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Sexo - 29/10/2023

Motel tem energia negativa? Entenda crença que vê o sexual como "sujo"

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Foto: Reprodução Google

A espiritualista Pam Ribeiro explica a visão higienista que considera tudo que é mundano como sujo e divide a energia em positiva e negativa

Em meio a conteúdos espiritualistas publicados nas redes sociais, não é difícil encontrar discursos que descrevem locais, a exemplo de festas e motéis, como lugares com “energia negativa”. Sem contar com a afirmação de que, ao fazer sexo com uma pessoa, a energia dela pode ficar de seis meses a até sete anos dentro de você, incentivando que as pessoas sejam mais criteriosas e não façam tanto sexo casual. Fica a dúvida: isso realmente pode ser verdade?

 

O fato é que, dentro do espiritualismo, existem diversas vertentes e segmentos, mas para Pam Ribeiro, espiritualista e influencer conhecida como A Bruxa Preta, a energia não pode ser dividida entre “positiva” ou “negativa”. Apesar de haver a compreensão de dois polos opostos de energia, como na percepção oriental do yin yang, nenhum deles é, necessariamente, positivo ou negativo; “bom” ou “ruim”.

 

Dito isso, a especialista afirma que a raiz dessa crença vem do que ainda há de “incrustado” do processo colonizador de higienização cristã. “É importante entender que o cristianismo ainda influencia todas as nossas percepções da realidade […] São séculos de repressão de tudo que é visto como ‘mundano’, e o sexo entra nisso”, diz.

 

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No próprio caso do motel, o argumento de que ele seria um lugar pesado por que coisas ruins acontecem ali, como abusos, traições e prostituição, carrega um discurso moralista que, muitas vezes, mal é percebido por quem o faz. “As pessoas não levam em consideração que a maior incidência de feminicídio é dentro das casas, que não são vistas como lugares de energia negativa. Sem contar que perceber o trabalho sexual como algo ruim e errado também traz muito de moralidade”, elucida Pam.

 

Desde sempre, dentro do eurocentrismo, acontece a repressão do que seria o profano e sombrio, e as principais vítimas desse movimento são as mulheres. Afinal, as bruxas caçadas durante a Inquisição eram mulheres que cultuavam uma deusa e tinham conexão com a natureza.

 

“As mulheres já eram percebidas como inimigas e seres incompreendidos por sangrarem e estarem além da compreensão da época. No caso das mulheres pagãs e de tudo que não estava inserido na compreensão cristã, como feitiçaria, magia, intuição, lidar com a morte e sexualidade, era colocado como ruim e perigoso. Isso perdura até hoje”, ressalta.

 

Energia “fica” depois do sexo?

 

 

Apesar da disseminação da informação de que a energia da pessoa fica em você por até sete anos depois do sexo, a bruxa afirma: não é assim que funciona. “Se não, a gente ‘tava’ ferrada”, complementa. Mais uma vez, Pam aponta essa crença como uma ferramenta moral para trazer culpa ao sexo, o que acaba podando as pessoas — principalmente mulheres — de exercerem suas sexualidades da forma que desejam.

 

“Para começar, a energia não é um aspecto permanente. Ela muda, se altera, e existem inclusive banhos e rituais para isso. esse discurso é extremamente prejudicial. O que temos que prestar atenção é com quem estamos transando e por que. Se eu estou escolhendo me relacionar com pessoas que não me respeitam e me tratam mal, ou mesmo estou num ciclo de dependência emocional, antes de me preocupar com energia eu preciso procurar ajuda e acompanhamento psicológico para entender esse meu padrão comportamental”, garante.

 

“A mulher que respeita sua autonomia sexual é errada, vulgar, puta, perigosa. Mas o homem, desde que o mundo é mundo, sempre pôde tudo, nunca foi julgado e ainda não é julgado. A mulher tem que estar num lugar dócil, e a verdade é que é justamente quando desobedecemos essa percepção é que a gente consegue ser quem nós queremos”, pontua.

 

Fotos: Reprodução Google

 

Pam explica que, apesar de existirem rituais para limpeza, o fato é que a melhor ferramenta para evitar qualquer tipo de energia é o autoconhecimento. Se conhecer e conhecer os próprios limites é fundamental para saber se banca ou não certos ambientes e situações.

 

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“Não é o lugar, é a gente. Se você está mal, cansada, com a energia baixa, você não vai para uma festa, se não é lógico que vai te fazer mal. É preciso se conhecer para ter essa percepção. Se você não sustenta ir a um motel, não vá; se você não sustenta um sexo casual, não faça. Não há nada de errado nisso. Mas deixar de fazer certas coisas apenas por conta da energia não faz sentido”, indica.

 

Fonte: com informações do Portal Metrópoles 

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