Crise envolvendo ex-sócia do secretário-adjunto derruba presidente da estatal e braço direito da pasta; prefeito busca conter desgaste político diante de evidências de favorecimento em eventos públicos
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, agiu de forma drástica na quarta-feira (25) ao demitir o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e o secretário-adjunto de Turismo, Luiz Philipe Baeta Neves. A decisão, que gerou um efeito dominó na administração municipal, foi motivada por denúncias graves envolvendo contratos milionários firmados pela estatal com uma empresa que pertence a uma ex-sócia de Baeta Neves.
O caso, revelado inicialmente por investigações jornalísticas, aponta para um suposto esquema de favorecimento na contratação de serviços para grandes eventos na capital paulista. A rapidez das demissões sinaliza uma tentativa do gabinete do prefeito de blindar a gestão contra acusações de corrupção e prevaricação, especialmente em um setor que movimenta bilhões de reais e é vitrine da cidade.
O pivô da crise: contratos que somam valores vultosos teriam sido direcionados a empresas com ligações diretas com o círculo pessoal e profissional de Luiz Philipe Baeta Neves; A queda da SPTuris: Gustavo Pires, considerado um nome técnico e de confiança, não resistiu à pressão após os questionamentos sobre a falta de fiscalização nos processos licitatórios e contratações diretas da estatal; Reação administrativa: a Prefeitura de São Paulo informou que abrirá sindicância interna para auditar todos os contratos firmados pela pasta nos últimos dois anos; Impacto político: A oposição na Câmara Municipal já articula a criação de uma CPI para investigar a fundo o “balcão de negócios” no Turismo paulistano.
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A anatomia da denúncia: conflito de interesses e milhões
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O cerne do escândalo reside na relação entre o agora ex-secretário-adjunto Baeta Neves e sua ex-sócia em empresas do ramo de eventos. A denúncia aponta que empresas ligadas a ela abocanharam contratos significativos com a SPTuris para a organização de eventos de grande porte, infraestrutura de palcos e logística.
O que chama a atenção dos órgãos de controle é o chamado “conflito de interesses”. Embora Baeta Neves tenha se desligado formalmente das sociedades ao assumir o cargo público, o fluxo de contratos milionários para sua rede de contatos anterior levantou o alerta da Controladoria Geral do Município (CGM). Para especialistas em Direito Público, a mera proximidade e a falta de mecanismos de compliance na SPTuris permitiram que o patrimônio público fosse utilizado para beneficiar parceiros privados recorrentes.
Gustavo Pires e a responsabilidade da SPTuris
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Fotos: ReproduçãoGoogle
Gustavo Pires, que comandava a SPTuris, é visto como a vítima institucional da proximidade de Baeta Neves com o operacional da estatal. No entanto, sua demissão fundamenta-se na omissão: como presidente, cabia a ele o crivo final sobre os gastos e a garantia de que a competitividade e a moralidade fossem respeitadas. O escândalo atinge o coração da estratégia de Nunes de transformar São Paulo na “Capital Mundial dos Eventos”, uma vez que a credibilidade das parcerias público-privadas fica severamente comprometida sob a sombra do favorecimento.
O xadrez político de Ricardo Nunes
Ao demitir os dois nomes de uma só vez, Nunes tenta estancar uma “sangria” que poderia alimentar o discurso de seus adversários políticos. No entanto, o estrago reputacional é profundo. A SPTuris, responsável pelo Carnaval, Grande Prêmio de F1 e centenas de feiras anuais, é um dos ativos mais sensíveis da prefeitura. A saída da cúpula deixa um vácuo de liderança em um momento em que a cidade planeja seu calendário de eventos para o segundo semestre de 2026.
Fonte: Com informações Revista IstoÉ
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