21 de Abril de 2026

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Política - 09/10/2023

O "cheque fantasma" que Flávio Bolsonaro usou em negócio suspeito

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Foto: Reprodução Google

Cheque foi usado para garantir compra de 12 salas comerciais no Rio, uma transação na qual o Ministério Público viu lavagem de dinheiro

Ao acusar o senador Flávio Bolsonaro em 2020 pelo esquema das rachadinhas, o Ministério Público do Rio de Janeiro listou algumas transações imobiliárias feitas por ele com dinheiro de origem suspeita – quase sempre os pagamentos eram feitos em espécie, cheques de terceiros ou por meio de boletos que nunca eram descontados da conta pessoal dele.

 

Uma dessas transações envolve a aquisição de um andar inteiro em um dos prédios comerciais mais cobiçados da Barra da Tijuca, na zona oeste carioca. O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro comprou, de uma só tacada, doze salas do edifício Barra Prime Offices ainda na fase de lançamento. O negócio foi feito em 2008.

 

Na denúncia, o MP apontou que, em cerca de um ano, o senador fez pagamentos relacionados à aquisição do imóvel que somaram R$ 297 mil. Nada, porém, saiu da conta dele. Foram R$ 86,5 mil em depósitos de dinheiro vivo, R$ 193,6 mil em boletos e R$ 16,8 mil em cheques. Ao todo, o negócio girou em torno de R$ 3 milhões.

 

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Mais adiante, Flávio Bolsonaro vendeu as salas que havia adquirido ainda na planta por um valor bem maior. Para os promotores, foi uma operação destinada a esquentar recursos obtidos de maneira ilícita. Lavagem de dinheiro, cravaram eles na ocasião.

 

O senador nunca deu maiores explicações sobre a compra das salas. À época da denúncia, ele se limitou a criticar o trabalho do Ministério Público, dizendo haver “vícios processuais, enganos e erros de cálculo” na peça de acusação, que depois acabaria arquivada – não por falta de evidências, mas porque as fartas provas foram anuladas por decisão do Superior Tribunal de Justiça, sob o argumento de que, em razão do foro privilegiado de Flávio Bolsonaro, a investigação não poderia ter corrido na primeira instância da Justiça do Rio.

 

 

Como a negociação das salas foi feita diretamente com os representantes da construtora, a aquisição milionária feita por Flávio Bolsonaro não constava de registros públicos. Quem fizesse uma pesquisa de cartório, por exemplo, jamais descobriria que era ele o dono das salas. Além disso, os pagamentos feitos em espécie e via boletos também contribuíam para que não houvesse rastros.

 

Ainda na fase inicial do negócio, porém, Flávio Bolsonaro deixou suas digitais bem expostas.

 

Flávio temia que o cheque, de R$ 200 mil e nominal ao empreendimento imobiliário, fosse descontado. Por isso, espertamente, não apôs sua assinatura normal no documento. No campo correspondente, aparece apenas o nome dele completo, em letra cursiva — se, eventualmente, alguém quisesse descontar os R$ 200 mil da conta, o banco provavelmente barraria a tentativa. Era, digamos, uma espécie de cheque fantasma.

 

Fotos: Reprodução

 

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O documento, assim como vários outros relacionados a transações suspeitas de Flávio que apontam para um azeitado esquema de lavagem de dinheiro, chegou a ser apreendido pelos investigadores durante uma das várias operações de busca realizadas ao longo da investigação das rachadinhas.

 

Fonte: com informações do Portal Metrópoles 

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