Entre os cerca de 62 mil membros da etnia Guna, a prevalência de albinismo é notavelmente alta
No arquipélago de Guna Yala, também conhecido como Ilhas San Blas, ao longo da costa caribenha do Panamá, vive uma comunidade indígena com uma das maiores incidências de albinismo no mundo. Os Guna (ou Kuna), que habitam cerca de 49 das 400 ilhas da região, possuem uma cultura rica e um sistema político semiautônomo que lhes garante autodeterminação dentro do território panamenho.
Entre os cerca de 62 mil membros da etnia Guna, a prevalência de albinismo é notavelmente alta. Essa condição genética, caracterizada pela ausência parcial ou total de melanina – pigmento responsável pela cor da pele, cabelos e olhos –, ocorre com frequência incomum devido à endogamia dentro da comunidade. Como os casamentos acontecem majoritariamente entre membros do próprio grupo, a transmissão dos alelos recessivos que causam o albinismo torna-se mais recorrente.
Veja também

Justiça determina que menino autista tenha monitor exclusivo em escola
Fórum lança manifesto para ampliar inclusão de jovens LGBT+ no mercado
Os “Filhos da Lua” e seu papel na cultura Guna
Enquanto em algumas sociedades os albinos enfrentam discriminação e estigma, entre os Guna eles são chamados de “filhos da lua” e ocupam um lugar especial na cosmovisão do povo. Tradicionalmente, são respeitados e desempenham papéis simbólicos e espirituais em certos rituais. Há crenças que os associam a uma conexão mais forte com os astros e o mundo espiritual.
A vida nas ilhas de Guna Yala é baseada na pesca, na agricultura, no turismo e no artesanato – especialmente na confecção das molas, tecidos bordados à mão que representam a identidade cultural e espiritual desse povo. Além disso, os Guna são conhecidos por possuírem uma das maiores plantações de coco do mundo, recurso vital para sua economia.

Fotos: Reprodução/Google
A história dos Guna é marcada por resistência e preservação de sua cultura. Sua migração para a região costeira ocorreu após o século XVI, e ao longo dos séculos, eles consolidaram um sistema político próprio que lhes garante um grau significativo de autonomia dentro do Panamá. Essa independência tem sido essencial para a manutenção de seus costumes e crenças, incluindo a visão única sobre o albinismo.
A relação dos Guna com seus “filhos da lua” reforça a diversidade cultural e a complexidade genética dos povos indígenas. Enquanto em muitas partes do mundo o albinismo ainda é alvo de preconceito, entre os Guna ele é visto como parte da identidade coletiva, evidenciando a riqueza e a singularidade desse povo caribenho.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.