07 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 12/08/2024

MULHER GORDA: rompendo padrões para habitar um corpo socialmente invisibilizado

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Foto: Reprodução/Google

A pessoa gorda está sempre à margem: ?uma vida, um processo de autoaceitação contra a sociedade que te vê como anomalia, bomba relógio, ofensa moral e visual.

A gordofobia é um grave problema social que se manifesta de diversas formas, desde comentários ofensivos até discriminação institucional.

 

Na diversidade de corpos, perpassada pelos padrões de belezas, há espaço para as pessoas gordas?

 

A cineasta e designer Mariana Mussi, autora do documentário “Gordos não vão para o céu”, conversou com o Dicas de Mulher sobre o tema.Ainda, Mércia Pires, criadora da MaisGG Moda Plus, esclarece dúvidas relacionadas à moda. Acompanhe!

 

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O que é ser gorda?

 

 

 

A pessoa gorda está sempre à margem: “uma vida, um processo de autoaceitação contra a sociedade que te vê como anomalia, bomba relógio, ofensa moral e visual. Me olho no espelho e me acho gata. Não entendo ser tão invisível. Nunca entendi. É entender que você tem um metabolismo diferente”. Ainda, Mariana explica que há vários espectros em ser gorda, mas todos são generalizados em uma única esfera.

 

Por que é importante usar o termo gorda?

 

 

 

Durante anos, a palavra gorda foi usada com uma conotação pejorativa. A intenção era humilhar e inferiorizar a mulher fora dos padrões de beleza propagados pelas mídias. Não há vergonha em não se enquadrar em uma caixinha. É preciso reconhecer a diversidade de corpos.

 

“Eu sou gorda, é a minha forma física e hoje falo sem medo. É parte da ressignificação da palavra gorda, empoderamento feminino, movimentos e novos termos que abraçam todas as formas. Exemplo: Gorda menor, gorda maior”, finaliza Mariana.

 

O que é gordofobia?

 

 

 

O corpo perfeito não é o gordo – na imagem propagada socialmente. Você pode estar com todos os exames em dia, a saúde ótima, porém, se é uma pessoa gorda, sabe que será olhada diferente. Você é cobrada para definir as curvas, emagrecer, comer menos, colocar uma roupa mais larga.

 

A gordofobia é fatal

 

 

 

Há muitos comerciais dizendo que a obesidade mata, entretanto, quantas vezes você viu uma notícia sobre os danos da gordofobia? Esse tipo de preconceito afeta a saúde mental, desencadeia depressão, transtornos alimentares e, não raro, casos de suícidios. Como relata Mariana:

 

É Sentar em um banco e a pessoa se levantar por nojo. Isso quando existe um banco para sentar-se. É não ter uma maca no hospital que suporte nosso peso. Ver uma mãe chorando, gritando, ninguém fazer nada e seu filho falecer. É ir ao cinema que tem marcado cadeiras para obesos e a poltronas são iguais as demais que não lhe cabe. É não ter emprego, porque 7 em cada 10 empresas não aceitam pessoas gordas. Ser nomeada como preguiçosa e menos capaz.

 

A gordofobia está na estrutura social, na falta de inclusão de corpos gordos, nos supostos elogios, como – ‘nossa, você emagreceu, está mais bonita’. É sobre entrar em uma loja e escutar – ‘infelizmente, não temos roupas para o seu tamanho’. No almoço de família, uma tia soltar – ‘seu rosto é tão lindo’. Enquanto a pessoa magra é vista como bonita, enteligente, com um futuro promissor, a gorda é vista como engraçada, atrapalhada, um pecado capital.

 

Como lidar com a gordofobia?

 

 

 

Mariana conta que já sofreu ameaças nas redes sociais. “Aconteceu recentemente por um suposto professor de educação física e YouTuber. Ele enviou um áudio dizendo que eu deveria fazer um favor e ficar dentro de casa, pelo ‘bem da sociedade’. Por que? Porque viu que tenho fotos normais no Instagram, que sou uma pessoa normal igualmente todas”.

 

Atualmente, há vários grupos espalhados pelo país, como o movimento body positive, redes de apoio, encontros e diálogos. Contudo, é preciso lembrar que só a positividade não resolve problemas. O ativismo precisa ser cada vez mais libertário. “Se você não é uma influencer, não tem muito acesso, visibilidade, não fica muito clara a realidade de pessoas gordas”.

 

Mulheres gordas e relacionamentos

 


As pessoas gordas enfrentam uma série de desafios em relação aos relacionamentos. Infelizmente, a sociedade impõe estereótipos de casais perfeitos. Se um homem namora uma mulher gorda, é porque ele conseguiu enxergar a beleza interior dela. Dessa forma, muitas sofrem rejeição, descrédito e objetificação.

 

A solidão da mulher gorda

 

 

 

A solidão da mulher gorda é atravessada pela falta de gentileza, pela invisibilidade. É se sentir sozinha mesmo rodeada de pessoas, “não ter um toque de carinho ou um abraço espontâneo. Um namorado, marido. Viver de migalhas. Desde ausências de afeto familiar até círculo de amizades. Eu sou a amiga que não está nas festas de aniversário, nos rolês de sábado à noite, nas menções em redes sociais, nas fotos. Sempre no sigilo”, desabafa Mariana.

 

A pessoa gorda sai para jantar sozinha, vai ao cinema sozinha, não precisa receber flores. Mariana conta que é comum escutar: “até tenho amiga que é gorda. Até já gostei de uma moça gorda. Até já fiquei com uma moça gorda”. Porém, corpos gordos continuam invisíveis, até quando?

 

Relacionamentos abusivos

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Viver um relacionamento abusivo é uma situação extremamente difícil e, quando se trata de uma mulher gorda, a complexidade aumenta. Infelizmente, muitas mulheres gordas estão vuneráveis à violência psicológica, são alvos de abusos físicos e verbais. Nas palavras da cineasta:

 

Eu acreditava que estava vivendo um conto de fadas. No entanto, acabei coagida e envolvida em um abuso. Quando expressei meu desejo por algo além de um encontro casual, fui ignorada. Essa situação me levou a uma profunda depressão, enquanto ouvia comentários – ‘você é linda, mas precisa fazer alguns ajustes e emagrecer um pouquinho’.

 

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As violências propagadas contra pessoas gordas estão tão naturalizadas na sociedade que, na maioria das vezes, não são lidas como tais. A mulher aceita um comentário maldoso do parceiro, leva na brincadeira e acha que é normal. Outras vezes, suporta a violência porque foi criada socialmente para acreditar que não merece algo melhor, não merece ser feliz. Não, não é normal. E, sim, o corpo gordo merece algo melhor.

 

Fonte: com informações do Portal M de Mulher

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