Com paralisia cerebral, Jean soma mais de 30 anos de carreira na natação, coleciona títulos nacionais e internacionais e planeja cursar Educação Física após nova medalha no Brasileiro
Setembro é o mês da Pessoa com Deficiência no Brasil, e a história do paratleta Jean Dias nos remete à importância da inclusão e à igualdade de direitos. Tendo nascido com paralisia cerebral, Jean, aos 50 anos, tem asma, alergia ao cloro, rinite crônica, mas segue batalhando, braçada a braçada, nos treinos diários que realiza, e conquistando medalhas nas principais competições da natação paralímpica pelo Brasil e até no exterior, competindo com a nova geração de nadadores.
No início deste mês, dias 5 e 6 de setembro, Jean disputou o Campeonato Brasileiro de Natação Paralímpica, em São Paulo, e conquistou mais uma medalha, de bronze, para sua coleção, na prova de 400m livre. “Foi uma grande emoção para mim. Passou um filme na minha cabeça, de toda a superação, e lembrei das pessoas que me ajudaram. Todos lá disseram que eu me desenvolvi, melhorei o movimento das pernas, dos braços, então fiquei muito feliz com meu resultado”, disse Jean. No Brasileiro, todos os paratletas competem numa categoria única de idade, ou seja, Jean compete com jovens a partir de 16 anos, o que torna a busca por medalha mais difícil ainda para o atleta. Porém, ele não se intimida, mantendo a mesma vontade de treinar que traz desde a juventude.
“Nado desde sempre, e já até representei a Seleção Brasileira. E agora, após anos sem disputar o Brasileiro, fiquei feliz por ter conseguido o índice e por chegar à medalha”, conta. O treinador do atleta, André Dantas, disse que admira Jean, por ele estar há muitos anos representando o Amazonas. “Ele já deveria ter recebido uma homenagem, algo assim, por ser uma das referências do esporte paralímpico no Amazonas e por ser aquele que está há mais tempo em atividade; ele é uma inspiração, por sua dedicação”, ressalta.
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Foto: Nilton Ricardo
A medalha não veio com facilidade. Jean explica que o seu mérito veio sendo construído em equipe, desde o ano passado, quando iniciou seus treinos no Nacional, clube que o apoia, com o técnico André Dantas, e foi trilhando o caminho até o Brasileiro. Jean treinou por muito tempo com os treinadores Wellington e, depois, Yves Simões, aos quais tem gratidão, e relata que ter encontrado André, no ano passado,
“foi uma emoção grande”e que o técnico tem o perfil ideal de trabalho para ele, então“está dando muito certo”. Para André, treinar uma pessoa com deficiência envolve realizar um trabalho muito bem pensado, “em cima do que ele consegue desenvolver, com base no calendário de competições também, que são todas fora do Estado”, explica. Segundo ele, Jean compete pouco, por não haver provas em Manaus voltadas a paratletas, então o treinador faz simulados, ao menos uma vez por mês, e afirma que é louvável o desempenho do atleta. “Para a idade dele é admirável que ele faça sete, oito treinos por semana, mas a natação também é uma terapia para ele, já que ajuda no seu problema de saúde, na questão respiratória”, destaca André.
Jornada vitoriosa
No ano passado, Jean competiu o Sul-Americano, na Argentina, quando conquistou o ouro nos 800m livre, e competiu também três provas no Meeting de Natação, no Ceará, conquistando outros três ouros. Assim começou a jornada do paratleta até o Brasileiro de Natação de 2025, pois, ainda no ano passado, ele conseguiu o índice para participar da prova de 400m livre, com a marca de 6'50". Foi o passaporte para o reencontro de Jean com a competição mais importante da natação brasileira, da qual ele não participava desde antes da pandemia de Covid-19.
O futuro, para ele, reserva ainda muitos desafios. Jean planeja competir ainda este ano no Meeting Paralímpico Loterias Caixa, em novembro e, no ano que vem, cursar Educação Física e, com os apoios de seus patrocinadores, seguir treinando e competindo, vencendo, acima de tudo, a si mesmo.
Fonte: com informações Acrítica
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