Confira mais detalhes logo abaixo!
O que parecia ser apenas mais uma operação industrial virou, com o passar dos anos, um dos maiores desastres socioambientais da história recente do Brasil. Em Maceió, capital alagoana, mais de 60 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas, deixando para trás suas histórias, raízes e comunidades inteiras. O motivo: a exploração predatória do sal-gema pela empresa Braskem — um mineral amplamente utilizado na fabricação de produtos de limpeza.
Desde a década de 1970, a Braskem operava na extração subterrânea do sal-gema em regiões populosas da cidade. No entanto, os impactos dessa atividade vieram à tona de forma alarmante em 2018, quando moradores do bairro do Pinheiro começaram a notar rachaduras em suas casas. O que era apenas um sinal discreto revelou-se, com o tempo, um sintoma de uma tragédia anunciada.
Com o esvaziamento das camadas subterrâneas onde o sal era retirado, a cidade passou a apresentar instabilidade estrutural. Tremores tornaram-se frequentes, e o risco iminente de colapsos transformou seis bairros inteiros — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto, Farol e parte do bairro do Trapiche — em verdadeiros cenários pós-apocalípticos. Hoje, são bairros fantasmas, onde apenas o silêncio e a memória persistem.
Veja também

.jpeg)
Apesar de, até o momento, não terem ocorrido desabamentos fatais, o temor é constante: a cidade, literalmente, pode afundar a qualquer momento. Famílias foram forçadas a recomeçar do zero, enquanto o poder público tenta contornar as perdas sociais, econômicas e emocionais geradas por um desastre que poderia ter sido evitado.
A ironia atinge níveis surreais quando se observa a postura da Braskem diante da crise. Em meio às denúncias e aos efeitos devastadores de sua atividade, a empresa ainda ousou marcar presença na COP28 — a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas — realizada em Dubai, em 2023. Após críticas e forte repercussão negativa, a empresa confirmou ter cancelado sua participação. Ainda assim, o gesto soou como afronta a uma população que luta, há anos, para ter justiça, reparação e reconhecimento.
O caso da Braskem em Maceió é um retrato cruel de como a busca incessante por lucro pode corroer, literalmente, as bases de uma cidade inteira — física e moralmente. Mais do que uma crise ambiental, trata-se de uma ferida aberta no tecido social de Maceió, agravada pela morosidade das ações de reparação e pela postura corporativa que beira o deboche.

Fotos: Divulgação
Enquanto isso, para os milhares de desalojados, resta a saudade do que um dia foi lar — e a esperança de que a justiça não seja mais uma vítima soterrada pela ganância.
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.