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Mulher na Política - 16/07/2025

Mulheres no poder: as escolhas de Lula que estão redesenhando o Judiciário Brasileiro

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Foto: Reprodução/Internet

O presidente Lula nomeou Maria Marluce Caldas para o STJ e Estela Aranha para o TSE, além de reconduzir Floriano de Azevedo Marques na Corte Eleitoral. As escolhas equilibram diversidade ? com forte presença feminina ? e articulações políticas junto ao ST

No dia 10 de julho de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou duas indicações que reiteram o compromisso de seu governo com a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão do Judiciário brasileiro. As nomeações de Maria Marluce Caldas Bezerra para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de Estela Aranha para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcam um movimento estratégico que alia técnica, representatividade e articulação política.

 

Maria Marluce Caldas Bezerra, procuradora do Ministério Público de Alagoas, foi escolhida para ocupar a cadeira deixada pela ministra Laurita Vaz no STJ. Com mais de três décadas de experiência no Ministério Público, Marluce ingressou na carreira em 1986 e foi promovida a procuradora de justiça em 2021. Seu nome já constava na lista tríplice encaminhada ao presidente em outubro de 2024, elaborada pelo próprio STJ, o que demonstra reconhecimento interno de sua qualificação técnica.

 

Apesar da respeitada trajetória, sua indicação também levantou discussões sobre o peso das articulações políticas locais. Marluce é tia do atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), filiado ao Partido Liberal (PL), o que gerou interpretações de aproximação entre o governo federal e lideranças regionais estratégicas, especialmente do Nordeste.

 

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Já Estela Aranha, advogada e especialista em direito digital, teve sua nomeação para o TSE a partir de uma lista tríplice exclusivamente feminina — uma decisão inédita do Supremo Tribunal Federal (STF) que sinaliza a abertura de caminhos para maior diversidade nos tribunais superiores. Estela tem uma sólida trajetória no campo da regulação tecnológica e proteção de dados. Atuou como assessora da ministra Cármen Lúcia no próprio TSE e foi secretária nacional de Direitos Digitais no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em 2023.

 

 

 

Sua escolha foi amplamente elogiada por entidades jurídicas como a OAB Nacional, que ressaltou sua experiência em temas contemporâneos e sensíveis como inteligência artificial, segurança cibernética e liberdade de expressão online — temas cada vez mais presentes nas disputas eleitorais e no debate público nacional.

 

 

 Maria Marluce Caldas Bezerra, procuradora do Ministério Público de Alagoas,

foi escolhida para ocupar a cadeira deixada pela ministra Laurita Vaz no STJ

 

As indicações não são apenas simbólicas. Representam um esforço consciente da gestão Lula em equilibrar a composição dos tribunais superiores, historicamente dominados por homens brancos. Das quatro últimas indicações feitas por Lula a tribunais superiores, duas foram destinadas a mulheres — Estela e Marluce —, um avanço ainda tímido, considerando que outras nove nomeações recentes contemplaram homens. Ainda assim, o gesto sinaliza uma transição paulatina, mas importante.

 

 

 

Essa movimentação também dialoga com as pautas centrais do governo federal. Desde o início de seu terceiro mandato, Lula tem adotado medidas voltadas à equidade de gênero, como a política de distribuição gratuita de absorventes para combater a pobreza menstrual, a lei da igualdade salarial entre homens e mulheres e o fortalecimento de secretarias voltadas aos direitos das mulheres. A presença feminina no Judiciário surge, portanto, como um desdobramento coerente dessa agenda mais ampla.

 

 

Além disso, é importante destacar que ambas as nomeações refletem critérios técnicos sólidos. Marluce Caldas tem um longo histórico no Ministério Público, com atuação respeitada em Alagoas. Estela Aranha, por sua vez, tem sido voz ativa no debate sobre tecnologia, regulação digital e democracia, temas de crescente relevância para a Justiça Eleitoral.

 

  

 

Marluce Caldas ainda será submetida à sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Se aprovada, seu nome seguirá para votação no plenário. A expectativa é que, pela força de sua trajetória e pela articulação política que sustenta sua indicação, o processo transcorra com tranquilidade. Já Estela Aranha, nomeada diretamente por decreto presidencial, deve tomar posse após o recesso forense, em agosto, e integrará o colegiado responsável por fiscalizar as eleições municipais de 2026 — o que amplia ainda mais o peso político de sua atuação futura.

 

 

Primeira mulher a presidir STM cobra de Lula maior

participação feminina na política e no Judiciário

 

Uma transformação silenciosa, mas significativa. Ao investir em mulheres altamente qualificadas para postos-chave do Judiciário, Lula fortalece uma narrativa de transformação institucional. O gesto vai além da representatividade e avança sobre os pilares da competência, do compromisso com a justiça e da construção de um país mais igualitário.

 
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Fotos: Reprodução

 

As nomeações de Marluce e Estela mostram que, mesmo em espaços tradicionalmente masculinos e resistentes à mudança, há espaço para reconstruir caminhos. O Judiciário brasileiro, ainda majoritariamente masculino, começa a ser redesenhado por lideranças femininas com preparo técnico, sensibilidade política e responsabilidade democrática.
 

 

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