30 de Abril de 2026

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Meio Ambiente - 03/01/2026

Mundo pode perder 150 mil hectares de mangais até 2100 e bilhões em serviços ambientais essenciais

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Foto: Reprodução/Google

Sem ações coordenadas e imediatas, a perda desses ecossistemas poderá agravar ainda mais a crise climática e ampliar desigualdades sociais, especialmente em países costeiros em desenvolvimento.

Até o ano de 2100, o planeta poderá perder cerca de 150 mil hectares de mangais, um dos ecossistemas costeiros mais importantes do mundo, caso não haja uma redução urgente das emissões de gases de efeito estufa. A degradação desses ambientes poderá resultar em uma perda econômica estimada em 23 bilhões de euros por ano, referentes aos chamados serviços ecossistêmicos, como controle de inundações, proteção contra erosão costeira, manutenção dos estoques pesqueiros e sequestro de carbono.

 

O alerta consta em um estudo publicado na revista científica Environmental Research: Climate, assinado por pesquisadores dos Estados Unidos, México e Alemanha. Segundo o artigo, o aquecimento da superfície dos oceanos, impulsionado pelas mudanças climáticas, tem potencial para anular décadas de esforços de conservação e restauração dos mangais em escala global.

 

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Ásia concentra as maiores perdas

 

 

De acordo com os cientistas, a Ásia deverá concentrar cerca de dois terços das perdas globais previstas, reflexo da combinação entre alta dependência costeira, densidade populacional elevada e maior exposição ao aquecimento marinho. Regiões tropicais e subtropicais, onde os mangais se desenvolvem, estão entre as mais vulneráveis às alterações climáticas.

 

Por que os mangais são tão importantes?

 

 

Os mangais são ecossistemas únicos localizados na transição entre o ambiente marinho e terrestre. Formados por árvores altamente tolerantes à salinidade, possuem raízes aéreas complexas que criam verdadeiros labirintos naturais. Essas estruturas funcionam como berçários para inúmeras espécies marinhas, oferecendo abrigo contra predadores e garantindo a reprodução de peixes, crustáceos e moluscos essenciais para a pesca artesanal e comercial.

 

Além disso, os mangais são considerados sumidouros de carbono extremamente eficientes. Estudos indicam que eles podem absorver até dez vezes mais carbono do que muitas florestas tropicais, com capacidade de armazenar cerca de mil toneladas de carbono por hectare, especialmente no solo, onde o carbono permanece retido por séculos.

 

O impacto econômico da destruição

 

 

 

A perda dos mangais não representa apenas um problema ambiental, mas também social e econômico. Esses ecossistemas atuam como barreiras naturais contra tempestades, ciclones e elevação do nível do mar, protegendo comunidades costeiras vulneráveis. Sua degradação aumenta os custos com infraestrutura, reassentamento populacional e resposta a desastres climáticos.

 

O que diz a ciência

 

 

A pesquisa analisou imagens de satélite da cobertura global de mangais entre 1996 e 2020, cruzando esses dados com informações sobre temperatura da superfície oceânica e indicadores econômicos globais. Os resultados mostram que, embora haja sinais de redução do desmatamento e aumento dos esforços de conservação, esses avanços podem ser totalmente neutralizados em um cenário de altas emissões de carbono.

 

A climatologista Katharine Ricke, da Instituição Oceanográfica Scripps, da Universidade da Califórnia em San Diego, e coautora do estudo, destaca que atualmente “as forças socioeconômicas e políticas ainda são capazes de compensar parte dos danos climáticos aos mangais, resultando mais em estabilidade do que em declínio”. No entanto, ela alerta que esse equilíbrio é frágil. “Isso não se sustentará sem reduções significativas nas emissões globais de gases de efeito estufa”, afirma Ricke. “Precisamos continuar protegendo os mangais, porque eles nos ajudam tanto a combater as mudanças climáticas quanto a nos adaptarmos aos seus impactos.”

 

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Um alerta para políticas públicas globais

 

Fotos: Reprodução/Google 

 

O estudo reforça que a proteção dos mangais deve ser integrada às estratégias climáticas globais, incluindo metas de neutralidade de carbono, financiamento climático e políticas de adaptação costeira. Sem ações coordenadas e imediatas, a perda desses ecossistemas poderá agravar ainda mais a crise climática e ampliar desigualdades sociais, especialmente em países costeiros em desenvolvimento.

 

Fontes: Environmental Research: Climate (IOP Publishing)
https://iopscience.iop.org/journal/2752-5295
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)
https://www.ipcc.ch
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP)
https://www.unep.org
 

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