18 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 13/01/2024

O perigo da desinformação sobre a utilização de implantes hormonais

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Foto: Reprodução/Google

A utilização do termo ?chip da beleza? para denominação dos implantes hormonais evidencia ausência de compromisso com a saúde e a ciência

Nos últimos dias, nos deparamos com notícias inverídicas e sem cunho científico sobre o uso de implantes hormonais. Mais uma vez, observamos a desinformação sobre o uso dessa forma farmacêutica no tratamento médico, com diversas Fake News nas redes sociais e abordagens equivocadas por determinados veículos de imprensa.

 

Os objetivos da desinformação disseminada não estão claros, mas os fatos devem ser esclarecidos.Inicialmente, há que se destacar que, diversamente do quanto vem se propagando, a utilização do termo “chip da beleza” para denominação dos implantes hormonais é, no mínimo, temerário, além de evidenciar a ausência de compromisso com a saúde e o conhecimento cientifico.

 

Referência mundial na ciência e na saúde da mulher, o professor dr. Elsimar Coutinho desenvolveu e aprimorou, ao longo dos últimos 40 anos, a utilização dessa via de administração do hormônio como uma forma farmacêutica segura e compatível farmacologicamente, com o intuito de promover a anticoncepção de longo prazo, e o tratamento hormonal e de patologias graves, como endometriose, miomas e outras patologias hormônio dependentes, além de seus sintomas.

 

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Desde o seu desenvolvimento, há décadas atrás, sempre se cuidou de afastar a referida denominação de “chip da beleza”, a qual, vale dizer, apenas deprecia a referida forma farmacêutica utilizada para inúmeras indicações clínicas e no tratamento de diversas doenças de ordem ginecológicas.

 

Seja por má interpretação da norma, seja por tentativa de impor interesses próprios, com vistas à manipulação do mercado, a campanha aberta contra as conquistas da ciência culmina na desinformação de toda a classe médica brasileira, do grupo de farmácia magistrais e, ainda pior, de todas as pacientes que se beneficiem da terapia hormonal para fins de tratamentos clínicos.

 

Em que pese as informações veiculadas façam referência à frequente utilização de implantes contendo esteroides anabolizantes, os quais seriam divulgados e prescritos como parte de estratégias de apologia a um corpo perfeito e estilo de vida saudável, a realidade é distinta daquela que se pretende propagar.

 

 

Há milhares de profissionais na classe médica brasileira que, há mais de 30 anos, prescrevem implantes hormonais de forma responsável e buscando o tratamento eficaz e seguro dos pacientes. É temerário acreditar que esses profissionais atuam há diversas décadas de forma irresponsável, sem que tenham sido repreendidos ou censurados até hoje.

 

Não podem os profissionais médicos responsáveis, preocupados com o tratamento individualizado do seu paciente, ou, ainda, os pacientes que se beneficiam com esse tratamento, responder por atos imprudentes de terceiros que pretendam objetivos outros que não a saúde e segurança do paciente.

 

Nas informações propagadas observa-se, ainda, a divulgação de que a prescrição dos implantes hormonais se daria por “falsos especialistas”, quando, na verdade, a grande maioria dos profissionais que atuam nessa atividade tem especialidade médica. A má informação deve ser repreendida, uma vez que busca desqualificar profissionais habilitados, capacitados, e, sobretudo, especializados.

 

 

Veicula-se também que medicamentos como a Gestrinona e a Oxandrolona fariam referência a uma medicina antiga e ultrapassada, supostamente abandonados pela Medicina Baseada em Evidências. Também aqui a narrativa é inverídica, vez que a Gestrinona integra o Guideline Europeu como hormônio a ser utilizado no tratamento para endometriose, e a Oxandrolona é citada em importantes trabalhos como via de tratamento da Covid-19 com Sarcopenia.

