06 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 31/10/2024

No Brasil, mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas que colegas homens no Twitter

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Foto: Reprodução/Google

A ofensa chegou à sua caixa de mensagens privadas em um dos seus perfis profissionais nas redes sociais.

“Puta. Vai abrir a perna e dar pro Lula”. Essa foi a primeira mensagem que Eliane Cantanhêde, jornalista, colunista do Estadão e comentarista do Globonews Em Pauta, da rádio Eldorado (SP) e da rádio Jornal (PE).

 

A ofensa chegou à sua caixa de mensagens privadas em um dos seus perfis profissionais nas redes sociais. Essa, infelizmente, não é a única frase ofensiva que ela recebe em suas redes. Algumas ficam públicas nos comentários de suas postagens, documentando a misoginia e violência contra mulheres jornalistas para quem quiser ver.

 

Eliane lidera um ranking de ataques a profissionais de imprensa. As mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas em seus perfis no Twitter, se comparado aos colegas homens. Esse foi um dos achados preocupantes de uma investigação de dados feita pela Revista AzMina e pelo InternetLab, junto ao Volt Data Lab e ao INCT.DD, com apoio do International Center for Journalists (ICFJ). A crescente onda de ataques à imprensa brasileira aparece também em relatórios da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Seja no ambiente offline ou online, a violência tem o gênero feminino como principal alvo.

 

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No levantamento realizado no Twitter, constatou-se que os usuários que disparam ataques contra jornalistas tentam deslegitimar a capacidade intelectual feminina para o exercício da profissão e silenciar a imprensa, apontam aspectos físicos das profissionais para desviar a atenção das pautas abordadas e disseminam informações falsas sobre elas.

 

Foram monitorados 200 perfis de jornalistas brasileiros na rede social. A partir de um dicionário composto de palavras ofensivas, misóginas, sexistas, racistas, lesbo, trans e homofóbicas, coletamos 7,1 milhões de tuítes com conteúdo ofensivo em 133 perfis de mulheres jornalistas e 67 homens. Em uma análise mais minuciosa, que considerou o período entre 1 de maio e 27 de setembro, o monitoramento chegou a um grupo de pouco mais de 8,3 mil tuítes, com cinco ou mais ações de engajamento (RT e/ou curtidas). Eles foram verificados um a um para identificar se o conteúdo era ou não um ataque direto ao jornalista.

 

 

 

Profissionais que trabalham com cobertura política estão mais expostos aos ataques massivos. Mas, enquanto 8% dos tuítes ofensivos direcionados para os jornalistas homens eram de fato hostis, 17% dos direcionados às jornalistas mulheres eram ataques. Entre os termos mais usados contra elas estão “ridícula”, “canalha”, “louca”, “mulherzinha”. A maioria das agressões também sugerem que as mulheres são incapazes de interpretar um texto ou cenário político.No caso dos homens, a incidência de ataques diretos é menor e, muitas vezes, as ofensas se misturam com ataques a outras mulheres ou à imprensa no geral. Várias mensagens direcionadas aos homens também continham comentários misóginos ofendendo outras figuras femininas relacionadas a eles, como mãe, irmã e colegas de profissão.

 

De acordo com a antropóloga Fernanda K. Martins, uma das coordenadoras da pesquisa no InternetLab, “a misoginia se sustenta e se espraia socialmente a partir de movimentos que colocam as mulheres como alvo mesmo quando o objetivo é atingir um homem. Os ataques direcionados às colegas e às familiares mulheres apontam para um comportamento social que coloca o gênero feminino como naturalmente atacável, naturalmente suscetível a discursos que inferiorizam e menosprezam as mulheres”.

 

 

 

O que se vê em comum em ambos são expressões que tentam posicionar os profissionais em espectros políticos, chamando-os de “comunista” ou de “jornazistas”, além dos que afirmam que os jornalistas são, de alguma maneira, “parciais” em suas coberturas.No topo do ranking das jornalistas mais ofendidas estão Eliane Cantanhêde; Vera Magalhães, apresentadora do programa Roda Viva, colunista no jornal O Globo e comentarista na rádio CBN; Daniela Lima, apresentadora da CNN; e Miriam Leitão, jornalista de O Globo, TV Globo, Globonews e CBN.

 

Elas compartilham a opinião de que os ataques são ainda mais virulentos quando iniciados ou instigados por figuras políticas, como o presidente Jair Bolsonaro. AzMina já mostrou em seu canal no YouTube porque as agressões de Bolsonaro a jornalistas mulheres são um problema.Eliane lembra que os ataques nominais a jornalistas começaram na época do PT na presidência, por apoiadores do partido. Ela também recorda que já foi muito atacada pelo PSDB. Um mesmo artigo desagradava os dois lados. “Mas o Bolsonaro não só usou essa tática, como passou a descredibilizar nominalmente jornalistas, o que inflama os apoiadores”, avaliou.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Para Vera, os ataques são estratégicos. “Eu entendo que eles são propositalmente misóginos, machistas, exatamente como uma forma de tirar a credibilidade de mulheres jornalistas”. Ela acredita que seu caso é agravado pelo fato de ter feito muitas críticas ao PT, “e faço contra o governo Bolsonaro”. Mas hoje a coordenação das ofensas, diz Vera, parte do presidente, de sua família e seus ministros. “Isso não havia nos governos anteriores. É violento e orquestrado”.

 

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A jornalista Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha de S.Paulo, roteirista e apresentadora do canal MyNews, conta que enfrentar a hostilidade para exercer a profissão infelizmente já faz parte da sua rotina. O problema, na opinião dela, é que agora os ataques estão mais organizados e massivos. “Quando um tuíte parte da própria presidência, ou dos parlamentares da base governista, já sei que vai ter uma enxurrada de ofensas”. E, muitas vezes, além de ofensivas, as mensagens são intimidatórias. 

 

Fonte: com informações Portal Moody

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