justiça de falar com jornalistas. Moraes não comentou o caso e Bolsonaro não foi encontrado pela reportagem.

 

Fonte: Com informações da Revista Fórum 

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