04 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 19/12/2023

Mulheres Indígenas na Sociedade

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Foto: Reprodução/Google

Ser e estar no mundo como mulher é uma jornada que atravessa camadas subjetivas e políticas. Diferentes identidades se cruzam numa frente ampla e extremamente diversa que é a mulheridade. Por isso, hoje, no Dia da Mulher, queremos exaltar a multiplicidade das mulheres indígenas que estão em muitas linhas de frente na defesa de suas vidas através de seus corpos, territórios e modos de vida há mais de 520 anos.

 

Selecionamos algumas entre tantas mulheres indígenas que atuam tanto em suas aldeias quanto fora delas, mostrando ao mundo que a luta contra a opressão é uma luta também de ocupação. Muitas são pioneiras em suas atividades ocupando diversos espaços e tornando-se referência para outras mulheres, indígenas e não-indígenas.

 

Seja em equipes médicas, gabinetes parlamentares, canais de comunicação, associações, empreendimentos, seja integrando equipes criativas, salas de aula, museus, passarelas, o lugar das mulheres é onde elas quiserem e se depender do espírito de luta destas guerreiras, vai ter ainda mais mulher indígena por aí!Inspirados nestas mulheres, em suas histórias e lutas travadas dia a dia há muitas gerações, homenageamos as guardiãs do feminino enquanto sabedoras dos fazeres ancestrais, protetoras e geradoras da vida.

 

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Resistência

 

 

Coordenadora da APIB _ Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Soninha Guajajara é professora, técnica em enfermagem e pós-graduada em Educação Especial. Foi a primeira liderança indígena a concorrer numa chapa à Presidência da República em 2018. Aprendeu cedo que era preciso ultrapassar os limites de sua aldeia na Terra Indígena do Araribóia, no Maranhão, para trazer mais informação para seu povo e levar a cultura indígena para o mundo. Sonia é reconhecida em âmbito nacional e internacional pela sua luta incansável pelos direitos dos povos indígenas do Brasil

 

“Ser mulher indígena no Brasil é viver um eterno desafio, de fazer a luta, de ocupar os espaços, de protagonizar a própria história. Historicamente foi dito para nós que a gente não poderia ocupar determinados espaços. Então ser mulher indígena é esse desafio permanente de reafirmar a sua cultura, a sua identidade e principalmente o seu gênero.“

 

 

Alice Pataxó faz parte de uma nova geração de lideranças indígenas que atua principalmente através da mobilização digital. Nascida na Aldeia Craveiro em Porto Seguro, Bahia, a palestrante e comunicadora indígena atua como jornalista do Projeto #Colabora além de apresentar o canal Nuhé. Em suas redes, Alice fala sobre diversidade, ancestralidade e resistência a partir de um olhar de descolonização.
Herança de luta

 

Maial Paiakan Kayapó herdou da família a luta pelos direitos do seu povo e a busca por maior equidade de direitos junto às mulheres indígenas. Panhpunu, como foi chamada quando nasceu, traz no nome sua tjwa, avó paterna que se orgulharia muito em ver a neta como A primeira mulher da etnia Kaiapó a sair da aldeia e obter uma graduação. Filha de Paulinho Paiakan, importante liderança indígena que faleceu durante esta pandemia em decorrência do novo coronavírus, Maial tem outro grande exemplo em casa: a tia Tuíre Kayapó, símbolo de resistência indígena e feminina no enfrentamento a favor de seus direitos. “Ela levantou essa voz junto às mulheres do meu povo, quebrou um paradigma das mulheres “mebengokre”(kaiapós), levantando a voz e participando ativamente nas reuniões. Verbalizando em inúmeras vezes que as mulheres estão ali pra reivindicar, para lutar e que precisam ser ouvidas.”

 

Protagonismo de vanguarda

 

 


A imagem da jovem Tuíre Kayapó encostando um facão no rosto do então presidente da Eletronorte durante uma reunião que discutia a instalação de Hidrelétrica de Belo Monte em 1989 correu o mundo, mostrando a bravura de uma guerreira indígena. Tuíre segue sendo inspiração e referência para as mais jovens na construção de um novo protagonismo feminino indígena nas aldeias, cada vez mais atuante dentro e fora das terras indígenas.

 

Corpo-território

 

 

Ativista pelos direitos originários ao território e à sobrevivência de seu povo que habita as margens do imenso rio Tapajós, no Pará, Alessandra Korap Munduruku Foi a primeira mulher a coordenar a Associação Indígena Pariri, que representa as famílias de dez aldeias da região do Médio Tapajós.

 

Em outubro de 2020, Alessandra recebeu um dos mais importantes prêmios para defensores dos direitos humanos em todo mundo, o Robert F Kennedy. O reconhecimento de quem vive há anos na luta e nas trincheiras contra a invasão de suas terras por madeireiros, grileiros e todo tipo de ataque. Importante liderança de um povo de tradição guerreira, Alessandra não se intimida frente às ameaças que sofre junto com outros parentes.

 

Solidariedade

 

 

Vanda Ortega é originária do povo Witoto, e também é professora, técnica em enfermagem e única profissional de saúde indígena do Parque das Tribos, em Manaus. Além de sua atuação enquanto servidora pública, ela atua no monitoramento de indígenas com sintomas compatíveis com os do novo coronavírus, enquanto articula um grupo de artesãs na confecção de máscaras e luta pela garantia de atendimento básico de saúde para os indígenas de mais de 35 etnias que habitam o bairro indígena Parque das Tribos. Graças à luta de Vanda e outras mulheres indígenas, foram abertas duas alas indígenas dentro do hospital de campanha.

 

A ‘consertadora’ de gente

 

 

Myrian Veloso ou Krexu, na língua Guarani – é indígena do povo Guarani Mbya e também a primeira médica-cirurgiã Guarani a se formar no Brasil. Aos quatro anos se encantou com a medicina, descrita pelo pai como o ato de consertar gente, Myrian hoje integra a equipe do Instituto de Neurologia e Cardiologia (INC) de Curitiba. Nascida na Terra Indígena Rio das Cobras, Paraná, Myrian diz que quando está na aldeia sente que nunca saiu de lá, aproveitando suas visitas para atender como médica as famílias de sua comunidade.

 

Representatividade e pioneirismo

 

 

A advogada Joênia Wapichana é a primeira mulher indígena no Congresso e sua trajetória é marcada por importantes aberturas no caminho da representatividade indígena. Eleita deputada federal pelo estado de Roraima em 2018, a eleição de Joênia representa uma importante conquista para o movimento indígena que desde o mandato do Xavante Mario Juruna nos anos 80 não ocupava um cargo no legislativo.

 

Joênia Wapichana também foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito no Brasil, em 1997, pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e conquistou o título de mestre pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. Joênia também foi a primeira advogada indígena a comparecer perante o Supremo Tribunal Federal (STF), durante o julgamento que definiu a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), em 2008, sendo nomeada primeira presidente da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas.

 

Empreendedorismo

 

Fotos: Reprodução/Tucum

 
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Marciely Ayap Tupari é empreendedora e indígena do povo Tupari, que habita o Sul de Rondônia. Marciely nasceu em Guajará-Mirim e cresceu na Terra Indígena Rio Branco. Em 2015, sua mãe, Leonice, fundou a Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia (Agir) e desde então, ao lado dela, Marciely vem buscando fortalecer o protagonismo da mulher indígena à frente da loja TECÊ-AGIR, que comercializa artes indígenas de mais de 50 povos. 

 

Fonte: com informações do Portal Tucum

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