30 de Abril de 2026

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Meio Ambiente - 09/03/2024

Mudanças climáticas levam espécies à extinção há 485 milhões de anos

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Foto: Reprodução Google

Estudo com fósseis aponta as principais características que levaram ao desaparecimento de animais em 485 milhões de anos, associadas às mudanças climáticas. A pesquisa pode ajudar nas estratégias para evitar um novo colapso da biodiversidade

Na história do planeta, as mudanças climáticas naturais, como as decorrentes de vulcanismo, foram responsáveis pela extinção de inúmeras espécies. Agora, com as emissões crescentes de gases de efeito estufa pela atividade humana, cientistas buscam estratégias para se antecipar à destruição de animais marinhos e terrestres. Com dados do passado, revelados por mais de 290 mil registros fósseis de 9,2 mil gêneros, pesquisadores do Reino Unido reuniram características-chave que podem afetar a resiliência, aumentando ou reduzindo a chance de sobrevivência em um mundo cada vez mais quente.

 

Segundo os pesquisadores, que publicaram os resultados na revista Science, até hoje não estão claros os fatores que determinam a vulnerabilidade das espécies às mudanças climáticas, e nem como a magnitude dessas alterações afeta o risco de extinção. Estudos anteriores identificaram algumas características correlatas, como abundância de espécimes, tamanho corporal, tolerância térmica e nicho. "Apesar da importância desses trabalhos, os testes frequentemente foram isolados, o que limita nossa capacidade de compreender e prever os efeitos da mudança climática antropogênica na biodiversidade", diz o artigo.

 

Liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, o novo estudo procurou responder a essa questão analisando o registo fóssil de invertebrados marinhos, como ouriços-do-mar, caracóis e mariscos, ao longo dos últimos 485 milhões de anos. Como o material dessas espécies é rico e bem estudado, os cientistas afirmam que a coleção possibilita identificar quando e, potencialmente, por que as espécies são extintas.

 

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Os fósseis permitiram reunir um conjunto de dados com as características associadas à resiliência à extinção, incluindo algumas não estudadas em profundidade anteriormente, como a temperatura preferida de cada espécie. As informações foram integradas com dados de simulação climática para desenvolver um modelo dos mais importantes fatores de risco à biodiversidade, em um cenário de mudanças climáticas.

 

Alerta

 

"As evidências do passado geológico sugerem que a biodiversidade global enfrenta um futuro angustiante, dadas as estimativas projetadas para as mudanças climáticas", destaca Erin Saupe, principal autora do artigo e pesquisadora do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Oxford. "Uma mudança climática localizada poderá levar a uma extinção significativa globalmente, aproximando-nos potencialmente de uma sexta extinção em massa", alerta.

 

Os autores descobriram que espécies expostas a alterações de temperatura de 7°C ou mais ao longo dos estágios geológicos foram significativamente mais vulneráveis à extinção. Aquelas que ocupam extremos climáticos — como as regiões polares — foram afetadas desproporcionalmente, mais um alerta, segundo os pesquisadores, de que os ursos polares podem desaparecer devido às emissões de gases de efeito estufa.

 

Espécies que são adaptadas a faixas inferiores de temperatura — especialmente abaixo de 15ºC — têm a probabilidade maior de serem extintas. O mais forte preditor de risco, porém, foi a distribuição geográfica. Animais que estão presentes em áreas maiores são menos propensos a desaparecer. Tamanho do corpo também influencia: os menores são mais vulneráveis.

 

Segundo Cooper Malanoski, pesquisador do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Oxford e primeiro autor do estudo, todas as características estudadas tiveram um impacto cumulativo no risco de extinção. Por exemplo, aquelas com áreas geográficas pequenas e faixas térmicas estreitas eram ainda mais suscetíveis, comparadas às com apenas um desses determinantes.

 

Tamanho

 

Fotos: Reprodução Google

 

"Nosso estudo revelou que a extensão geográfica foi o mais forte preditor do risco de extinção de invertebrados marinhos, mas que a magnitude das mudanças climáticas também é um importante preditor de extinção, que tem implicações para a biodiversidade hoje em face das mudanças climáticas", observa Malanoski. Ele destaca que, com as atuais alterações no clima provocadas pelo homem já levando espécies à beira da extinção, os resultados do estudo poderão ajudar a identificar os animais com maior risco e a desenvolver estratégias para protegê-los.

 

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"Esse estudo mostra que, ao longo da história da Terra, o risco de extinção da vida marinha tem estado inextricavelmente ligado às alterações climáticas. Isso deveria funcionar como um aviso severo para a humanidade, à medida que continuamos imprudentemente a causar as alterações climáticas por meio da queima de combustíveis fósseis", disse, em nota, Dan Lut, professor da Universidade de Bristol e coautor da pesquisa. Segundo ele, futuramente a equipe pretende explorar como as mudanças climáticas interagem com outros potenciais fatores de risco de extinção, como a acidificação dos oceanos e a anóxia — quando a água do mar fica sem oxigênio.

 

Fonte: com informações do Portal Correio Braziliense 

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