Especialistas suspeitam que versões mutantes do vírus estejam relacionadas com casos recentes de morte, distúrbios neurológicos e microcefalia
O vírus Oropouche, que circula pelo Brasil, passou por alterações genéticas que incorporaram outros dois tipos de vírus encontrados na região amazônica, o que teria gerado "versões mutantes" do vírus. Especialistas suspeitam que essas mutações estejam relacionadas com os casos recentes de morte, distúrbios neurológicos, microcefalia e abortamento de fetos.
Além disso, há a suspeita de que elas poderiam ter contribuído para sua disseminação pelo país. As informações são do jornal O Globo.Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Laboratório Hermes Pardini/Grupo Fleury conseguiram identificar o vírus Oropouche com rearranjos genéticos em amostras de três estados brasileiros: Santa Catarina, Bahia e Espírito Santo.
Em seguida, foi realizada uma comparação entre esses rearranjos e as sequências genômicas do vírus encontradas nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia. Essa análise confirmou descobertas prévias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre as mudanças genéticas significativas no vírus, que são alterações maiores do que simples mutações.
Veja também

Governo Presente: FVS-RCP oferta serviço de Testagem Rápida para ISTs
Brasil registra morte por coqueluche após três anos sem óbitos; vítima é bebê do Paraná
(179).jpeg)
"Precisamos descobrir se essas alterações trouxeram novas propriedades ao oropouche. Mas vimos que o mesmo vírus com o rearranjo genético amazônico circula de Norte a Sul do Brasil", afirma Renato Santana, cientista do Laboratório de Biologia Integrativa da UFMG à frente da análise do sequenciamento genético.
O Oropouche pertence à família Orthobunyavirus, caracterizada por um genoma segmentado que facilita trocas genéticas, conhecidas como rearranjos. No caso, o vírus Oropouche se rearranjou com outros dois Orthobunyavirus que circulam na Amazônia: o Iquito e o PEDV, ou vírus de Perdões.Essas trocas ocorrem quando diferentes cepas do vírus infectam o mesmo hospedeiro, seja humano ou animal, o que facilita a transmissão entre diferentes espécies.A suspeita dos especialistas também é guiada pelo fato do Oropouche ter sido identificado em seis casos de transmissão vertical (da gestante para o bebê) de microcefalia e morte de fetos.
(294).jpeg)
São quatro casos de bebês com microcefalia e anticorpos para oropouche. E dois fetos com graves malformações neurológicas cujas mães sofreram abortamento, em Pernambuco.O RNA do vírus foi encontrado em órgãos de um feto natimorto com 30 semanas de gestação - no cérebro, no fígado, no coração, no pulmão e nos rins.
Febre Oropouche avança pelo país
(124).jpeg)
Fotos: Reprodução/Google
Os sintomas do Oropouche são parecidos aos das febres causadas por vírus como dengue, zika e chikungunya. Na última semana, o Ministério da Saúde confirmou as duas primeiras mortes por Oropouche no mundo, ambas na Bahia, sem a presença de outras doenças preexistentes.
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
A disseminação do Oropouche no Brasil tem sido observada em múltiplos estados, com registros de 7.236 casos até o momento, a maioria dos quais apresentam sintomas leves como febre e dores.Contudo, casos graves com manifestações neurológicas têm sido documentados. Há o alerta, entre especialistas, para aumentar a vigilância contra a doença e evitar que ela se espalhe pelo país.
Fonte: com informações do Portal iG
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.