O senador Omar Aziz (PSD-AM) manifestou preocupação com os efeitos da operação e destacou que a sociedade amazonense ficou ?consternada? com as imagens de embarcações em chamas, muitas delas utilizadas por ribeirinhos para subsistência.
Maria Santana Souza - A destruição de 71 dragas de garimpo ilegal no Rio Madeira, entre os municípios de Manicoré e Humaitá, realizada pela Polícia Federal (PF) na última semana, provocou forte reação política e social no Amazonas. O senador Omar Aziz (PSD-AM) manifestou preocupação com os efeitos da operação e destacou que a sociedade amazonense ficou “consternada” com as imagens de embarcações em chamas, muitas delas utilizadas por ribeirinhos para subsistência.
A ação da PF, cumprindo ordem da Justiça Federal, contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e servidores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ao todo, 95 embarcações foram destruídas entre Amazonas e Rondônia, em sua maioria dragas flutuantes e balsas adaptadas para extração de ouro. Segundo a corporação, o uso de explosivos foi necessário para garantir a inutilização dos equipamentos.
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Durante reunião na Comissão de Infraestrutura do Senado, Aziz lembrou a nota de repúdio da Diocese de Humaitá e das paróquias locais, que classificaram a operação como “violenta e prejudicial às famílias ribeirinhas”. O senador afirmou que não é contra o combate ao garimpo ilegal, mas questionou a forma da execução.
“As imagens que recebemos são chocantes. A sociedade amazonense ficou consternada. Muitas famílias dependem daquelas embarcações para sobreviver, e não podemos ignorar o impacto social de uma ação dessa magnitude”, disse o parlamentar.
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Outros senadores também pediram esclarecimentos ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre os critérios da operação. A repercussão em Humaitá foi imediata. O prefeito e vereadores do município criticaram o uso de explosivos, afirmando que a explosão de balsas próximas à orla gerou pânico entre moradores e pode ter causado danos ambientais no rio. Segundo relatos, algumas embarcações estariam ancoradas e fora de operação.
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A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a suspensão do uso de explosivos em operações desse tipo. No pedido, a instituição argumenta que a prática oferece risco à fauna aquática, à qualidade da água e às comunidades que vivem às margens do Madeira.
Impactos sociais e ambientais
Fotos: Reprodução/Google
O Rio Madeira é vital para o transporte, a pesca e a renda de famílias ribeirinhas. A destruição de embarcações levanta preocupações sobre a subsistência de comunidades tradicionais e sobre possíveis impactos ambientais da queima de óleo, madeira e resíduos no leito do rio.
Especialistas ouvidos pela Agência Senado destacam que o combate ao garimpo ilegal deve ser acompanhado de políticas públicas de transição econômica, garantindo alternativas para quem hoje depende da atividade para sobreviver.
O caso deve ser debatido no Senado nas próximas semanas, com a possibilidade de convocação de autoridades da PF e do Ministério da Justiça para prestar esclarecimentos. Já em Humaitá, líderes comunitários e religiosos pressionam por uma resposta que contemple tanto a preservação ambiental quanto a proteção social das famílias atingidas.
Maria Santana Souza é empresária, jornalista e uma das maiores referências em ativismo feminino no Brasil. Formada em Direito, começou sua carreira como editora do Portal do Zacarias, tornando-se um de discrição e com propósito. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Mária Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.
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