26 de Maio de 2026

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Segurança Pública - 26/05/2026

Pessoas negras são maiores vítimas de homicídios no país

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Foto: Reprodução

Racismo está entre principais causas, aponta Atlas da Violência 2026

As desigualdades estruturais, aliadas à criminalidade em geral e ao forte preconceito racial existente no Brasil, fazem com que a violência letal contra pessoas negras permaneça em um patamar elevado, de acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

 

Só em 2024, foram registrados 32.820 homicídios de pessoas negras, correspondendo a 77% do total de homicídios contabilizados. A taxa verificada foi 27,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas negras, o que significa 89,9 pessoas negras assassinadas por dia no país. Entre não negros, categoria que abrange brancos, amarelos e indígenas, foram contabilizados 9.234 casos nesse ano, à taxa de 10,1 homicídios por grupo de 100 mil pessoas não negras. De acordo com o estudo, a taxa de mortalidade por homicídio entre negros no Brasil supera em 170,3% a registrada entre não negros.

 

Na série histórica compreendida entre 2014 e 2024, 435.551 pessoas negras foram assassinadas no Brasil, contra 132.156 vítimas entre não negros. Embora tenham ocorrido reduções nos registros de homicídios dos dois grupos, a dinâmica foi desigual, segundo o Ipea e o FBSP. Entre não negros, a redução alcançou 38,9%, enquanto, entre negros, foi 21,7%. De acordo com o Atlas, em termos de risco relativo, um cidadão negro tem 2,7 vezes mais chances de ser morto por homicídio do que um não negro. Em Alagoas, esse risco chega a ser 23,3 vezes maior. O segundo maior risco relativo foi registrado no Amapá (16,7), seguido por Sergipe (6,8).

 

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Minorias

 

 


O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, afirmou à Agência Brasil que “a questão da violência está aumentando, em muitos casos, contra as minorias”.

 

LGBTQIA+

 

No que se refere à população LGBTQIA+, o Atlas aponta que o Estado brasileiro ainda falha em registrar de forma sistemática a motivação desses crimes, o que acaba gerando uma "invisibilidade institucional que dificulta políticas públicas eficazes”. Segundo o estudo, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais tiveram expansão de 5,5% de 2023 para 2024, totalizando 10.250 registros, enquanto as notificações de violência contra pessoas transexuais e travestis cresceram 2,5%, atingindo 5.575 registros.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Os casos envolvendo homossexuais mostraram aumento de 4,8% entre 2023 e 2024, passando de 7.043 para 7.378, enquanto os referentes a pessoas bissexuais cresceram 7,4% (de 2.675 para 2.872). Em 2024, 5.575 pessoas trans e travestis foram vítimas de violência notificada (+2,6% em comparação ao ano anterior), sendo que o grupo de travestis registrou crescimento de 4,1% nos casos em relação a 2023. Entre 2014 e 2024, a notificação da violência contra homossexuais e bissexuais atingiu 212,7%, apresentando maior intensidade entre bissexuais (781%) do que entre homossexuais (149,9%). No total, foram registrados 59.790 casos de violência contra pessoas homossexuais e bissexuais no período pesquisado, no país. No período, foram registrados 35.779 casos de violência contra pessoas trans e travestis no sistema de saúde.

 
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De 2023 para 2024, houve queda de 0,6% nos casos contra homens trans, que passaram de 1.307 casos para 1.299. Entre as mulheres trans, foi apontado crescimento de 3,6%, atingindo 3.594 casos em 2024, mais do que o dobro do registrado entre homens trans. Entre travestis, a expansão foi 4,1%, chegando a 682 registros no último ano disponível. O Atlas mostra ainda que pessoas negras correspondem a 67% das vítimas travestis. O mesmo ocorre entre mulheres transexuais, para as quais pessoas negras representam 61% dos registros, contra 34% de pessoas brancas. No caso de homens transexuais, embora continuem predominando pessoas negras (55%), constata-se distribuição relativamente menos desigual em comparação aos demais grupos, com maior participação proporcional de pessoas brancas (42%). 

 

Fonte: com informações Acrítica

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