10 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Mulher em pauta - 20/05/2024

Mulheres com mais de 50 anos enfrentam preconceitos por se divorciarem ou por voltarem a estudar

Compartilhar:
Foto: Reprodução

Para antropóloga, discriminação pode estar atrelada à chegada da menopausa e à perda da capacidade de gerar filhos

Seja na vida profissional, afetiva ou educacional, mulheres com mais de 50 anos relatam dificuldades em meio a tentativas de redescoberta e fuga da vida convencional estabilizada financeiramente, com filhos e um casamento.

 

Professora na rede particular de ensino, Claudia Vendramini, 54, foi casada por 23 anos, mas aos 49 decidiu tomar uma decisão que queria há tempos: se divorciar. "Era uma coisa que sempre quis. Mas esperei minhas duas filhas crescerem para ter o aval de me separar."

 

Dentre as dificuldades encontradas após a separação, estão o julgamento e a sensação de que não pertencia mais ao mesmo ambiente de antes, inclusive entre as próprias amizades.

 

Veja mais

 

DESPERTANDO O PODER FEMININO: Portal Mulher Amazônica lança a Campanha #CicloDeForça para apoiar Mulheres na Política No Amazonas

Professora Jacqueline: uma mulher de fibra na política de Manaus

 

 

"Como a maioria é casada, depois que me separei muitas deixaram de ser minhas amigas, e para algumas eu fui simplesmente cancelada", diz Claudia, afirmando se sentir como uma espécie de ameaça.Cláudia é uma mulher branca de cabelos lisos e loiros. Na imagem ela está sentada em um saguão todo claro e vestindo uma camiseta de manga longa preta e calça jeans.


Cláudia Vendramini, 54, se divorciou em 2019 e relata preconceitos na vida afetiva e profissional por conta da idade - Karime Xavier/Folhapress.Uma outra situação que vivenciou após o divórcio foi com homens que sempre estiveram próximos ao casamento ou eram amigos da família e, após a separação, começaram a demonstrar interesse.

 

A sensação, para ela, é de que esses homens acham que mulheres com mais de 50 estão sempre à procura de um relacionamento com qualquer pessoa, principalmente por conta da idade. "Quando essas coisas acontecem, às vezes a gente até volta para casa chorando", diz Claudia.

 

 

Um dos episódios relatados aconteceu em um estacionamento frequentado por ela. Ao retirar o carro para sair, um dos funcionários do local lhe deu uma indireta dizendo: "nunca fiquei com nenhuma mulher siliconada". A primeira atitude de Cláudia foi, na sequência, encaminhar no WhatsApp do rapaz o contato do cirurgião plástico e dizer: "agora você pode, é só pagar um silicone para a sua esposa", completa.

 

"Essa coisa de dizer que parece que chegamos ao prazo de validade com 50 anos deve ser também porque, de certa forma, chegamos ao nosso prazo de, inclusive, ser mães". Mas vivemos numa época diferente

 

Para Mirian Goldenberg, antropóloga e colunista da Folha, essa sensação de que as mulheres estão envelhecendo chega um pouco antes, já aos 40, e pode estar atrelada à menopausa, sim, porque essas mulheres não podem ter mais filhos. "É quando elas estão entrando naquele período que a gente chama de nem-nem, nem jovem, nem velha. Que começa a ter mais dificuldades, não só para casar, mas para ter filhos", completa.

 

A área afetiva, no entanto, não foi a única em que Cláudia encontrou dificuldade. Somada à pandemia, ela, que é proprietária de uma escola de reforço, viu a busca pelos serviços da unidade caírem substancialmente, precisando procurar por outras fontes de renda e encontrando um novo obstáculo por conta da idade."Parecia que eu não tinha lugar no mundo. Não conseguia mais me situar num rolê, nem mesmo profissionalmente, fora da minha escola."

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.