Estudos mostram que 50% dos negócios de impacto social são liderados por mulheres, superando a média de 20% no empreendedorismo tradicional
Em uma reunião recente com um parceiro de uma grande empresa, um slide chamou minha atenção. Era o organograma da liderança da organização, com cerca de 12 posições de alta gestão. Todas ocupadas por homens. Aquela imagem ficou comigo. Ela ilustra algo que ainda é bastante comum no ambiente corporativo: apesar dos avanços no debate sobre igualdade de gênero, as mulheres continuam sendo minoria em muitas posições de liderança empresarial.
Ao longo da minha trajetória como empreendedora social, participo com frequência de reuniões com executivos, investidores e lideranças de grandes empresas. E essa composição ainda aparece com frequência nas salas de decisão. Mas um movimento interessante começa a surgir em outro campo da economia: o dos negócios de impacto.
Dados de um relatório sobre Economia de Impacto do Fórum Econômico Mundial indicam que os negócios sociais já representam um segmento econômico relevante em escala global. Estima-se que existam cerca de 10 milhões de negócios sociais no mundo, responsáveis por aproximadamente US$ 2 trilhões em receita anual e pela geração de quase 200 milhões de empregos. Em termos econômicos, o setor já responde por cerca de 2% do PIB global, superando inclusive algumas indústrias tradicionais, como a indústria da moda.
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E o mais interessante é observar quem está liderando esse movimento. Segundo o mesmo relatório, cerca de 50% dos negócios sociais no mundo são liderados por mulheres. No empreendedorismo tradicional, essa proporção fica próxima de 20%. A diferença chama atenção e indica que modelos de negócio orientados a propósito estão criando condições mais favoráveis para trajetórias de liderança feminina.
Na prática, o que vemos em muitos desses empreendimentos é que o impacto não aparece apenas como finalidade do negócio, mas também influencia a forma como essas organizações são estruturadas e lideradas. Muitas dessas organizações nascem com modelos de governança mais horizontais, maior diversidade nas lideranças e uma preocupação explícita com as dimensões sociais das decisões empresariais.
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Por isso, não parece coincidência o fato de muitas dessas iniciativas atuarem em áreas diretamente ligadas aos grandes desafios sociais contemporâneos, como saúde, educação, inclusão econômica, clima e desenvolvimento comunitário. No Brasil, iniciativas como a SAS Brasil ajudam a ilustrar esse movimento.
Criada e liderada por mulheres, a organização desenvolve modelos que integram tecnologia, voluntariado especializado e atuação em regiões com acesso limitado a serviços de saúde. A proposta é ampliar o acesso ao atendimento médico especializado em diferentes partes do país. Hoje, as mulheres representam cerca de 73% da equipe da organização, distribuída em diferentes regiões do Brasil. Somos lideranças femininas defendendo pautas como o fortalecimento da saúde da mulher e mostrando, na prática, como impacto e liderança caminham juntos.
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Fotos: Getty Images
Apesar do crescimento e do potencial de transformação, o setor ainda enfrenta desafios estruturais importantes. O relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que muitos negócios sociais lidam com dificuldades de acesso a financiamento, ausência de incentivos regulatórios e baixa visibilidade. Superar esses desafios é decisivo para fortalecer a economia de impacto e permitir que mais iniciativas lideradas por mulheres cresçam e ganhem escala.
Se os negócios de impacto mostram hoje um caminho possível para ampliar a liderança feminina, talvez isso diga algo importante sobre o futuro da própria economia: organizações que buscam resolver problemas sociais tendem também a construir formas mais diversas e inclusivas de liderança. E isso pode ser parte essencial das soluções que o mundo precisa.
Fonte: com informações da Revista Mariana Kotscho
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