07 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Diversidade - 28/08/2024

O que é a identidade agênero e entenda as suas múltiplas vivências

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

De acordo com Ursula, ?para entender o que é agênero, assim como outras identidades não-binárias, é necessário assumir que existe uma polissemia por trás deste termo

Agênero é uma das diversas identidades não-binárias, na qual as pessoas não se identificam com nenhum gênero. Para falar sobre o assunto, a pesquisadora, estudante de ciências sociais e pessoa não-binária Ursula Boreal Lopes Brevilheri, que usa os pronomes femininos (ela) ou neutro (ila) e a pessoa agênero Nat Devergenes, que usa pronomes neutros (elu), exploram bastante as especificidades que envolvem essa identidade. Confira!

 

O que é agênero?

 

De acordo com Ursula, “para entender o que é agênero, assim como outras identidades não-binárias, é necessário assumir que existe uma polissemia por trás deste termo. Isso significa que o que une as pessoas que se identificam como agênero não é um caráter singular e uno, mas uma série de afinidades em torno de certas conceituações que se estabelecem”.

 

Veja também 

 

Acordo inédito incluirá pessoas LBTI em políticas públicas para mulheres

Escola quilombola forma jovens lideranças para defesa de comunidades

 


 

Desse modo, uma pessoa se identificar como agênero “pode significar uma identificação com uma ausência de gênero, com uma ausência de identificação/identidade de gênero ou até mesmo com uma perspectiva de gênero neutro”.Ursula explica que “no primeiro caso, a pessoa identifica a sua identidade a partir de uma ausência, negação e/ou inexistência de gênero; enquanto no segundo, estes mesmos atributos se referem, por exemplo, à negação de uma identidade ou a uma não existência de identidade de gênero”.

 

Por último, “o terceiro caso está mais vinculado a um posicionamento específico dentro do espectro das identidades, que é equivalente ao ponto 0 de um gráfico cartesiano (x=0 e y=0). Ou seja, um posicionamento que se estabelece em uma espécie de equilíbrio entre diferentes identificações, mas ainda dentro da gama de identidades de gênero”.

 

Neste sentido, Ursula destaca que “a primeira e segunda definição seriam pontos incertos ou mesmo a não inserção no gráfico/espectro, que é representada matematicamente pelo Ø. Ou seja, o conjunto vazio”.

 

A bandeira agênero

 

 

A bandeira que representa a identidade agênero mais conhecida é formada por 7 listras horizontais. As listras possuem a mesma altura e são utilizadas nas cores preta, para representar a ausência total de gênero; cinza, para simbolizar a ausência parcial de gênero; branca, mais uma vez simbolizando a ausência completa de gênero; e verde, representando a identidade não-binária.

 

Como alguém se identifica como agênero

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O processo de se compreender como uma pessoa agênero é diferente para cada sujeito, pois tudo depende da sua subjetividade e da sua vivência. Para além disso, a sociedade também não costuma divulgar e ensinar sobre esses termos. Isso significa que muitas pessoas até se sentem desconfortáveis com os gêneros, mas não sabem que existem grupos e termos que definem esse sentimento.

 

Para Nat Devergenes, esse processo de descobrimento foi muito atrelado à terapia. Elu recorda que percebeu “que não fazia sentido querer agradar aos outros, não faria sentido ter controle das coisas que a gente não tem controle, sabe?”.Elu conta que costumava falar muito sobre outras pessoas na terapia, “então a terapeuta perguntava sobre o que eu sentia ou o que eu queria. E eu lembro de um momento em casa, em que pensei que eu reprimo muito meus pensamentos. Então decidi parar de reprimir eles, agora eu vou pensar o que eu quiser. Tipo, só pra mim mesmo, sabe? Sem nem exteriorizar”.

 

Foi então que “quando eu me imaginava, eu não imaginava uma mulher e, às vezes, eu falando comigo mesma me tratava no pronome masculino, mas não no masculino enquanto homem, sabe? Era como uma pessoa, simplesmente uma pessoa”.Elu recorda a familiaridade causada por esse sentimento, “foi um sentimento muito familiar, que desde criança, desde quando eu era mais novi, eu não me imagino simplesmente uma mulher falando, eu sou eu falando, sabe?”. A partir dessa autoescuta, “eu dei atenção para isso e comecei a pensar que talvez a minha identidade e a minha existência não sejam necessariamente as de uma mulher”.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Entre os principais sinais de pessoa agênero que Devergenes reconheceu em si estão algumas disforias: “comecei a perceber que eu não consigo ter cabelo longo e que eu não gosto dos meus seios. Assim, ainda bem que eles são pequenos, sabe? Se eles fossem maiores, eu iria me sentir mal”, conta.Além disso, elu comenta que prefere roupas consideradas masculinas e que começou a frequentar a academia “não pra ajudar a emagrecer, mas pra ganhar peso e porque eu quero ter um corpo grande, sabe? Então são coisas que acabam me colocando em uma expressão de gênero dita como mais masculina”.

 

Devergenes explica que “isso entra em conflito, porque eu não entendo a questão da limitação de gênero, mas eu acho que é justamente por eu ser uma pessoa agênero que eu posso fazer o que eu quiser, quando eu quiser. Eu tenho que me sentir mais confortável no meu corpo sem performar nenhum gênero”. 

 

Fonte: com informações do Portal M de Mulher

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.