18 de Abril de 2026

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Saúde - 05/12/2025

Pacientes cegos voltam a enxergar após microchip sob a retina

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Foto: Reprodução/Google

Ao mesmo tempo, a comunidade científica chama atenção para a necessidade de ampliar estudos de longo prazo sobre durabilidade, segurança e impacto funcional na vida diária.

Uma prótese sub-retiniana do tamanho de um grão de arroz devolveu visão central funcional a pacientes com atrofia geográfica avançada — forma irreversível da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) —, segundo artigo publicado no New England Journal of Medicine em 20 de outubro de 2025. O implante, batizado de PRIMA, funciona sem fios, é ativado por óculos especiais e permitiu que a maioria dos participantes voltasse a ler letras, números e palavras.

 

Desenvolvido a partir de pesquisas conduzidas por equipes de neurociência, engenharia biomédica e oftalmologia, o sistema combina três elementos: um microchip fotovoltaico sub-retiniano (2 × 2 mm; ~30 µm de espessura) implantado sob a mácula; óculos com câmera e projetor que codifica imagens em luz infravermelha; e um processador que ajusta contraste, zoom e padrões de estimulação. O chip converte a luz projetada em pulsos elétricos que estimulam as células retinianas residuais, permitindo que o cérebro receba sinais e forme imagens.

 

No ensaio clínico confirmatório PRIMAvera, 32 pacientes completaram 12 meses de acompanhamento. Com o uso do sistema, 81% dos participantes atingiram a meta primária de ganho visual clinicamente significativo (melhora de pelo menos 10 letras no teste ETDRS) e 84% relataram usar a visão prostética em casa para tarefas de leitura de números e palavras. Em média, os beneficiários ganharam cerca de 25 letras (aproximadamente cinco linhas em um gráfico visual), com variações individuais que chegaram a ganhos excepcionais. Esses resultados representam um salto em relação a implantes anteriores, que ofereciam apenas percepção de clarões ou sombras.

 

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Para muitos pacientes, o impacto vai além de medidas clínicas: a capacidade de ler novamente — mesmo em condições assistidas — devolve autonomia, facilita atividades cotidianas e melhora a qualidade de vida. Relatos na imprensa e entrevistas com participantes descrevem ações antes impossíveis, como ler receitas, identificar números e até realizar viagens com maior segurança. Pesquisadores e revisores consideram os dados “notáveis” e um marco no campo da visão biónica, embora ressaltem que o sucesso exige reabilitação visual intensiva e treino para interpretar as imagens prostéticas.

 

Segurança, limitações e próximas etapas

 

 

 

A implantação é cirúrgica e requer equipes oftalmológicas especializadas. No estudo, o implante mostrou alta biocompatibilidade e não comprometeu a visão periférica natural dos participantes. Ainda assim, os autores alertam para variabilidade na resposta individual e para a necessidade de programas de reabilitação visual estruturados. Reguladores nos EUA e na Europa têm sido informados dos resultados e processos de aprovação e acesso estão sendo discutidos. Além disso, custo, logística de cirurgia e disponibilidade de centros especializados serão determinantes para a difusão da tecnologia.

 

Como funciona, em termos práticos

 


1. Óculos com câmera capturam a cena (incluindo opções de zoom e contraste).
2. Um processador codifica a imagem em padrões de luz infravermelha projetados na retina.
3. O microchip sub-retiniano (fotovoltaico) converte essa luz em estímulos elétricos que ativam neurônios retinais ainda preservados.
4. As vias visuais naturais transmitem os sinais ao cérebro, que aprende (com treino) a interpretar o novo input e formar imagens reconhecíveis. ?

 

O significado científico e social

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Especialistas descrevem o avanço como um marco na engenharia biomédica: a combinação de sensores, processamento de imagem e estimulação neural integrada prova que é possível restaurar visão funcional complexa em humanos com DMRI avançada. O sucesso do PRIMA pode abrir caminhos para tratamentos semelhantes em outras doenças retinianas degenerativas e estimular pesquisas em interfaces neurais sensoriais. Ao mesmo tempo, a comunidade científica chama atenção para a necessidade de ampliar estudos de longo prazo sobre durabilidade, segurança e impacto funcional na vida diária.

 
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fontes:
Stanford Medicine — reportagem sobre o implante PRIMA e os resultados clínicos
The Guardian / cobertura jornalística e comentários de especialistas.
 

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