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Meio Ambiente - 13/10/2021

ONG denuncia Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional por 'crimes contra a humanidade' devido ao desmatamento na Amazônia

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Foto: Reprodução

Presidente Jair Bolsonaro

A ONG austríaca AllRise apresentou, nesta terça-feira, uma denúncia no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente Jair Bolsonaro, por supostos "crimes contra a humanidade" devido ao desmatamento na Amazônia e suas consequências na vida e saúde em todo o mundo.

 

A denúncia apresentada no tribunal de Haia, com o título "Planeta vs Bolsonaro", busca criar jurisprudência ao estimar que as ações do presidente brasileiro (e de seu governo) não representam apenas um ataque contra a Amazônia, mas contra toda a humanidade. 

 

— Sua destruição afeta a todos nós. Na denúncia, apresentamos evidências que mostram como as ações de Bolsonaro têm uma conexão direta com as consequências negativas das mudanças climáticas em todo o mundo — explicou o fundador da AllRise, Johannes Wesemann, em um comunicado à imprensa.

 

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A denúncia da ONG conta com a participação de especialistas em direito internacional, como os advogados Maud Sarlieve e Nigel Povoas, além de uma das autoras do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas(IPCC), apresentado em agosto, a climatologista Friederike Otto.

 

'Crimes contra a humanidade'

 


A equipe de especialistas estima que as emissões que podem ser vinculadas às decisões do governo Bolsonaro sobre o desmatamento causarão mais 180 mil mortes neste século, devido ao aumento das temperaturas em todo o mundo.

 

Além disso, afirma que seu governo buscou "sistematicamente eliminar, mutilar e esvaziar de conteúdo as leis, organizações e indivíduos que protegiam a Amazônia".

 

 

Considera, portanto, o presidente responsável pela perda de cerca de 4.000 km² de Floresta Amazônica por ano e aumentos mensais na taxa de desmatamento de até 88%, desde que assumiu o cargo em 2019.

 

Segundo o relatório, o desmatamento nesta parte do Brasil já está liberando mais CO2 na atmosfera do que a Amazônia pode absorver.

 

— Crimes contra a natureza são crimes contra a humanidade — afirmou Wesemann. — Jair Bolsonaro está promovendo a destruição em massa da Amazônia com pleno conhecimento das consequências.

 

 

— Nos últimos anos, a ciência climática deu um grande passo à frente ao fornecer evidências da relação específica das emissões de gases de efeito estufa com as consequências globais — explicou Rupert Stuart Smith, do Programa de Direito Sustentável da Universidade de Oxford.

 

A AFP questionou o governo federal sobre a denúncia, mas não obteve resposta.

 

Bolsonaro e seus 'cúmplices'

 


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A Promotoria do TPI considera, desde 2016, que "a destruição do meio ambiente, a exploração ilegal de recursos naturais e a usurpação de terras" podem constituir um crime contra a humanidade.

 

Desde que Bolsonaro assumiu o cargo, indígenas brasileiros entraram com três queixas contra ele no TPI por "ecocídio" ou "genocídio". O presidente também foi denunciado perante esta instância por sua administração da crise do coronavírus.

 

Mas a denúncia desta terça, segundo seus promotores, é a primeira que relaciona o desmatamento com o impacto na saúde em escala global.

 

 

 

O TPI, criado em 2002 para julgar as piores atrocidades do mundo, não tem a obrigação de estudar as milhares de queixas apresentadas ao seu promotor por indivíduos ou grupos.

 

O promotor pode decidir de forma independente quais casos remeter aos juízes do tribunal, que decidem então se permitem uma investigação formal.

  

A denúncia, neste caso, atinge ainda várias autoridades importantes do governo Bolsonaro, explicou Povoas.

 

 

Fotos: Reprodução

 

— Eles são cúmplices que ajudam aqueles que no terreno cometem assassinatos, perseguem e perpetram outros atos desumanos — explicou o advogado.

 

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O fundador da AllRise, Johannes Wesemann, também destacou que o objetivo da denúncia "não é falar em nome dos brasileiros, mas mostrar a gravidade do desmatamento em massa em escala global".

 

Fonte: Extra Online

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