 

Nas narrativas que vêm sendo propagadas, pôde-se também identificar alegações de supostos efeitos graves decorrentes da utilização de implantes hormonais, sem que seja apresentada, todavia, qualquer evidência científica nesse sentido. Ignora-se, ainda, que terapias hormonais via oral aumentam amplamente o risco de efeitos graves, quando em comparação com as vias periféricas.Suscita-se que, no climatério, a mulher não teria necessidade de reposição de testosterona, quando, em verdade, o primeiro hormônio que apresenta queda é justamente a testosterona, a partir dos 35 anos, o que pode ser observado por meio de uma boa anamnese na paciente. A deficiência androgênica feminina é um consenso médico. A narrativa apresentada, portanto, apenas reflete a ausência de conhecimento técnico dos interlocutores a respeito do tratamento de reposição hormonal feminino.

 

Ainda ao contrário do que vem sendo publicado, foram e continuam a ser realizados vários estudos científicos, em diversas instituições a nível mundial, que comprovam a eficácia da terapia hormonal e a sua importante contribuição para a melhoria da saúde e da qualidade de vida de mulheres que utilizam os implantes hormonais. Centenas de resultados clínicos satisfatórios apresentam e validam a utilização dos implantes hormonais para tratamento de várias patologias ginecológicas, sobretudo na terapia da endometriose, que acomete muitas mulheres. Na plataforma PUBMED, inclusive, há amplo acesso a textos científicos a versar os benefícios da utilização dos implantes hormonais no tratamento da endometriose.

 

 

No mesmo sentido, as publicações veiculadas, sem abordagem científica, ignoram mais de quatro décadas de atividade clínica, as quais demostram que a utilização da terapia hormonal no tratamento de várias patologias oferece qualidade e segurança à saúde dos pacientes.

 

Não fosse suficiente, tem se propagado, ainda, que os implantes hormonais não seriam aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que é absolutamente inverídico. Trata-se de flagrante desconhecimento técnico acerca da regulamentação da Anvisa no tocante ao segmento magistral.

 

Todo o processo de manipulação magistral das prescrições médicas contendo implantes hormonais é realizado com base na qualidade exigida pelas Boas Práticas de Manipulação e de acordo com os requisitos da Anvisa, por meio da Resolução de Diretoria Colegiada nº 67, de 8 de outubro de 2007 (RDC 67/07), a qual estabelece os critérios sanitários para a manipulação de medicamentos em todo o Brasil, não havendo que se falar em impossibilidade de uso clínico de implantes ou ausência de liberação da utilização de terapia hormonal por autoridade sanitária no Brasil.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A Anvisa, por meio de sua legislação RDC 67/07 fiscaliza, controla, normatiza e regula as ações de vigilância sanitária das farmácias magistrais brasileiras, outorgando-lhes, por meio de licenças específicas (Autorização de Funcionamento/ Autorização Especial/ Licença Sanitária), a aprovação para manipular medicamentos sob condições especificadas de Boas Práticas, mediante critérios de qualidade e de acordo com a prescrição de profissionais legalmente habilitados.

 

Sempre com o objetivo de embasar inverdades, tem-se buscado ainda desqualificar o implante, com a alegação que o mesmo não possui “bula”. Tratando-se de medicamento manipulado, conforme já destacado, todavia, a legislação é distinta daquela de medicamentos industrializados (especialidade farmacêuticas).

 

Considerando que uma solicitação dirigida a um farmacêutico para o aviamento de uma fórmula tem como objetivo a individualização da terapêutica para um paciente em específico particular, seria impossível que cada fórmula prescrita por cada profissional para cada um de seus pacientes, tivessem “registro” e uma “bula” específica.

 
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Por esse e por outros pontos de caráter técnico, a Anvisa publicou a legislação específica (RDC 67/07) para o segmento magistral. Dessa forma, o termo “registro”, bem como existência de “bula”, não se aplicam a medicamentos magistrais (formulações), o que está totalmente de acordo com a legislação específica da Anvisa para esse setor. 

 

Fonte: com informações do Portal Metrópoles

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