Os focos de queimada na Floresta Amazônica brasileira atingiram em agosto seus níveis mais altos desde 2010, segundo dados divulgados pelo governo.
Mídia da Alemanha destaca as piores queimadas dos últimos dez anos na Amazônia e as consequências da destruição ambiental, bem como os diferentes planos de Lula e Bolsonaro para a região.Spiegel Online – Piores queimadas em mais de dez anos na Amazônia brasileira (31/08)
Os focos de queimada na Floresta Amazônica brasileira atingiram em agosto seus níveis mais altos desde 2010, segundo dados divulgados pelo governo. O número recorde de incêndios em 2019, que causou consternação em todo o mundo logo após a posse do presidente Jair Bolsonaro, chegou a ser superado.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que analisou dados de satélite, registrou 31.513 focos de queimada na Amazônia até 30 de agosto, fazendo desse mês o pior agosto desde 2010, quando 45.018 focos de incêndio foram registrados. [...]
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O aumento do número de queimadas coincide com a campanha para as eleições de outubro. Os dois principais candidatos têm abordagens completamente diferentes quando se trata de preservação, uso e destruição da Floresta Amazônica.
O ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas, anunciou que pretende levar mais a sério a proteção da Amazônia e criar um ministério para assuntos indígenas. Ele criticou seu rival de direita, Jair Bolsonaro, por permitir que o desmatamento na Amazônia atingisse, durante seu mandato, o maior nível nos últimos 15 anos.
Especialistas acusam Bolsonaro de enfraquecer a proteção ambiental no Brasil, abrindo caminho para o desmatamento ilegal de áreas na Amazônia por madeireiros e agricultores.
A poucas semanas da eleição presidencial, Lula – que está à frente nas pesquisas – visitou Manaus. Na metrópole amazônica, o ex-presidente também dançou com mulheres indígenas, como foi exibido na TV Globo.
Em um encontro com líderes indígenas e de movimentos sociais, Lula afirmou que a diversidade da região deve ser pesquisada e explorada de forma adequada. O objetivo é criar prosperidade para os povos da região e benefícios para todas as pessoas do mundo.
No início de outubro, Lula desafiará o atual presidente Jair Bolsonaro e candidato à reeleição. Enquanto o ex-chefe de Estado se apresenta agora como um pioneiro da proteção ambiental, Bolsonaro vê a região amazônica, que tem grande importância para o clima do mundo, principalmente como uma área a ser explorada economicamente. Lula está claramente à frente nas pesquisas, e Bolsonaro lançou recentemente dúvidas sobre o sistema eleitoral.
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Há poucos dias, Bolsonaro fez campanha pelos votos de agricultores no maior rodeio da América Latina. Ele andou a cavalo na Festa do Peão de Barretos, fez um discurso sobre a importância da agroindústria e rezou.
Além dos evangélicos conservadores e do lobby das armas, fazendeiros poderosos no Brasil estão entre os mais importantes apoiadores de Bolsonaro. A ideologia do ex-militar é frequentemente descrita com as palavras "boi, Bíblia e bala".
A organização ambiental WWF Alemanha alertou para as graves consequências sobre a crescente destruição da Floresta Amazônica brasileira para os povos indígenas e o clima do mundo. "À medida que as árvores da Amazônia diminuem, a subsistência dos povos indígenas também desaparece", afirmou Roberto Maldonado, especialista do WWF, num comunicado. [...]

Fotos: Reprodução
As piores queimadas em quase cinco anos assolam a Amazônia brasileira. Em agosto, foram registrados 33.116 focos de incêndio na região, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que analisou dados de satélites. A última vez que houve mais queimadas no período de um mês foi em setembro de 2017. O mês de agosto registrou até mesmo os piores incêndios desde 2010.
Os povos indígenas são considerados os melhores "guardiões da floresta" na luta contra os danos ambientais e as mudanças climáticas. Apenas 1,6% do desmatamento registrado entre 1985 e 2020 ocorreu em terras indígenas, de acordo com o WWF. Cerca de 20% da floresta nativa já foi destruída. "Se perdermos a Amazônia, perderemos um dos maiores estoques de carbono do planeta", afirmou Maldonado.
A época de incêndios florestais no Brasil ocorre entre junho e outubro. As árvores geralmente são derrubadas e, depois, as áreas desmatadas são incendiadas para a criação de novas pastagens e terras agrícolas.
O tema também poderá desempenhar um papel na eleição presidencial. Jair Bolsonaro vê a região amazônica principalmente como potencial econômico. Por outro lado, seu adversário Lula prometeu fortalecer a proteção do ambiente e do clima. Atualmente, Lula está à frente nas pesquisas eleitorais.
Fonte: Revista Planeta
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