Com dois cortejos simultâneos, nação azulada reuniu milhares de torcedores, celebrou tradições familiares e transformou a cidade em uma prévia do Festival de Parintins 2026
A menos de uma semana do início do 59º Festival Folclórico de Parintins, milhares de torcedores do Boi Caprichoso transformaram as ruas da cidade em um grande corredor azul e branco durante o tradicional Boi de Rua, realizado na noite de sábado (20/06). Com dois pontos de concentração simultâneos, o evento reuniu itens oficiais, artistas, marujada, visitantes e a nação azulada em uma das manifestações mais simbólicas da temporada bovina.
Entre bandeiras, leques, triciclos ornamentados e toadas que marcaram gerações, o boi da estrela na testa mobilizou bairros inteiros e levou uma multidão para as ruas em uma prévia do espetáculo que será apresentado no Bumbódromo nos dias 26, 27 e 28 de junho.
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Duas frentes, uma só nação azulada
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A movimentação começou ainda no início da noite, quando milhares de torcedores passaram a ocupar os dois pontos de concentração definidos pela organização: o Canto da Porrada, no bairro Palmares, e a Rua Sá Peixoto. Nos dois locais, brincantes cantavam toadas, agitavam bandeiras e aguardavam a saída dos trios que conduziriam os cortejos pelas ruas da cidade.
Segundo o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, o Boi de Rua representa um dos momentos mais importantes da temporada bovina por reunir torcedores locais e visitantes em uma grande celebração coletiva.
Retomada das raízes no Palmares
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Pelo segundo ano consecutivo, o Canto da Porrada voltou a figurar como um dos principais pontos de partida do Boi de Rua. O local, considerado histórico para a torcida azulada, reforça a ligação do Caprichoso com bairros tradicionais que ajudaram a construir a trajetória do bumbá ao longo das décadas.
Para o compositor e diretor musical Adriano Aguiar, morador do Palmares, a retomada representa um resgate das origens do boi e uma oportunidade de transmitir essa história às novas gerações. Segundo ele, o retorno do protagonismo de comunidades historicamente ligadas ao Caprichoso fortalece ainda mais a identidade azulada.
Histórias que acompanham a passagem do boi
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Ao longo do percurso, o Boi de Rua também foi marcado por histórias que ajudam a explicar a dimensão cultural do Festival de Parintins. No bairro Palmares, uma residência chamou a atenção pela fachada dividida entre as cores azul e vermelha. De um lado, a bandeira do Caprichoso; do outro, a do Garantido.
A casa pertence à família de Joelma Carvalho e Marco Antônio, que transformou a rivalidade dos bois em uma tradição familiar. Enquanto ela e a filha defendem o Garantido, Marco Antônio adotou o Caprichoso desde que conheceu a festa, criando uma convivência que simboliza uma das características mais marcantes do festival: a rivalidade intensa, mas também respeitosa.
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A poucos metros dali, outra tradição familiar também chamava atenção dos brincantes. Criado há mais de duas décadas como uma brincadeira de quintal, o boi-bumbá Furioso voltou a ocupar as ruas durante a passagem do cortejo. Mantido por gerações da mesma família, o pequeno boi é visto pelos moradores como uma forma de preservar a cultura popular e incentivar crianças e jovens a manter viva a tradição dos bois de pano que marcaram a infância de muitos parintinenses.
Triciclos entram na festa
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Entre os diversos elementos que coloriram o percurso, os triciclos, conhecidos popularmente como tuc-tucs, também se destacaram. Ornamentados com bandeiras, iluminação especial, adesivos e referências ao universo bovino, os veículos se transformaram em uma atração à parte durante o evento.
Para muitas famílias, a preparação dos triciclos já se tornou uma tradição da temporada bovina. Os preparativos começam semanas antes do Boi de Rua e envolvem desde a produção de camisas personalizadas até a escolha dos elementos decorativos que acompanharão o cortejo.
Encontro das torcidas transforma avenida Amazonas em mar azul
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Fotos: Junio Matos/A CRÍTICA
O ponto alto da noite aconteceu quando os cortejos que partiram da Rua Sá Peixoto e do Canto da Porrada se encontraram na avenida Amazonas. As duas frentes da programação se uniram em um único percurso, formando uma multidão azulada que tomou conta da principal via da cidade. No momento do encontro, as torcidas celebraram juntas ao som da toada "Pode Avisar", em uma das cenas mais marcantes da noite.
Comandado por Patrick Araújo, um dos trios carregava os itens Caetano Medeiros, Marciele Albuquerque, Marcela Marialva e Valentina Cid, que conduziam uma bandeira do Brasil na cor azul. Ao longo do trajeto, o público acompanhou sucessos consagrados do repertório caprichoso, como "Os Pescadores", além de toadas mais recentes, como "Leveza de Sinhá", formando um verdadeiro mar de leques em movimento.
Para o dentista militar Andersson Mafra, a decisão de dividir a programação em dois pontos fortaleceu ainda mais a presença do Caprichoso nos bairros da cidade. Segundo ele, a iniciativa permitiu ampliar a participação popular e reafirmar o caráter plural do boi.
Rumo ao Bumbódromo
Embalada pelas toadas que marcaram diferentes gerações do boi da estrela na testa, a nação azulada seguiu em direção ao Bumbódromo, mantendo o clima de celebração que tomou conta de Parintins ao longo da noite.
Fonte: com informações acrítica
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