30 de Abril de 2026

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Meio Ambiente - 03/09/2025

O silêncio das asas: o desaparecimento dos insetos e o alerta de colapso ecológico

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Foto: Reprodução/Google

Já em outros países, como a Itália, novas medidas mais duras vêm sendo adotadas para enfrentar essa realidade.

Você se lembra da última vez em que precisou limpar o para-brisa do carro por causa de insetos? Para muitos, essa lembrança já parece distante. Se nos anos 2000 uma simples viagem era suficiente para encher o vidro de borboletas, besouros e joaninhas, hoje é possível dirigir centenas de quilômetros sem ver sequer um vaga-lume.

 

Isso não é nostalgia: é sintoma de um processo global de desaparecimento acelerado de insetos, com consequências diretas para a biodiversidade, a agricultura e a própria sobrevivência humana.

 

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Os dados que não podem ser ignorados

 

 

 


• Um estudo de 27 anos realizado em reservas naturais da Alemanha revelou uma queda de 75% na biomassa de insetos voadores, mesmo em áreas protegidas (Hallmann et al., PLOS ONE, 2017).
• A Royal Entomological Society (Reino Unido) e a National Academy of Sciences (EUA) alertam que enfrentamos um declínio silencioso e generalizado na base da cadeia alimentar.
• No Brasil, uma pesquisa publicada em Biology Letters (2022), conduzida por cientistas da Unicamp, UFSCar e UFRGS, analisou 45 estudos e consultou 156 especialistas:
• 19 séries temporais mostraram declínio populacional de insetos terrestres, como abelhas, borboletas e besouros.
• 14 apontaram perda de diversidade.

 

O resultado é claro: a crise não é apenas europeia ou norte-americana. O Brasil também está vendo suas populações de insetos desaparecerem.
Por que eles estão desaparecendo?

 

Os principais fatores apontados pela ciência são:

 

 

 

• Uso indiscriminado de pesticidas, que eliminam tanto pragas quanto polinizadores;
• Mudanças climáticas, com extremos de temperatura que afetam ciclos de vida;
• Perda de habitats e fragmentação ecológica;
• Expansão urbana desordenada;
• Excesso de iluminação artificial, que desorienta espécies noturnas.

 

Na raiz, está a atividade humana sem limites, que transforma ecossistemas em ritmo acelerado.
Por que isso importa para nós

 

Insetos são muito mais que incômodos no para-brisa:

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

• Polinizam mais de 75% das plantas cultivadas no planeta.
• Reciclam matéria orgânica, mantendo a saúde dos solos.
• Controlam pragas naturalmente, evitando desequilíbrios agrícolas.
• Servem de alimento para aves, peixes, répteis e mamíferos.
• São bioindicadores ambientais: quando eles desaparecem, é sinal de que algo profundo está errado.

 

Se os insetos somem, todo o sistema colapsa em efeito cascata — do campo à mesa.
Um colapso silencioso O desaparecimento dos insetos funciona como um alarme biológico. Milhões de espécies sequer foram descritas pela ciência, mas muitas já estão desaparecendo antes mesmo de serem conhecidas.

 

A consequência imediata será sentida na produção de alimentos e na estabilidade dos ecossistemas. A médio prazo, é a própria resiliência do planeta que fica em risco. No Brasil, estudos financiados pela FAPESP mostram que até mesmo besouros bioluminescentes, símbolos de biodiversidade e encantamento natural, estão em declínio devido à urbanização e ao desmatamento.

 
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Regiões como a Amazônia e o Cerrado, onde a diversidade de insetos é imensa, podem perder espécies antes mesmo de serem registradas em catálogos científicos. A queda das populações de insetos não é apenas um problema ambiental: é uma questão alimentar, climática e de sobrevivência.
 

 

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