20 de Abril de 2026

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Política - 20/09/2025

PEC 27/2024: reparação histórica ou a polêmica do 'fim dos pardos'

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Foto: Reprodução/Google

O Portal investigou documentos oficiais, ouviu especialistas e buscou fontes confiáveis para esclarecer o que está em jogo.

Nos últimos meses, um tema tem incendiado debates nas redes sociais: a chamada “PEC do fim dos pardos”. Imagens e postagens com frases como “assimilação forçada” ou “eliminação do mestiço” viralizaram, levantando medo e indignação. Mas afinal, o que realmente diz a Proposta de Emenda à Constituição nº 27/2024. O Portal investigou documentos oficiais, ouviu especialistas e buscou fontes confiáveis para esclarecer o que está em jogo.

 

O que é a PEC 27/2024

 

Apresentada pelo deputadoDamião Feliciano (União-PB) e outros parlamentares, a PEC 27/2024 propõe incluir na Constituição um Capítulo sobre Promoção da Igualdade Racial. O texto prevê também a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR), voltado a políticas públicas de inclusão socioeconômica e reparação histórica para pretos e pardos.

 

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Segundo a justificativa da proposta, o fundo seria destinado a financiar projetos nas áreas de educação, saúde, empreendedorismo, acesso à terra e combate à desigualdade racial.

 

De onde veio a polêmica?

 

 

Helda Sá, presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, em Manaus/AM

 

A confusão começou quando perfis em redes sociais passaram a chamar a proposta de “PEC do fim dos pardos”. A interpretação é de que, ao unificar pretos e pardos no mesmo capítulo constitucional, a PEC apagaria identidades, forçando uma assimilação racial. Entretanto, o texto da PEC não traz nenhuma redação que elimine a categoria “pardo” ou que determine autodeclarações compulsórias. A proposta, na forma em que está registrada, reconhece pretos e pardos como grupos alvo das políticas do FNREPIR.

 

Tramitação oficial: PEC 27/2024 na Câmara

 

 

 


• Movimentos negros: entidades como o Movimento Negro Unificado veem a proposta como avanço no combate ao racismo estrutural e um marco para reparações históricas.


• Setores críticos: parlamentares da oposição e influenciadores digitais acusam a PEC de tentar “reescrever a identidade racial brasileira”. Essa narrativa foi a base para o termo “PEC do fim dos pardos”, que viralizou.


• ONU: embora relatores da ONU tenham denunciado o racismo sistêmico no Brasil, não há declaração oficial classificando a PEC 27/2024 como “racista” ou como “eliminação de pardos”.

 

Contexto histórico

 

 

 

O debate sobre identidade racial no Brasil é antigo. Desde o IBGE, que adota a categoria “pardo” nos censos, até políticas afirmativas como cotas raciais, a definição e reconhecimento dos grupos sempre geraram discussões.

 

A PEC 27/2024 surge em um momento em que

 



• O Brasil vive pressão internacional para fortalecer políticas de combate ao racismo;


• Movimentos sociais demandam reparação histórica pela escravidão e pelo racismo estrutural;
• Há polarização política que amplia distorções no debate público.

 
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 Leão Alves, Helda Sá e integrante do Movimento Pardo-

Mestiço Brasileiro (Fotos: Reprodução/Google)

 

A chamada “PEC do fim dos pardos” é, na verdade, a PEC 27/2024, cujo objetivo oficial é criar instrumentos constitucionais e financeiros para enfrentar desigualdades raciais. A polêmica nasce menos do texto da proposta e mais da disputa de narrativas que se intensificam nas redes sociais. O desafio, para jornalistas e sociedade, é separar fatos de interpretações e garantir que o debate sobre igualdade racial no Brasil seja feito com base em informações reais, sem alimentar discursos de medo ou desinformação.
 

Portal Mulher Amazônica

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