A ministra Cida Gonçalves, anfitriã da reunião, destacou na abertura que a expansão recente do BRICS amplia as oportunidades de fortalecer a voz coletiva nos fóruns internacionais e de impulsionar uma agenda de desenvolvimento que tenha as mulheres como p
Em um momento de profundas transformações globais, o Brasil sediou no final de março, a Reunião Ministerial de Mulheres do BRICS, reunindo representantes dos países membros sob a presidência brasileira do bloco. O evento, promovido pelo Ministério das Mulheres, teve como principal objetivo colocar a igualdade de gênero no centro dos debates sobre desenvolvimento econômico, inovação sustentável e governança digital.
A ministra Cida Gonçalves, anfitriã da reunião, destacou na abertura que a expansão recente do BRICS amplia as oportunidades de fortalecer a voz coletiva nos fóruns internacionais e de impulsionar uma agenda de desenvolvimento que tenha as mulheres como protagonistas. “O empoderamento das mulheres é condição necessária para o desenvolvimento sustentável”, afirmou, defendendo a construção de uma nova ordem mundial mais justa e multipolar, com forte protagonismo do Sul Global.
Além da ministra Cida Gonçalves, participaram da abertura as ministras Esther Dweck, Macaé Evaristo e Anielle Franco, a primeira-dama Janja Lula da Silva, a embaixadora Vanessa Dolce de Farias e representantes do Ministério das Mulheres.
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Mulheres, Desenvolvimento e Empreendedorismo
O painel sobre empreendedorismo destacou o papel vital das mulheres na economia brasileira. A fundadora da Rede de Mulheres Empreendedoras, Ana Fontes, ressaltou que hoje cerca de 10 milhões de mulheres lideram negócios no país — metade dos empreendedores brasileiros. Muitas vezes, o empreendedorismo surge como uma resposta à exclusão do mercado formal, especialmente para mães, em função de ambientes corporativos ainda hostis à maternidade.

Essas mulheres não apenas movimentam a economia, mas também são responsáveis pelo desenvolvimento social de suas famílias e comunidades. Fortalecê-las é, portanto, fortalecer toda a sociedade.
Governança Digital: enfrentando a misoginia online
Durante o painel sobre Governança Digital, a pesquisadora Luciane Leopoldo Belin apresentou os resultados de um estudo alarmante sobre a propagação e a monetização da misoginia nas redes sociais, especialmente no YouTube. Com mais de 4 bilhões de visualizações em vídeos de ódio contra mulheres, a pesquisa revela a urgência de uma regulação eficaz para combater essas práticas.
“O ódio não apenas se espalha, mas também é lucrativo. Big techs e produtores de conteúdo ganham com a misoginia, o que torna ainda mais urgente a imposição de limites e a criação de ambientes digitais mais seguros para mulheres”, pontuou Luciane.
Mulheres, Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável
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igualdade de gênero e o empoderamento feminino
Outro destaque foi o debate sobre a conexão entre empoderamento feminino e ação climática. Ana Carolina Querino, da ONU Mulheres, alertou que as mudanças climáticas impactam desproporcionalmente as mulheres, aumentando sua vulnerabilidade e trabalho não remunerado. Em desastres ambientais, as mulheres enfrentam maiores barreiras para acessar serviços básicos e sofrem mais violência.
Ana Carolina defendeu a presença feminina em espaços de decisão para lidar com os novos desafios climáticos: “Empoderar as mulheres é garantir que as respostas às crises globais sejam mais justas, sustentáveis e humanas”.
Fortalecendo o futuro
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A primeira-dama Janja Lula da Silva reforçou que a perspectiva de gênero precisa estar na base de todas as políticas públicas de combate à pobreza e às mudanças climáticas. Já a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ressaltou o impacto profundo das desigualdades para mulheres negras, indígenas, quilombolas e LBTs, defendendo uma atuação transversal e inclusiva para mudar essa realidade.
Mulheres abrindo caminhos para as futuras gerações

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O encontro em Brasília foi muito mais que um debate técnico: foi uma reafirmação do papel transformador das mulheres na construção de um futuro mais justo. Com suas experiências, lutas e estratégias, as mulheres de hoje estão abrindo caminhos para que as próximas gerações possam viver em uma sociedade mais igualitária, sustentável e democrática.

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Fotos: Reprodução/Instagram
A Reunião Ministerial de Mulheres do BRICS deixou uma mensagem clara: o desenvolvimento de amanhã depende da coragem e da liderança das mulheres de hoje. O fortalecimento da cooperação internacional, especialmente entre países do Sul Global, passa inevitavelmente pela valorização e pelo empoderamento feminino em todas as esferas sociais, políticas, econômicas e ambientais.
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