07 de Maio de 2026

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Geral - 22/07/2024

Museu dos Povos Indígenas é um ato de resistência, diz diretora

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Fernanda Kaingáng trabalha para reabrir espaço para o público

A advogada Fernanda Kaingáng, a primeira indígena a concluir o mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e doutora em patrimônio cultural e propriedade intelectual pela Universidade de Leiden, na Holanda, assumiu a direção do Museu Nacional dos Povos Indígenas em dezembro do ano passado. Sua principal missão é reabrir à visitação o edifício localizado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, fechado ao público há quase oito anos.

 

Fernanda Kaingáng vê sua gestão como um passo crucial para descolonizar mentes e corações, contribuindo para o fim do genocídio histórico dos povos indígenas. "Há muitas pessoas que dizem que os povos indígenas foram invisibilizados. Este termo não me agrada, porque permite que se alegue desconhecimento. Mas, na verdade, houve dolo. Não é invisibilidade. É negação. Negação de direitos", afirma.

 

Criado em 1953 pelo antropólogo Darcy Ribeiro, o Museu Nacional dos Povos Indígenas, vinculado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), desempenha um papel vital na preservação e divulgação do patrimônio cultural dos povos indígenas no Brasil. Embora ainda seja oficialmente conhecido como Museu do Índio, uma mudança de nome está iminente para refletir a diversidade desses povos.

 

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Fernanda destaca que o museu, desde sua criação, combate o racismo e promove a educação como ferramenta de empoderamento social. Ela acredita que Darcy Ribeiro estaria orgulhoso de ver uma indígena à frente do museu e de testemunhar a inclusão promovida pelas cotas na UnB, onde ela mesma concluiu seu mestrado.

 

Embora a reabertura completa do museu ainda não tenha previsão, os jardins foram abertos ao público em janeiro deste ano, e o acervo vem sendo incrementado. Pela primeira vez, o Brasil repatriou centenas de itens etnográficos produzidos por indígenas brasileiros, anteriormente em posse do Museu de História Natural, Industrial, Comercial e Etnográfica de Lille, na França. Essa coleção, com cerca de 600 peças, se junta a um significativo conjunto de bens culturais de natureza arquivística, museológica e bibliográfica.

 

Outro destaque recente foi a chegada de um manto do povo Tupinambá, repatriado da Dinamarca. No entanto, a forma como a devolução foi conduzida gerou revolta entre os tupinambás, que não puderam recepcionar a peça com um rito tradicional. Para Fernanda, as repatriações são "parte de um universo maior que é reparação cultural", e ela defende que essas peças retornem aos territórios de origem. “Nossa cultura brota da terra”, declara.

 

Em uma entrevista à Agência Brasil, Fernanda discutiu o processo burocrático necessário para a reabertura completa do museu, que inclui a elaboração de um plano diretor e uma reforma estimada em R$ 10 milhões. Ela também falou sobre a importância de fortalecer as mobilizações de resistência e promover políticas públicas de cultura para povos indígenas.

 

Foto: Reprodução/Google

 

A advogada critica museus tradicionais que exibem coleções etnográficas pilhadas e apresentadas como símbolos de culturas passadas ou exóticas. Para ela, o Museu Nacional dos Povos Indígenas é um símbolo de resistência e demarcação de território, onde 274 línguas vivas são celebradas e respeitadas.

 

Fernanda também abordou as reivindicações dos tupinambás em relação ao retorno do manto e defendeu que os povos indígenas devem ter voz no processo de tomada de decisão sobre a conservação de seus bens culturais. Ela enfatiza que a repatriação é parte de uma reparação cultural maior, que inclui o fortalecimento de centros de memória nos territórios indígenas.

 

Além disso, Fernanda destacou a importância de se pensar em protocolos comunitários para que os povos indígenas possam decidir como seu patrimônio cultural será gerido. Ela critica a tutela orfanológica praticada pelo Estado e defende o direito dos povos indígenas à autodeterminação.

 

Durante sua participação na série de rodas de conversa "Encontros para o Amanhã", no Museu do Amanhã, Fernanda ressaltou a necessidade de descolonizar mentes e corações para um futuro sustentável. Ela alerta para o impacto da destruição ambiental e cultural nas próximas gerações e destaca o papel do museu na conscientização sobre a emergência climática.

 

Por fim, Fernanda abordou a situação da Aldeia Maracanã, um casarão histórico no bairro do Maracanã, no Rio de Janeiro, ocupado por 12 famílias indígenas desde 2006. Ela defende a preservação do local como um centro de memória e cultura, em vez de sua transformação em estacionamento. Para ela, a remoção dos indígenas do imóvel é inaceitável e exemplifica a continuidade do genocídio cultural.

 

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Com uma visão voltada para o futuro, Fernanda Kaingáng trabalha para que o Museu Nacional dos Povos Indígenas se torne um espaço de resistência, reflexão e troca, promovendo a descolonização e a valorização das culturas indígenas no Brasil.

 

Fonte: com informações da Agência Brasil

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