19 de Abril de 2026

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Política - 23/01/2026

Os dilemas de Lula com convite de Trump para Conselho da Paz de Gaza

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Foto: Reprodução/Google

Planalto avalia convite para grupo liderado pelos EUA em meio à desconfiança sobre se grupo pode prejudicar funcionamento da ONU.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou sua passagem pelo Fórum Econômico de Davos, na Suíça,  para fazer o lançamento oficial do "Conselho de Paz". Trata-se de um grupo de países sob o comando do governo norte-americano que, inicialmente, tinha com o objetivo promover a reconstrução e a desmilitarização da Faixa de Gaza após mais de dois anos de conflitos entre o Hamas e Israel.

 

A criação do grupo está prevista em uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) endossada em novembro de 2025 e que prevê que ele atue na administração transitória da Faixa de Gaza até que a Autoridade Palestina finalize um processo de "reforma".

 

Durante o lançamento do Conselho, nesta quinta-feira, Trump estava acompanhado de líderes e representantes de 19 países que aderiram à iniciativa, entre eles os da Arábia Saudita, Indonésia e Argentina. O Brasil também foi convidado pelo governo norte-americano para fazer parte do novo órgão. "Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza", disse Trump na terça-feira (20/01).

 

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Até agora, porém, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre o assunto. Diplomatas com conhecimento do assunto confirmaram à BBC News Brasil que o governo recebeu o convite e que o país está realizando consultas internas e junto aos seus aliados sobre se irá ou não aceitar o convite do presidente Trump, mas que ainda não há prazo para que o Brasil se manifeste sobre o tema.

 

Apesar de endossada pelo Conselho de Segurança da ONU, a proposta vem gerando desconfiança entre analistas e governos sobre os reais objetivos do órgão criado por Trump. As dúvidas sobre se o conselho seria exclusivamente para tratar da reconstrução de Gaza aumentaram nos últimos dias depois que o conteúdo da carta fundadora do grupo foi divulgado por veículos de imprensa.

 

Um dos pontos que chamou atenção no documento foi a falta de uma menção específica à Faixa de Gaza, o que levantou questões sobre se o Conselho existiria apenas para lidar com a questão palestina ou se seria uma tentativa de substituir a ONU, entidade que é frequentemente criticada por Trump.

 

A carta prevê, por exemplo, que Trump será o presidente do Conselho e que o grupo terá um conselho executivo composto, em grande maioria, por integrantes do governo norte-americano como o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, o enviado especial do presidente, Steve Witkoff, e o genro e conselheiro de Trump, Jared Kushner.Em maio às incertezas sobre o Conselho, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que o convite feito por Trump coloca o governo brasileiro diante de alguns dilemas que dificultam uma decisão rápida sobre integrar ou não o grupo proposto por Trump.

 

O primeiro deles é resultado da falta de clareza, até agora, sobre como funcionará e qual a abrangência do conselho. O segundo está relacionado a uma possível retaliação norte-americana caso o Brasil recuse participar da iniciativa. O terceiro é sobre os riscos de perda de influência regional em caso de recusa do Brasil em participar do grupo uma vez que países vizinhos da América do Sul já anunciaram sua adesão ao Conselho.

 

Multilateralismo 'à la Trump'?

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Internacional da Flórida, Guilherme Casarões, o principal dilema enfrentado pelo governo brasileiro neste momento é avaliar o quanto o Conselho de Paz proposto por Trump enfraquece ou não o papel da ONU. Ele explica que historicamente, o Brasil vem se posicionado a favor de reformas das estruturas de governança global tais como a própria ONU e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma das pautas mais recorrentes da diplomacia brasileira, por exemplo, tem sido o acesso do país a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

 

Em seus discursos mais recentes, Lula vem criticando a falta de representatividade da ONU e o fato de que parte das decisões tomadas pelo órgão não serem cumpridas, principalmente, por superpotências como os Estados Unidos. Por outro lado, o governo brasileiro mantém a postura de recorrer aos órgãos do sistema ONU em momentos de tensão internacional. Para Casarões, a principal dúvida em relação ao grupo proposto por Trump é se, ao aderir ao grupo, o Brasil não estaria diluindo a relevância da ONU.

 

"Algo que foi pensado como uma resposta a um conflito específico acabou virando um grande guarda-chuva para a resolução de conflitos internacionais, em contradição direta com as funções da ONU", disse Casarões. Em Davos, Trump disse que o Conselho trabalhará "em conjunto com a ONU", mas voltou a criticar a entidade e comemorou o poder que o grupo sob seu comando poderá ter no futuro. "Quando o conselho estiver formado, nós podemos fazer, basicamente, qualquer coisa que queiramos. E nós vamos fazer isso em conjunto com a ONU. Vocês sabem, eu sempre disse que a ONU tem um tremendo potencial que não é usado", disse o líder norte-americano.

 

Por um lado, o governo Lula se coloca a favor da reforma das estruturas de governança global como a ONU e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre as pautas históricas da diplomacia brasileira está o acesso do país um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Por outro, o fato de que o presidente Trump terá, aparentemente, poderes ilimitados sobre o conselho, faz com que o Brasil seja reticente a aderir ao grupo.Em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta quinta-feira (22/1), o assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, disse que a proposta de Trump é confusa e que pode representar uma ameaça à ONU. "Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país (...) Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente.", disse Amorim. Casarões avalia que o convite cria um cenário difícil para o Brasil.

 
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"É uma situação difícil porque ficar de fora do Conselho impede que esses países participem de qualquer decisão de reconstrução de Gaza, tema fundamental para nações com interesses geopolíticos no Oriente Médio. Entrar no Conselho, por sua vez, confere legitimidade a um agrupamento personalista, sem objetivos claros ou qualquer perspectiva de resultados".

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

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