Desde a recuperação de seus direitos políticos, a trajetória do ex-presidente Lula vem apontando um aumento lento e gradual nas intenções de voto e na redução da rejeição a seu nome
*Por Leonardo Sakamoto - Desde a recuperação de seus direitos políticos, a trajetória do ex-presidente Lula vem apontando um aumento lento e gradual nas intenções de voto e na redução da rejeição a seu nome.
Em nova etapa desse processo, o total de eleitores que votariam nele com certeza (44%) ultrapassou numericamente os que nunca votariam nele (43%), segundo pesquisa Ipespe divulgada nesta sexta (14).
Por mais que a margem de erro seja de 3,2 pontos percentuais, o que significa um empate técnico entre os dois índices, o aumento no apoio e a redução na rejeição do petista tem sido consistente desde abril do ano passado, quando 47% repudiavam o voto no ex-presidente enquanto 31% afirmavam que o escolheriam com certeza.
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O ponto de inflexão foi a decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou as condenações contra Lula após diálogos entre procuradores da força tarefa da operação Lava Jato com o então juiz federal Sergio Moro virem a público mostrando que não foram isentos. Posteriormente, o STF considerou que Moro, hoje pré-candidato à Presidência pelo Podemos e adversário declarado de Lula, foi parcial e tendencioso no processo.
As informações sobre os diálogos se tornaram públicas através da Vaza Jato, série de reportagens coordenada pelo site The Intercept e publicadas também por outros veículos da imprensa.
Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vem enfrentando a situação oposta. Em abril de 2021, 56% não consideravam votar nele nem que a vaca tussa e 28% iriam com ele com certeza. Hoje, a diferença aumentou para 64% a 25%.
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Coincidentemente, na pesquisa estimulada, Jair também surge com 24% e 25%, dependendo do cenário. Isso reforça que o presidente conta uma base confiável, formada por seus apoiadores fiéis (o chamado "boslonarismo-raiz") somados a aliados de seu governo, como parte do agronegócio e do extrativismo, policiais e militares, determinados grupos religiosos, milicianos, entre outros.
Com base nos dados da pesquisa Ipespe, quem vota em Bolsonaro conhece bem o presidente e, provavelmente, vota nele por conta do que ele diz e representa. Em suma, Bolsonaro tem fãs e sócios, não tem simpatizantes.
A taxa de 25% é baixa para um presidente que busca a reeleição, mas alta o bastante para afastar uma terceira via do segundo turno.
Isso não é aleatório. Bolsonaro vem cultivando essa base desde o primeiro dia de governo, defendendo pautas e adotando medidas que a agrada e modulando seu discurso às suas opiniões. O combate à imunização de crianças entre 5 e 11 anos, que atrasou o início da proteção desse grupo, é um dos exemplo.
Ele conta que, num segundo turno, vai reunir uma frente antipetista contra Lula. A redução da rejeição ao ex-presidente pode melar os planos de Jair.
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Fotos: Reprodução
Lula tem 35% na pesquisa espontânea e 44% nos dois cenários da estimulada. Moro chega a 9% em um cenário com o ex-governador Ciro Gomes (PDT), que aparece com 7%. Sem Moro, Ciro surge com 9%.
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A menos que aconteça algo tão bizarro que me traga de volta, claro.
*Leonardo Sakamoto - É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016).
Fonte: Site Uol
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