31 de Maio de 2026

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Cultura e Eventos - 05/04/2026

PÁSCOA: O Cristo que desmente a violência e revela o caminho de paz

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Ela denuncia a incoerência de uma fé que abençoa armas e legitima a destruição. E, ao mesmo tempo, anuncia a possibilidade de um novo começo.

A Páscoa, uma das celebrações mais profundas da fé cristã, vai muito além de símbolos e tradições. Ela carrega o centro da mensagem do Evangelho: a vida que vence a morte, o amor que supera o ódio e a paz que resiste mesmo em meio ao caos. Em um tempo marcado por conflitos e guerras, especialmente no Oriente Médio, revisitar o verdadeiro significado da Páscoa é mais do que um exercício espiritual — é uma necessidade ética e humana.

 

A narrativa pascal nasce da dor. A prisão, o julgamento e a execução de Jesus Cristo revelam o que há de mais brutal na humanidade: a capacidade de rejeitar, violentar e eliminar aquilo que não compreende. No entanto, a ressurreição rompe essa lógica. Ela não responde à violência com mais violência, mas inaugura um novo horizonte: o da reconciliação.

 

Esse é o ponto central que muitas vezes se perde. A Páscoa não celebra o sofrimento em si, mas a transformação que dele emerge. O Cristo ressuscitado não retorna para vingar-se, nem para estabelecer domínio político ou militar. Ele retorna oferecendo paz. Uma paz que não depende de circunstâncias externas, mas de uma profunda mudança interior e coletiva.

 

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Em meio às tensões contemporâneas, especialmente nos conflitos envolvendo Oriente Médio, essa mensagem ganha contornos ainda mais urgentes. Recentemente, lideranças religiosas têm se posicionado com firmeza contra o uso da fé como justificativa para a violência. Durante celebrações no Vaticano, o Papa Leão XIV reafirmou que Jesus é o “Rei da Paz” e rejeitou qualquer tentativa de invocar Deus para legitimar guerras ou atos violentos.

 

Sua fala ecoa um chamado antigo, mas frequentemente ignorado: Deus não pode ser instrumentalizado para sustentar projetos de poder ou destruição. Essa mesma linha de pensamento é reforçada pelo pastor luterano palestino Munther Isaac, que, vivendo em Belém, descreve a realidade de seu povo em meio a bloqueios e violência. Sua afirmação é contundente: toda vez que a religião é usada para justificar o sofrimento de inocentes, especialmente crianças, Cristo está sendo novamente crucificado — agora sob os escombros da guerra. Não se trata apenas de uma metáfora, mas de uma denúncia teológica e moral.

 

 

A força dessa reflexão está justamente em confrontar uma distorção recorrente: a tentativa de moldar Jesus à imagem das expectativas humanas.
Ao longo da história, muitos desejaram um messias que legitimasse poder, vingança ou supremacia. No entanto, o Cristo da Páscoa segue na contramão dessa lógica. Ele não se impõe pela força, mas pela entrega. Não domina, mas serve. Não destrói inimigos, mas propõe reconciliação. Essa mensagem é profundamente desconcertante, especialmente em uma cultura que frequentemente valoriza a força, a imposição e a vitória a qualquer custo. A Páscoa, portanto, não é apenas um evento litúrgico, mas um convite radical: abandonar a lógica da violência e assumir o compromisso com a paz.

 

Mais do que nunca, a celebração pascal exige coerência. Não basta reconhecer Jesus como símbolo ou referência espiritual; é necessário assumir o caminho que ele propõe. Um caminho que passa pelo perdão, pela justiça, pela empatia e pela recusa de qualquer forma de desumanização.

 

Fotos: Reporodução/Google

 

 

Diante de um mundo em que guerras continuam sendo travadas, muitas vezes com discursos que tentam se revestir de legitimidade moral ou religiosa, a Páscoa se levanta como um contraponto. Ela denuncia a incoerência de uma fé que abençoa armas e legitima a destruição. E, ao mesmo tempo, anuncia a possibilidade de um novo começo.

 
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O Portal Mulher Amazônica reafirma seu compromisso com a promoção da paz, da dignidade humana e da justiça social. Em consonância com a mensagem pascal, defendemos que nenhuma expressão de fé pode ser utilizada para justificar a violência, a opressão ou a morte. Acreditamos em um cristianismo que se manifesta na prática do amor, na defesa dos vulneráveis e na construção de pontes, não de muros. Em tempos de guerra, é urgente resgatar o verdadeiro significado da Páscoa: um chamado à vida, à reconciliação e à esperança. Que a ressurreição de Cristo não seja apenas celebrada, mas vivida — especialmente onde a dor parece querer silenciar a fé.

 

Fontes:
Vaticano News (pronunciamentos papais e celebrações oficiais)
Conselho Mundial de Igrejas (World Council of Churches)
Publicações e sermões de Munther Isaac
 

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