03 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 13/01/2024

O jornalismo tem rosto de mulher, mas ainda falha em ser diverso

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Foto: Reprodução/Google

Dados de pesquisa recente revelam que o perfil dos jornalistas no Brasil é homogêneo e não representa a diversidade do país

Por mais surpreendente que possa parecer para alguns, o jornalismo brasileiro tem um rosto, mas não é do homem branco de meia-idade. Os perfis mais predominantes nas redações brasileiras são as mulheres brancas entre 31 e 40 anos, moradoras de São Paulo, solteiras, sem filhos e com ensino superior completo. Estes dados foram compilados pelo estudo “Perfil do Jornalista Brasileiro 2021”, realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

É importante contrastar esse perfil com o do Censo Demográfico do IBGE, que registra 51% da população brasileira composta por mulheres, e 43% por pardos. Ainda assim, os brasileiros não podem ser tratados como uma grande massa uniforme, pois somos um país de dimensões continentais com diferentes grupos, interesses e necessidades.

 

Estamos falando de 91 milhões de brancos, 15 milhões de pretos, 82 milhões de pardos, 2 milhões amarelos e 817 mil indígenas. E estes são apenas os recortes de raça.Graciela Selaimen, mentora do Programa Acelerando a Transformação Digital, realizado pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês) em parceria com a Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e apoio do Meta Journalism Project, em conversa com o Women to Watch Brasil ressalta a importância de diversificar o corpo de jornalistas de uma redação de um veículo de imprensa:

 

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“É importante ter pessoas diversas — mulheres, negros, trans, homens, indígenas — em qualquer funcionamento institucional e jornalístico, porque o bom jornalismo tem que trazer em si, nas suas narrativas, nos olhares de quem conta a história, a diversidade da sociedade e do mundo. Cada um de nós traz filtros a partir das suas próprias identidades. E se você não tem diversidade de identidades nas redações, não tem multiplicidades de visões de mundo. Consequentemente, falta multiplicidade de narrativas, histórias e perspectivas. Isso empobrece qualquer instituição e sociedade.

 

”Garantindo a representatividade

 

 

Para Graciela, a prática de cotas de contratação é essencial para constituir uma redação representativa. “É comprovado que se você não tem a intencionalidade [de cotas] num processo seletivo de forma explícita e pública, dificilmente a seleção irá resultar de fato numa contratação com a diversidade que deveria ter. Essa intencionalidade pode vir, por exemplo, em políticas institucionais que prevejam necessariamente um número de pessoas diversas nas contratações para as redações e cargos de direção”, afirma a mentora.

 

Já Luana entende que apenas um local diverso não é o bastante para sustentar o funcionamento de uma redação inclusiva. “É preciso salientar que a representatividade não é suficiente para garantir mudanças estruturais. Ela é um primeiro e grande passo, mas precisa estar atrelada a medidas que garantam a inclusão”. Vale ressaltar que não apenas mulheres podem usufruir destas medidas de inclusão, mas também negros, pardos, LGBTQIAP+, indígenas, entre outros grupos.

 

Para além das cotas de contratação

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O processo seletivo com cotas já é uma realidade para grandes empresas no Brasil, como Magazine Luiza, XP Investimentos e Bayer, que marcam um compromisso com a diversidade e inclusão. No jornalismo, entretanto, esta é uma realidade que caminha lentamente. Apesar das mulheres serem maioria nas redações, de acordo com a pesquisa da UFSC, é preciso maior empenho para tornar os ambientes de trabalho mais receptivos e acolhedores.

 

 

“O grande desafio é mudar a cultura organizacional das empresas para que a inclusão de mulheres vá além das contratações, e que após contratadas, tenhamos ambientes seguros de trabalho, além de condições de nos mantermos no trabalho e de ascender profissionalmente”, ressalta Luana.

 
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Para a editora, existem diversas medidas que contribuem para o bem-estar dos colaboradores no ambiente de trabalho. São iniciativas como oferta de condições para conciliar carreira e maternidade, canais de denúncias, políticas de combate ao assédio moral e sexual, equiparação salarial e investimentos em capacitação de lideranças diversas.

 

Essas medidas servem igualmente para outros grupos minoritários em ambientes corporativos. “A equidade é sobre estabelecer claramente políticas institucionais que acolham as pessoas diferentes em toda a multiplicidade das suas diferenças. É garantir iguais oportunidades dentro dos processos institucionais que incluam canais de comunicação diretos nos casos de desconforto e de opressão”, reforça Graciela.  

 

Fonte: cominformações do Portal Meio mensagem

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