Não há certeza de que a morte de Khamenei, que tinha 86 anos, pode resultar em mudanças significativas no sistema que ele liderava
A morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em meio a uma campanha militar conjunta com Israel, ainda não foi confirmada pela República Islâmica. Mas imagens de satélite mostraram uma coluna de fumaça e extensos danos no complexo de alta segurança do líder supremo.
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Trump: Morte de líder supremo é maior chance de povo iraniano recuperar seu país Tanto Trump quanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deixaram claro que a mudança de regime era um objetivo dos ataques que começaram na madrugada deste sábado, mas não há certeza de que a morte de Khamenei, que tinha 86 anos, pode resultar em mudanças significativas no sistema que ele liderava.
O poder de escolher um novo líder supremo reside na Assembleia de Peritos, um órgão conservador de clérigos que, dada a idade e as enfermidades do aiatolá Khamenei, provavelmente já refletiram bastante sobre possíveis sucessores. Um dos nomes já em provável consideração é o filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, que vinha manifestando intenção de substituir o pai como líder supremo.
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Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba, de 65 anos, nunca ocupou um cargo importante na política iraniana — o que não o torna um completo desconhecido na burocracia estatal. Ele coordenava o Gabinete do pai e tem contatos importantes nos bastidores. Em um artigo publicado em 2023, a The Economist ressaltava suas relações próximas com Hossein Taib, um poderoso chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, que conheceu ainda durante a guerra entre Irã e Iraque.
Apontado há anos como principal adversário de Ebrahim Raisi, presidente morto em 2024, na sucessão de Khamenei, Mojtaba tem a seu favor credenciais religiosas mais relevantes do que a do falecido. Ele é apresentado pelas mídias iranianas como aiatolá, a mais alta posição clerical dentro do regime teocrático — Raisi era apenas um imã, dentro da esfera religiosa. — Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato — disse em 2024 Arash Azizi, professor da Universidade Clemson, nos EUA, que estuda o Irã. — Mas não é mais [um boato]. Está muito claro agora que ele é uma figura notável. E ele é notável porque tem sido quase totalmente invisível aos olhos do público.

Fotos: Reprodução/Google
O componente religioso é fundamental para o cargo de líder supremo, que no Irã é responsável por tomar todas as decisões que competem a um chefe de estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Também conhecido como Velayat-e Faqih na teologia islâmica xiita, a função segue e aplica a lei islâmica, só podendo ser ocupada por um teólogo xiita de alto escalão, que deve estar pelo menos no posto de aiatolá – embora seja contestado se o próprio Khamenei alguma vez atingiu esse nível.
A função se sobrepõe em muitos aspectos à de presidente, que chefia o Poder Executivo e lidera o governo. Dependendo da formação política e da força do presidente, ele acaba influenciando sobre a política estatal e a economia.
Fonte: com informações O Globo
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