Declaração ocorre em meio a pressão internacional por cessar-fogo na região
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta quinta-feira, 9, que instruiu seu gabinete a iniciar “negociações diretas” com o Líbano “sem demora”, principalmente em relação ao desarmamento do movimento islamista pró-Irã Hezbollah.
“Após os repetidos pedidos do Líbano para iniciar negociações diretas com Israel, instruí o gabinete ontem [quarta-feira] a iniciar negociações diretas com o Líbano sem demora”, disse Netanyahu, segundo informações de seu gabinete. “As negociações abordarão o desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas entre Israel e o Líbano”, acrescentou. A declaração de Netanyahu chega em um momento em que os ataques de Israel ao Líbano fragilizam o cessar-fogo entre EUA e Irã e preocupam a comunidade internacional.
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O que aconteceu

O Líbano enfrentou os piores bombardeios de Israel desde o início de sua ofensiva em 2 de março, enquanto o Hezbollah retomou seus ataques contra Israel, após acusar o país de ter violado a trégua temporária. A última onda massiva de ataques israelenses no Líbano matou mais de 200 pessoas, segundo autoridades do país. “As ações israelenses estão colocando o cessar-fogo entre EUA e Irã sob forte pressão. A trégua com o Irã deve se estender ao Líbano”, disse a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, condenou os ataques como “inaceitáveis”, enquanto sua homóloga britânica, Yvette Cooper, pediu que o cessar-fogo inclua o Líbano.
O gabinete do primeiro-ministro libanês disse que quinta-feira seria “um dia nacional de luto pelos mártires e feridos dos ataques israelenses que alvejaram centenas de civis inocentes e indefesos”. A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, também pediu que o Líbano seja incluído no cessar-fogo pactuado entre Estados Unidos e Irã, sob o risco de desestabilização de toda a região do Oriente Médio. “A escalada que vimos ontem por parte de Israel foi, na minha opinião, profundamente prejudicial, e queremos que as hostilidades no Líbano cessem”, acrescentou Cooper em declarações à emissora Radio Times, depois que EUA e Irã alcançaram uma trégua de duas semanas para frear a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
A titular da diplomacia britânica ressaltou, além disso, a ameaça representada pelo Hezbollah, aliado do Irã, afirmando que “é fundamental que os governos israelense e libanês colaborem para enfrentar esta ameaça”. “Mas não queremos uma escalada. Queremos que o cessar-fogo e o fim das hostilidades também incluam o Líbano”, insistiu. Após o acordo de cessar-fogo alcançado por Irã e EUA, ambos os países esperam retomar as negociações no Paquistão para trabalhar sobre um plano de dez pontos apresentado por Teerã que inclui, entre outros itens, o controle iraniano de Ormuz.
Minas ameaçam passagem no Estreito de Ormuz

Fotos: Reprodução/Google
A Guarda Revolucionária do Irã (CGRI) compartilhou nesta quinta-feira um mapa com rotas alternativas para o trânsito no Estreito de Ormuz, um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar o plano de dez pontos apresentado por Teerã e dar início a um cessar-fogo de duas semanas entre os países. Devido à guerra, que começou em 28 de fevereiro, e “diante da presença de diversos tipos de minas antinavio” na zona, a agência de notícias “Tasnim”, vinculada ao corpo de elite das Forças Armadas iranianas, indicou que as embarcações que transitarem pelo estreito “deverão coordenar-se com a CGRI e, até novo aviso, utilizar as rotas alternativas para o trânsito” por esta estratégica via.
Segundo a imprensa iraniana, será estabelecida uma rota de entrada e outra de saída: a primeira irá do mar de Omã em direção ao norte, até a ilha de Larak, e dali ao Golfo Pérsico, enquanto a segunda seguirá o trajeto inverso, ambas conforme o mapa que a “Tasnim” compartilhou no Telegram. Após registrar quedas drásticas de tráfego de até 97% após o início da guerra, o movimento no Estreito de Ormuz começou a ser retomado com cautela na quarta-feira, depois de EUA e Irã estabelecerem uma trégua de duas semanas que permitirá a “passagem segura” pela via.
No entanto, na própria quarta-feira, Teerã anunciou uma interrupção da navegação de navios petroleiros como resposta aos massivos bombardeios surpresa que Israel lançou contra o Líbano, informação que foi negada pela Casa Branca. Horas antes do acordo, Teerã assegurou que seu plano estipula um “protocolo de segurança” para garantir o “controle” iraniano desta passagem estratégica, por onde, antes da guerra, circulava cerca de 20% das energias fósseis mundiais.
A reabertura de Ormuz tem sido uma demanda da comunidade internacional e, especialmente, de Trump, que ameaçou reiteradamente atacar e “arrasar” as centrais elétricas e as pontes do Irã caso o estreito não fosse reaberto. O presidente americano chegou inclusive a afirmar que todo o país poderia ser “aniquilado em uma única noite” e que voltaria à “Idade da Pedra”.
Fonte: com informações IstoÉ
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