Trata-se de um problema estrutural, grave, construído sob a perspectiva da dominação econômica e, por consequência, dos corpos femininos.
Por Maria Santana Souza - O Brasil tem uma das maiores desigualdades sociais e de gênero do mundo, apesar da luta das mulheres e das conquistas das últimas décadas, principalmente a partir da Constituição cidadã de 1988.
Trata-se de um problema estrutural, grave, construído sob a perspectiva da dominação econômica e, por consequência, dos corpos femininos. Os "corpos dóceis" moldados pela opressão sistêmica podem ser percebidos quando desvendamos algumas realidades, inclusive no trabalho.
Para se ter uma ideia dessa desigualdade, na diferença salarial entre homens e mulheres, o Brasil ocupa a 117ª posição, no ranking do Global Gender Report, entre 146 países pesquisados. As mulheres recebem, em média, 78% do que recebem os homens, para desenvolverem o mesmo trabalho.
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Ainda no campo do trabalho e da ocupação, o IBGEeduca publicou no Dia Internacional da Mulher, em 2024, o documento “Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil”.
Vejamos os números

* "21,3 foi a média de horas semanais que as mulheres dedicaram aos cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos em 2022. Já os homens dedicaram 11,7 horas semanais no mesmo ano."
* "Mulheres pretas ou pardas estavam mais envolvidas com o trabalho doméstico não remunerado que as mulheres brancas (1,6 hora a mais).
* "Em 2022, 28,0% das mulheres estavam ocupadas em tempo parcial (de até 30 horas semanais), quase o dobro (14,4%) do verificado para os homens."
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O quadro revela o tamanho do desafio posto para nós, mulheres, naquilo que se refere à dupla jornada de trabalho e ao racismo estrutural que atinge as mulheres negras, que chegam a ganhar menos do que as mulheres brancas e menos ainda do que os homens.
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O documento segue mostrando o ápice da discriminação, ao revelar, com base nas estatísticas levantadas, que as mulheres, maioria na população brasileira (51,2%) tem melhor instrução.
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* "Em 2022, entre a população com 25 anos ou mais de idade, 35,5% dos homens não tinham instrução ou possuíam apenas o fundamental incompleto, proporção que era de 32,7% entre as mulheres."
* "A proporção de pessoas com nível superior completo foi de 16,8% entre os homens e 21,3% entre as mulheres."
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No que se refere à educação, há muito o que se conquistar. Demos passos significativos, mas o machismo estrutural ainda impede que as mulheres tenham um espaço que lhes pertence.
* "No ranking internacional, o Brasil ainda figurava, em 2022, como quarto país com menor percentual de mulheres de 25 a 34 anos com ensino superior completo (27,2%), comparado aos países membros da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE."
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* "No Ensino Superior, as mulheres ainda são minoria entre os docentes. Segundo o Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2022, elas representavam 47,3% dos professores de instituições de Ensino Superior no Brasil."

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Fotos: Reprodução/Google
No próximo artigo continuaremos a abordar a questão da desigualdade de gênero no nosso país, para termos a dimensão dos nossos desafios e da nossa luta.
Maria Santana Souza é Jornalista, sob o nº 001487/AM, idealizadora e diretora-presidente do Portal Mulher Amazônica, idealizadora e apresentadora do Podcast Ela.
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