Presidente da Câmara afirmou que lideranças vão analisar medidas alternativas do Planalto em reunião neste domingo, 8. Segundo ele, encontro pode definir se derrubada do decreto será pautada na terça, 10.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), colocou o governo Lula em estado de alerta neste sábado, 7, ao sinalizar que pode levar à votação, já na próxima terça-feira, um projeto para barrar o polêmico decreto que elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A decisão final, segundo ele, será tomada pelos líderes partidários em uma reunião marcada para este domingo com a equipe econômica do ministro Fernando Haddad.
A medida, que visa ampliar a arrecadação federal em até R$ 20,5 bilhões, foi anunciada há duas semanas e já provocou forte reação no Congresso. Mais de 20 propostas para derrubar o decreto foram protocoladas na Câmara e no Senado, expondo um racha entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Legislativo.
Diante da pressão, Haddad buscou conter a insatisfação reunindo-se com Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro resultou em um ultimato: o governo teria dez dias para apresentar alternativas viáveis à alta do imposto. Agora, o prazo se esgota, e Motta avisa — ou o governo apresenta soluções consistentes, ou o decreto enfrentará a resistência formal do Parlamento.
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O aumento do IOF impacta diretamente operações de crédito, compra de moeda estrangeira e outras transações financeiras. Embora parte da medida tenha sido suavizada, como o recuo na taxação de fundos nacionais no exterior — o que reduz a expectativa de arrecadação em R$ 1,4 bilhão — a insatisfação continua forte entre os congressistas.
Hugo Motta foi enfático: “A responsabilidade é do Executivo. O Legislativo vai agir com firmeza. O ambiente atual exige decisões corajosas e estruturantes.” Segundo ele, a reunião deste domingo poderá definir o futuro do decreto. Se o Executivo não apresentar alternativas concretas, o projeto que anula a elevação do IOF pode ser votado já na terça-feira.
Em discurso a empresários em São Paulo, o deputado foi além: defendeu o corte de isenções fiscais e cobrou o avanço de uma reforma administrativa. “As isenções fiscais se tornaram uma conta insustentável, sem acompanhamento efetivo. É hora de reorganizar as finanças públicas com responsabilidade”, afirmou.

Fotos: Reprodução/Google
Apesar da tensão, o presidente Lula, questionado por jornalistas na França sobre o impasse com o Congresso, garantiu que tudo está “acertado”. A fala, no entanto, contrasta com a disposição do Legislativo em fazer valer sua autoridade e exigir do governo uma solução negociada — ou enfrentar uma derrota expressiva logo nos primeiros meses do novo mandato.
Fonte: com informações do g1
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