De acordo com o relatório Saúde da Mulher Indígena e Câncer do Colo de Útero em São Gabriel da Cachoeira (AM), a taxa de incidência dessa enfermidade entre mulheres indígenas pode ser até quatro vezes maior do que a observada entre mulheres não indígenas.
Durante a IV Marcha das Mulheres Indígenas, realizada nesta semana, o Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Dmirn) apresentou propostas concretas para a implementação de políticas públicas efetivas no combate ao câncer de colo de útero, uma das doenças que mais afeta a saúde feminina na região.
Dados Alarmantes
De acordo com o relatório Saúde da Mulher Indígena e Câncer do Colo de Útero em São Gabriel da Cachoeira (AM), a taxa de incidência dessa enfermidade entre mulheres indígenas pode ser até quatro vezes maior do que a observada entre mulheres não indígenas. O estudo evidencia que a disparidade está diretamente ligada à falta de acesso a exames preventivos regulares, barreiras geográficas e culturais, além da carência de serviços especializados nas comunidades.
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Saúde e Dignidade
O documento ressalta que, para as mulheres do Rio Negro, saúde não se resume à ausência de doenças:
“É o conjunto de condições que garantem viver com dignidade, respeitando nossos saberes, nosso território e nosso modo de vida”, destacam as lideranças rionegrinas. Essa visão amplia o debate, conectando o combate ao câncer à necessidade de políticas intersetoriais que garantam alimentação saudável, saneamento básico, respeito cultural e atendimento médico humanizado.
Propostas Apresentadas

Fotos: Reprodução/Google
Entre as medidas defendidas pelo Dmirn, estão:
• Ampliação das campanhas de prevenção com foco na vacinação contra o HPV.
• Realização de exames preventivos (Papanicolau) de forma regular e descentralizada.
• Capacitação de profissionais de saúde para atuação intercultural.
• Estruturação de centros de referência regionais para diagnóstico e tratamento.
• Transporte e apoio logístico para mulheres de comunidades mais isoladas.
Um Chamado à Ação
A cobrança feita na Marcha reflete uma urgência histórica: garantir que a saúde das mulheres indígenas seja prioridade nas agendas de governo, reconhecendo as especificidades culturais e territoriais da Amazônia. “Não queremos apenas sobreviver, queremos viver com saúde, respeito e dignidade. A prevenção salva vidas, e não podemos esperar mais”, afirmou uma representante do Dmirn.
A expectativa é que as propostas apresentadas sirvam como base para a formulação de planos de ação integrados, envolvendo União, estados, municípios e organizações indígenas, com foco no enfrentamento das desigualdades em saúde que afetam as mulheres da floresta.
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