O Portal investigou documentos oficiais, ouviu especialistas e buscou fontes confiáveis para esclarecer o que está em jogo.
Nos últimos meses, um tema tem incendiado debates nas redes sociais: a chamada “PEC do fim dos pardos”. Imagens e postagens com frases como “assimilação forçada” ou “eliminação do mestiço” viralizaram, levantando medo e indignação. Mas afinal, o que realmente diz a Proposta de Emenda à Constituição nº 27/2024. O Portal investigou documentos oficiais, ouviu especialistas e buscou fontes confiáveis para esclarecer o que está em jogo.
O que é a PEC 27/2024
Apresentada pelo deputadoDamião Feliciano (União-PB) e outros parlamentares, a PEC 27/2024 propõe incluir na Constituição um Capítulo sobre Promoção da Igualdade Racial. O texto prevê também a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR), voltado a políticas públicas de inclusão socioeconômica e reparação histórica para pretos e pardos.
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Segundo a justificativa da proposta, o fundo seria destinado a financiar projetos nas áreas de educação, saúde, empreendedorismo, acesso à terra e combate à desigualdade racial.
De onde veio a polêmica?

Helda Sá, presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, em Manaus/AM
A confusão começou quando perfis em redes sociais passaram a chamar a proposta de “PEC do fim dos pardos”. A interpretação é de que, ao unificar pretos e pardos no mesmo capítulo constitucional, a PEC apagaria identidades, forçando uma assimilação racial. Entretanto, o texto da PEC não traz nenhuma redação que elimine a categoria “pardo” ou que determine autodeclarações compulsórias. A proposta, na forma em que está registrada, reconhece pretos e pardos como grupos alvo das políticas do FNREPIR.
Tramitação oficial: PEC 27/2024 na Câmara
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• Movimentos negros: entidades como o Movimento Negro Unificado veem a proposta como avanço no combate ao racismo estrutural e um marco para reparações históricas.
• Setores críticos: parlamentares da oposição e influenciadores digitais acusam a PEC de tentar “reescrever a identidade racial brasileira”. Essa narrativa foi a base para o termo “PEC do fim dos pardos”, que viralizou.
• ONU: embora relatores da ONU tenham denunciado o racismo sistêmico no Brasil, não há declaração oficial classificando a PEC 27/2024 como “racista” ou como “eliminação de pardos”.
Contexto histórico

O debate sobre identidade racial no Brasil é antigo. Desde o IBGE, que adota a categoria “pardo” nos censos, até políticas afirmativas como cotas raciais, a definição e reconhecimento dos grupos sempre geraram discussões.
A PEC 27/2024 surge em um momento em que
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• O Brasil vive pressão internacional para fortalecer políticas de combate ao racismo;
• Movimentos sociais demandam reparação histórica pela escravidão e pelo racismo estrutural;
• Há polarização política que amplia distorções no debate público.
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Leão Alves, Helda Sá e integrante do Movimento Pardo-
Mestiço Brasileiro (Fotos: Reprodução/Google)
A chamada “PEC do fim dos pardos” é, na verdade, a PEC 27/2024, cujo objetivo oficial é criar instrumentos constitucionais e financeiros para enfrentar desigualdades raciais. A polêmica nasce menos do texto da proposta e mais da disputa de narrativas que se intensificam nas redes sociais. O desafio, para jornalistas e sociedade, é separar fatos de interpretações e garantir que o debate sobre igualdade racial no Brasil seja feito com base em informações reais, sem alimentar discursos de medo ou desinformação.
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