13 de Maio de 2026

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Geral - 23/10/2023

No Brasil, pessoas negras são mais vítimas de erro médico e acidentes em cirurgias, diz boletim

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Foto: Reprodução/Google

Dados analisados são do período de 2010 a 2021.Estudo foi divulgado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pelo Instituto Çarê.

Entre 2010 e 2021, pessoas negras foram mais vítimas de erros médicos devido a acidentes ou à negligência profissional no Brasil. Essa é a conclusão do Boletim Saúde da População Negra, projeto do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e do Instituto Çarê.

 

O estudo foi divulgado esta semana pelo IEPS e pelo Instituto Çarê, criado com o objetivo de produzir pesquisas e informações sobre a saúde da população negra. Os dados são exclusivos.

 

A pesquisa também revelou que as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste apresentam mais casos de internação de negros por incidentes, como cortes acidentais numa cirurgia, em comparação com brancos.Veja principais pontos sobre o tema:

 

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Quais foram os dados analisados pelo estudo?

 

 

O estudo levantou que, entre 2010 e 2021, foram registradas 66.496 internações por causa de "eventos adversos", que podem ser cortes acidentais, perfurações, limpeza (assepsia) insuficiente de uma ferida, objetos estranhos deixados no corpo do paciente durante procedimentos médicos, erros de dosagem, administração de substâncias contaminadas e outros. Pela média, foram 15 casos por dia.

 

Quais foram as principais conclusões do estudo?

 

 

Em todas as regiões do país, menos no Sul, as taxas de internação devido a incidentes por causa de "eventos adversos" são mais elevadas entre a população negra.Na média calculada de 2012 a 2021, no Norte e no Nordeste, as pessoas negras têm seis vezes mais chances de serem internadas por omissão médica em comparação com as brancas.

 

No Centro-Oeste, a probabilidade é três vezes maior. E, no Sudeste, as pessoas negras têm uma chance 65% mais elevada de serem hospitalizadas por conta de eventos adversos.A análise comparou apenas negros e brancos pois a incidência de casos documentados de amarelos e indígenas foi baixa.

 

Na região Sul, a tendência se inverte. Pessoas brancas apresentam uma probabilidade 38% maior de serem internadas por acidentes médicos em comparação com a população negra.

 

Como os erros médicos e acidentes ocorrem?

 

 

 

De acordo com o boletim, os erros médicos pode ocorrer em casos de negligência do médico, ação precipitada, imprudência do profissional e até desconhecimento teórico ou prático.

 

O instituto afirma que esses erros médicos são relacionados à deficiência no sistema organizacional e na execução dos serviços e que analisá-los é uma chance para aprimorar a qualidade do atendimento.O estudo reconhece, porém, que "mesmo entre profissionais altamente conscientes, equívocos são inevitáveis devido à natureza humana".

 

Qual o perfil dos pacientes?

 

 

 

Dos 66.496 pacientes catalogados:

 

26.779 são brancos;
21.977 são negros;
792 são amarelos;
35 indígenas; e
16.913 sem informação.

 

Entre os negros que agrega pretos e pardos, 19.301 são pardos e 2.676 são pretos. Apesar da pequena diferença, as taxas dos acidentes com mulheres brancas superam as relativas às negras."Já para o caso dos homens, elas são um pouco maiores. Os homens negros têm apresentado as maiores taxas de acidentes e incidentes adversos, de maneira estável, desde 2016", aponta o texto.

 

Há soluções?

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O documento diz que historicamente a população negra "sofre sobreposições de vulnerabilidades" pois "enfrenta mais barreiras no acesso à saúde e, inclusive, maiores níveis de discriminação racial no atendimento nos serviços de assistência médica". Para o instituto, as desigualdades no tratamento médico mostram a "importância de políticas específicas".

 
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O estudo cita a necessidade de aplicação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), para melhorar o acesso aos serviços de saúde à população como um todo.

 

"A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) (Brasil 2009), por exemplo, oferece diretrizes valiosas para abordar as disparidades, incluindo a promoção do acesso equitativo a serviços de saúde, o combate ao racismo estrutural e a participação ativa das comunidades afetadas no desenvolvimento de políticas de saúde", diz o artigo. 

 

Fonte: com informações do Portal G1

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