17 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 09/12/2021

Mulher acusada de bruxaria pela própria família, ajuda a salvar outras de tortura e morte

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Foto: Reprodução

Monica Paulus foi acusada de bruxaria quando seu pai morreu abruptamente- ela acredita que seu irmão queria ficar sozinho com a herança.

Quando o pai de Monica Paulus desmaiou e morreu de um ataque cardíaco, seu irmão a acusou de matá-lo usando bruxaria. Ela foi ameaçada de morte por tortura.

 

"Toda minha família e todos os meus amigos se afastaram de mim", conta ela. "Fizeram eu me sentir má, sentir vergonha.".

 

Ela foi forçada a fugir de sua cidade natal e viver no exílio em uma província longe de casa em seu país, Papua Nova Guiné, no sudoeste do Pacífico.

 

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Mas a história de Monica não é única - e poderia ter sido muito pior.

 

As acusações com frequência acontecem após mortes abruptas

 

As acusações com frequência acontecem após mortes abruptas

 

'É bárbaro'


A violência relacionada à acusação de feitiçaria é comum em Papua Nova Guiné. Embora não haja dados confiáveis disponíveis para saber com que frequência isso acontece, os números do governo dizem que houve cerca de 6 mil incidentes nos últimos 20 anos.

 

As estimativas sugerem que este número é mais alto, com milhares de vítimas - geralmente mulheres e meninas - acusadas todos os anos. É comum que elas sejam vítimas de violência física e sexual. Muitas vezes, as acusações acontecem após mortes súbitas ou doenças inexplicáveis.

 

"São níveis extremos de violência, alguns dos piores que já vi", diz Stephanie McLennan, gerente sênior de iniciativas para a Ásia da entidade Human Rights Watch, que trabalhou extensivamente na questão das acusações de feitiçaria.

 

"Há ataques muito violentos e as vítimas são mantidas em cativeiro, são despidas, queimadas com barras de ferro, torturas muitas vezes até a morte. É realmente bárbaro", diz McLennan.

 

O caso de Mary Kopari ganhou as manchetes internacionais este ano, quando ela foi brutalmente assassinada após a morte de um menino de dois anos.

 

Ela estava vendendo batatas em um mercado quando uma multidão a capturou e a queimou viva. Ninguém foi preso pelo crime, apesar do incidente ter sido filmado e relatado pela mídia local.

 

As mulheres acusadas de bruxaria precisam fugir de suas cidades para sobreviver

 

As mulheres acusadas de bruxaria precisam fugir de suas cidades para sobreviver

Foto: Shali Reddy / BBC News Brasil / Reprodução 


Quando Monica Paulus enfrentou sua própria acusação de feitiçaria, ela conseguiu escapar.

 

"No momento em que me acusaram de bruxaria, eu já estava perdida. Eles não precisavam de provas", conta ela.

 

"Fui banida do eram mortas silenciosamente, agora elas são levadas às ruas e crucificadas. É realmente desumano."

 

 Crucificadas na rua

 

 

O funeral do meu pai, não pude participar de jeito nenhum. Sabia que não tinha mais lugar na família, na comunidade ou na tribo", lembra.

 

Ela acredita que seu irmão a acusou de bruxaria para que ele pudesse ficar sozinho com a herança.

 

Mas nem todas as acusações têm motivos financeiros - muitas derivam de crenças locais.

 

"Há mortes desde quando eu era pequena. Isso sempre foi aceito pela comunidade - embora a tortura pela qual elas passavam não fosse tão ruim quanto agora", diz a jovem.

 

"Antes as mulheresas mulheres eram mortas silenciosamente, agora elas são levadas às ruas e crucificadas. É realmente desumano." 

 

A crença em bruxaria é mais forte na região montanhosa do país

 

A crença em bruxaria é mais forte na região montanhosa do país

Foto: Shali Reddy / BBC News Brasil


Nos últimos dois anos, o aumento na violência relacionada à acusações de feitiçaria está correlacionado ao aumento de casos confirmados de covid-19, de acordo com a Human Rights Watch.

 

"Há uma grande preocupação de que a pandemia exacerbe esta crise - e a violência baseada em gênero é uma crise", diz McLennan.

 

 Pior na pandemia

 

Fotos: Reprodução

 

A correlação ocorre, diz ela, porque há muitas dúvidas quanto à vacina e muito negacionismo da pandemia no país, o que significa que as mortes causadas por covid são muitas vezes atribuídas à bruxaria.

 

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No início deste ano, uma mulher e sua filha foram resgatadas pela polícia depois de terem sido mantidas em cativeiro e torturadas. Elas tinham sido acusadas de praticar bruxaria quando o marido da mulher morreu de covid. Jornais locais relataram que as mulheres, de 45 e 19 anos, sofreram fraturas nos braços e queimaduras causadas por ferro quente.

 

Fonte: Terra 

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