11 de Maio de 2026

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Ciência e Tecnologia - 11/04/2024

Musk x Moraes: mercado estratégico, Brasil está entre os países com mais usuários do X, que teria prejuízo com bloqueio

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Foto: Reprodução Google

Empresário chegou a abordar a possibilidade de fechar o escritório nacional da rede em meio a ataques ao ministro do STF

Além de impactar milhões de usuários, uma eventual saída ou suspensão de atividades da plataforma X (antigo Twitter) no Brasil não seria um bom negócio para a companhia de Elon Musk, avaliam especialistas. O empresário chegou a abordar a possibilidade de fechar o escritório do X no país e que provavelmente perderia receitas, em meio aos ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A big tech também enfrenta risco de bloqueio, caso decida desobedecer decisões judiciais da Corte — determinações do gênero já foram direcionadas ao Telegram no passado.

 

O Brasil tem hoje o sexto maior número de perfis da rede social de Musk, segundo estimativa da empresa de pesquisas DataReportal. Em janeiro, os usuários brasileiros somavam 22,1 milhões, o que representa 6% das contas na plataforma.

 

Para além da base de usuários atuais da empresa, em queda em diversos países, o Brasil é um mercado estratégico para o setor pelo seu alto engajamento com plataformas digitais. Professor da FGV Direito Rio e pesquisador de seu Centro de Tecnologia e Sociedade, Filipe Medon explica que o possível bloqueio da ferramenta impactaria negativamente as receitas do X, uma vez que o Brasil é líder na América Latina no consumo de redes sociais, com média superior a nove horas diárias na internet.

 

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Ocorreria uma clara perda financeira com anúncios publicitários, mas também implicaria uma desvantagem competitiva, já que outras plataformas voltadas para o mesmo escopo de atuação do X acabariam se valendo desse espaço deixado e poderiam se consolidar no mercado — analisa Medon. A plataforma é a sexta mais popular nos smartphones dos brasileiros. Seu aplicativo está em 29% dos celulares, segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, divulgada em dezembro. Aparecem à frente do X, por exemplo, Instagram (91%), Facebook (81%) e TikTok (41%).

 

No entanto, apesar de não estar no topo do ranking de preferência dos brasileiros entre as principais redes, o X costuma direcionar o debate público pela presença de jornalistas, políticos, acadêmicos e influenciadores digitais na rede, o que ajuda a dimensionar o impacto político e simbólico de um eventual encerramento de suas atividades no país. A plataforma costuma ter o papel de agendar discussões nas outras redes e já foi incorporada na comunicação de lideranças em todo o mundo.

 

 

Antropólogo da tecnologia e professor da Universidade da Virgínia, David Nemer avalia que o X é hoje uma plataforma não só de comunicação, mas também de pesquisa. Por outro lado, mudanças implementadas na rede, sob gestão de Elon Musk, como a redução da moderação de conteúdos, afastaram, recentemente, usuários no Brasil e no mundo.

 

 O X está longe de ser uma das plataformas favoritas dos brasileiros e está perdendo usuários ativos no mundo. A plataforma está muito diferente do Twitter original que atraiu os brasileiros. Sua saída seria menos ruim do que se o Twitter original saísse do país anos atrás — afirma Nemer.

 

No primeiro ano como proprietário, Musk reformulou a empresa e a plataforma. Mais de 80% dos 7.500 funcionários pediram demissão ou foram demitidos nesse período. Além disso, o bilionário mudou o processo de verificação do serviço, assim como as regras de moderação de conteúdo. O X passou a ser alvo de questionamentos também em outros países. Em dezembro, a União Europeia abriu investigação contra a rede por suspeita de violação das normas do bloco sobre desinformação e conteúdo ilegal.

 

Fotos: Reprodução Google

 

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O impacto financeiro já é percebido. Em dezembro, o X distribuiu concessões de ações aos funcionários, afirmando que a empresa valia cerca de US$ 19 bilhões — valor 55% menor na comparação com os US$ 44 bilhões que Musk pagou pela empresa um ano antes, segundo o jornal “The New York Times”.

 

Fonte: com informações do Portal O Globo 

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