Implantação do PlanificaSUS fortalece pré-natal e integra rede de atendimento em municípios do Baixo Amazonas
A reorganização da atenção primária à saúde em municípios do interior do Amazonas tem gerado impacto direto na vida de gestantes e recém-nascidos. Entre 2018 e 2024, cidades da região do Baixo Amazonas registraram uma redução de 81,71% na mortalidade materna, além de avanços em indicadores como mortalidade infantil e sífilis congênita.
O resultado está associado à implementação do PlanificaSUS, estratégia do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) voltada ao fortalecimento do pré-natal e à integração entre os diferentes níveis de atendimento. A iniciativa foi adotada em municípios como Parintins, Maués, Boa Vista do Ramos, Barreirinha e Nhamundá, regiões marcadas por grandes distâncias geográficas, comunidades ribeirinhas e dependência do transporte fluvial para acesso aos serviços de saúde.
A iniciativa é executada pelo Einstein Hospital Israelita, no âmbito do Proadi-SUS, e em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), tendo como proposta estruturar melhor o fluxo de atendimento, garantindo que a gestante seja acompanhada desde a atenção básica até os serviços especializados, de forma integrada. Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, Talita Rewa, enfermeira e coordenadora territorial do projeto pelo Einstein Hospital Israelita, explicou que a mudança passa pela qualificação do trabalho das equipes e pela organização da rede.
Veja também

Longevidade feminina: o desafio de viver mais e melhor na maturidade
Agachada ou em pé? O jeito certo para mulheres fazerem xixi em banheiro público
(1).jpg)
“A gente trabalha com a organização dos serviços. Temos materiais e protocolos que ajudam os profissionais a fazer a estratificação de risco, manejar a gestante e organizar o acesso na rede. Isso facilita o cuidado e garante que a pessoa seja acompanhada no tempo certo”, descreveu Talita. Rewa destaca que a iniciativa também tem como base o fortalecimento do SUS, especialmente em regiões mais vulneráveis: “A gente existe porque o SUS existe. O nosso trabalho é contribuir para um sistema cada vez mais forte, que consiga cuidar das pessoas independentemente de onde elas vivem.” Atendimento mais integrado
Na prática, uma das principais mudanças está na articulação entre as unidades básicas de saúde e os serviços especializados. Em Parintins, o Ambulatório Municipal de Especialidades Doutor Tassi Zulaime se tornou referência no atendimento de gestantes de alto risco. A enfermeira Patrícia Farias, que atua na unidade, explica que o acompanhamento passou a ser compartilhado entre as equipes.
“A gestante é identificada na atenção primária, onde é feita a estratificação de risco. A partir disso, ela é encaminhada para o ambulatório, mas continua sendo acompanhada também pela equipe da unidade básica. O cuidado acontece de forma integrada”, explicou a enfermeira.
Segundo Farias, o modelo permite que a gestante passe por diferentes profissionais em um mesmo ciclo de atendimento. “Ela passa pelo médico obstetra e por uma equipe multiprofissional, com nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta, enfermeiro e assistente social. Ao final, é elaborado um plano de cuidado que é compartilhado com a atenção básica”, pontuou Farias.
Outro avanço, conforme a enfermeira que atuou no projeto, está no uso de tecnologia para ampliar o acesso, principalmente em áreas mais distantes. “Utilizamos teleconsultas, especialmente para gestantes ribeirinhas, que têm mais dificuldade de deslocamento. Isso garante apoio diagnóstico e acompanhamento mesmo à distância.”Impacto na vida das gestantes Para quem passa pelo atendimento, a diferença é percebida na prática. A assistente social Amanda Thaís Machado Marques, de 27 anos, acompanhou toda a gestação pela rede pública e relata que conseguiu iniciar o pré-natal ainda no início da gravidez.
(2).jpg)
“Descobri a gestação com seis semanas e já comecei o pré-natal. Fiz cerca de nove ou dez consultas, alternando entre médico e enfermeiro, além de acompanhamento com dentista e outros profissionais”, conta Marques. Durante a gravidez, ela precisou de acompanhamento especializado após um quadro de descolamento de placenta, sendo encaminhada para o pré-natal de alto risco. “Fui encaminhada para o ambulatório e lá tive acompanhamento com obstetra e uma equipe multiprofissional. Em um único dia, eu conseguia passar por vários profissionais, o que fez muita diferença”, declarou.
Ela também destaca a comunicação constante com as equipes de saúde, inclusive por aplicativos de mensagem. “A equipe entrava em contato comigo pelo WhatsApp para avisar sobre consultas e exames. Isso facilitava muito o acompanhamento.” Para Amanda, o modelo trouxe mais segurança durante a gestação. “Foi fundamental para que eu conseguisse seguir o tratamento e levar a gestação até o final. A gente se sente mais segura quando sabe que está sendo bem acompanhada.”
Avanço em escala
Fotos: Reprodução/Google
Além dos resultados no Amazonas, o PlanificaSUS vem sendo expandido em todo o país. Atualmente, o projeto está presente em 18 estados, abrangendo 53 regiões de saúde, 707 municípios, 53 ambulatórios especializados e 3.955 unidades básicas de saúde. Na região Norte, a iniciativa já alcança estados como Amazonas, Acre, Roraima e Tocantins. No Nordeste, está presente em estados como Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Sergipe. A estratégia envolve milhares de profissionais de saúde e busca fortalecer a atenção primária como porta de entrada do sistema, garantindo acompanhamento contínuo e mais resolutivo.
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
Resultado de um conjunto de ações
Especialistas apontam que a redução da mortalidade materna é resultado de múltiplos fatores, mas destacam que a organização do cuidado e o acesso oportuno ao pré-natal são determinantes. Com a integração entre serviços, uso de tecnologia e acompanhamento mais próximo das gestantes, a expectativa, segundo a coordenadora, é que os indicadores continuem avançando, especialmente em regiões historicamente marcadas por dificuldades de acesso à saúde.
Fonte: com informações Acrítica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.