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Mulher em pauta - 08/07/2022

Mulheres ganham espaço na ciência brasileira

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Foto: Reprodução

Elas coordenam iniciativas inovadoras, como os projetos Odisseia e DNA do Brasil, além do Instituto de Ensino e Pesquisa Dasa

O que Lygia da Veiga Pereira, Michele Migliavacca e Flavia Paiva têm em comum? As três são brasileiras e pesquisadoras líderes em suas áreas e conduzem iniciativas que transformam a vida da população. No Dia Nacional da Ciência, celebrado em 8 de julho, suas trajetórias podem inspirar meninas e mulheres que também querem se dedicar a produzir conhecimento – que se traduz em avanços e benefícios para o bem comum.

 

Responsável pelo estabelecimento de uma primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias de multiplicação in vitro, Lygia da Veiga Pereira é professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) desde 1997. Em 2019, assumiu a frente do projeto DNA do Brasil, uma iniciativa que tem o objetivo ambicioso de colocar o país no mapa da genômica mundial.

 

“O principal objetivo é aumentar a diversidade dos dados genômicos disponíveis mundialmente”, ela explica. “Conhecendo as variações genéticas que existem no país, podemos desenvolver uma medicina de precisão para uma população como a nossa, que conjuga ancestralidade europeia, africana e indígena.” O projeto é realizado em parceria com a Dasa, maior rede de saúde integrada do país, e a plataforma de computação em nuvem Google Cloud.

 

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Lygia da Veiga Pereira, professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo, líder do projeto DNA do Brasil -

Lygia da Veiga Pereira, professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo,

líder do projeto DNA do Brasil

 

Por sua vez, a dra. Michele Migliavacca é geneticista e coordenadora da Dasa Genômica, além de líder do Projeto Odisseia. “Com esse projeto, temos o objetivo de encurtar a caminhada do paciente com doença rara até o diagnóstico por meio da realização do teste genoma rápido em recém-nascidos naqueles pacientes em estado crítico internados em UTIs neonatais”, detalha.

 

Michele Migliavacca, geneticista e coordenadora da Dasa Genômica -

Michele Migliavacca, geneticista e coordenadora da Dasa Genômica

 

Inteiramente financiada pela Dasa, a iniciativa se baseia no teste genoma rápido de sequenciamento completo em 100 pacientes internados em estado grave em UTI neonatal com suspeita de doença rara. É a primeira vez no Brasil que testes genéticos são usados como diagnóstico de emergência e a genética é aplicada em casos agudos.

 

Avanços

 

Michele lembra que há poucos médicos geneticistas no Brasil, e maioria é composta pelo público feminino. “Existem muitos estudos que sugerem que mulheres e homens praticam a medicina de forma diferente. Elas costumam ser mais comunicativas e aconselhar com frequência sobre os cuidados preventivos, além de aderir às diretrizes clínicas, e essas são algumas questões que podem trazem benefícios ao paciente”, ela explica.

 

“Há pouco de mais de 100 anos, se formava a primeira mulher médica no Brasil. Contudo, ainda temos um grande caminho para percorrer. Nós publicamos 30% menos do que os homens. Esse resultado tem uma explicação: sobrecarga feminina, principalmente após a maternidade”, diz a cientista.

 

De fato, o cenário vem mudando, mas ainda há espaço para avançar. Segundo um relatório do British Council realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), as mulheres representam 46% do total de pesquisadores nos países da América Latina e Caribe. Estão, portanto, alcançando a paridade, ao menos numérica. Por outro lado, a publicação aponta que estereótipos de gênero e barreiras culturais estão entre os fatores que explicam a segregação das mulheres.

 

A dra. Flavia Paiva percebeu esse avanço ao longo da carreira. “Comecei cursando biomedicina, e na minha sala havia pouquíssimas meninas. No curso de medicina, comparativamente já havia um número maior de mulheres”, ela lembra. “Hoje, como professora do Programa de Pós-Graduação em Radiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vejo ainda mais alunas mulheres. Elas estão se interessando e quebrando barreiras”.

 

Flavia Paiva, coordenadora executiva do Instituto de Ensino e Pesquisa Dasa (IEPD) e coordenadora médica de pesquisa científica da Dasa -

Flavia Paiva, coordenadora executiva do Instituto de Ensino e Pesquisa Dasa

(IEPD) e coordenadora médica de pesquisa

científica da Dasa (Fotos: Reprodução)

 

Flavia é coordenadora executiva do Instituto de Ensino e Pesquisa Dasa (IEPD) e coordenadora médica de pesquisa científica da Dasa, que, em 2021, levantou 252 artigos publicados em revistas médicas internacionais de renome. “As duas empresas entendem que pesquisa é essencial para entregar qualidade de vida aos pacientes. Temos aqui um grande equilíbrio de gênero, e a participação feminina é essencial.”

 

O IEPD é uma entidade sem fins lucrativos da qual a Dasa é a principal mantenedora e tem como objetivo impulsionar projetos de pesquisa científica nos campos da medicina e da saúde. Entre outros projetos, o instituto apoia o Genov, programa que está mapeando o genoma do Sars-CoV-2 no Brasil, e o laboratório de bioimpressão, que congrega impressão 3D e realidade virtual e aumentada. Pesquisas nas áreas de câncer de mama (inclusive um de avaliação psicológica de pacientes submetidas a biópsia), elastografia, cortisol basal e redes temáticas de inteligência artificial são apoiadas pelo IEPD.

 

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“Temos publicado, de maneira constante, artigos de altíssimo impacto na literatura médica em áreas como inteligência artificial, genômica, oncologia, radiologia e, mais recentemente, estudos relacionados à Covid-19. Felizmente, também vemos muitas mulheres como autoras dessas publicações”, diz Flavia.

 

Fonte: Portal Claudia

 

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