Ondas de calor como a que atinge diversas regiões do Brasil com alta de temperaturas de até 5ºC têm sido reforçadas por um bloqueio de pressão atmosférica, pelo El Niño e por mudanças climáticas. O país vive a oitava onda do tipo de 2023, e está sob aviso até a próxima sexta-feira, 17/11.
A principal característica da atual onda é a extensão da zona de alta pressão atmosférica, que vai do norte da Argentina ao sul da Amazônia e impede a chegada de frentes frias a essas áreas.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico equatorial, também afeta a circulação de massas de ar, intensificando a permanência de ar quente e seco em parte do país.Por outro lado, segundo especialistas, a frequência de eventos extremos aponta o rastro de mudanças climáticas na intensidade de chuvas e do calor.
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Para grandes cidades como São Paulo, fatores locais como materiais que absorvem o calor em ruas, edifícios e equipamentos públicos criam as ilhas de calor no microclima municipal. A capital bateu novo recorde do ano nesta segunda-feira, 13/11, com 37,4°C.
e acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a extensão e a duração da zona de alta pressão retroalimentam o calor e a permanência do ar seco. "A energia do sol é consumida em duas coisas: aumentar temperatura e evaporar água do solo. Com um solo pouco úmido, porque ainda não estamos na estação chuvosa, a maior parte vai para a temperatura."Seluchi, que coordena a área de operações e modelagem do centro, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, se refere ao fato de a primavera ainda ser uma estação de transição, antes da chegada do verão, mais chuvoso.
Sem chuva, também não há o alívio momentâneo das temperaturas. O papel do El Niño é justamente reforçar esse bloqueio com a mudança de correntes de ar, a partir do aquecimento das águas que também altera a circulação na atmosfera, que mantêm frentes frias estacionadas na região Sul. Isso ajuda a explicar a grande quantidade de chuva na região, que tem enfrentado desastres ao longo do ano.
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Fotos: Reprodução/Google
"Nos primeiros 12 dias de novembro na região de Porto Alegre [RS], já tivemos, neste ano, 147,6 milímetros e provavelmente veremos esta semana mais chuvosa", diz o meteorologista Guilherme Borges, da empresa Climatempo. Ele aponta que a média na capital gaúcha do Inmet para o mês é de 105 milímetros.Os indícios de efeitos das mudanças climáticas, segundo Borges, já estão comprovados. "Desde 1950 vivemos um ciclo de aquecimento potencializado pelas emissões de gases de efeito estufa."
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Esse cálculo, segundo Micael Amore Cecchini, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, é feito por meio dos estudos de atribuição. "Se formos medir só a temperatura, não conseguimos separar o joio do trigo. Vamos mudando os modelos e tiramos, por exemplo, o CO2 da atmosfera, ou cobrimos o mundo de cidades. Nesse sentido, os estudos já mostram que teríamos uma época 'mais fria' na média."
Assim, um planeta mais aquecido tende a ver efeitos mais acentuados de fenômenos atmosféricos, como o El Niño, ou mesmo o La Niña, que é marcado pela situação contrária. "É como uma onda que vai para cima e para baixo. As mudanças climáticas aumentam os extremos dessa onda", diz Cecchini.
Fonte: Folha de São Paulo
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