17 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 01/04/2026

Misoginia: saiba tudo sobre a nova lei que passa a criminalizar o ódio ou aversão às mulheres equivalente ao crime de racismo

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Foto: Reprodução/Google

Misoginia como crime de preconceito: Senado dá passo histórico e endurece punição no Brasil

Em uma decisão que marca um divisor de águas na proteção dos direitos das mulheres, o Senado Federal do Brasil aprovou, por unanimidade, o projeto que equipara a misoginia aos crimes de preconceito e discriminação. A medida representa um avanço jurídico contundente contra a violência simbólica e estrutural que há décadas atravessa a vida de milhões de brasileiras.

 

O texto aprovado, o PL 896/2023, define a misoginia como qualquer conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres. A partir dessa mudança, tais atos deixam de ser tratados como meras ofensas individuais e passam a integrar o rol de crimes mais graves previstos na Lei nº 7.716/1989 — legislação que já pune discriminações por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

 

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Até então, manifestações misóginas eram enquadradas, em grande parte, como injúria ou difamação, com penas brandas que variavam de dois meses a um ano de detenção. Com a nova proposta, a punição passa para dois a cinco anos de prisão, além de multa, colocando esse tipo de violência no mesmo patamar de outros crimes de ódio.

 

A proposta foi relatada pela senadora Soraya Thronicke, a partir de projeto da senadora Ana Paula Lobato, e aprovada com 67 votos favoráveis e nenhum contrário — um raro consenso político diante da gravidade do tema.

 

Mais que uma lei, um recado social

 

 

 


A inclusão da expressão “condição de mulher” como critério interpretativo na legislação é mais do que uma adequação jurídica — é um reconhecimento formal de que o ódio direcionado às mulheres não é isolado, mas estrutural. A decisão envia um recado direto: a violência contra mulheres não será mais relativizada como opinião, cultura ou liberdade de expressão.

 

Entre a lei e a realidade

 

 

 


Embora a aprovação represente um avanço significativo, especialistas alertam que o principal desafio será a aplicação efetiva da norma. O Brasil ainda enfrenta altos índices de violência de gênero, e a misoginia, muitas vezes naturalizada, permeia discursos públicos, redes sociais e ambientes institucionais. Transformar essa realidade exige mais do que leis — requer mudança cultural, educação e atuação firme do sistema de justiça.

 

O que vem agora

 


O projeto segue para análise da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado sem alterações, irá à sanção presidencial e poderá entrar em vigor como um dos instrumentos mais relevantes no combate à violência de gênero no país.

 

Uma linha que não pode mais ser cruzada

 

 

 


A decisão do Senado inaugura uma nova fase: a do reconhecimento de que palavras também ferem, excluem e matam simbolicamente. E, a partir de agora, poderão custar caro — como deve ser em uma sociedade que busca justiça e igualdade.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O Portal Mulher Amazônica recebe a aprovação do PL 896/2023 como um avanço histórico — mas não como ponto de chegada. Trata-se de uma resposta tardia a uma violência antiga, estrutural e por muito tempo naturalizada no Brasil. Reconhecer a misoginia como crime equiparado ao racismo é um marco civilizatório. É afirmar, de forma inequívoca, que o ódio contra mulheres nunca foi opinião — sempre foi violência.

 

Durante décadas, agressões verbais, humilhações públicas e ataques misóginos foram tratados como conflitos individuais, minimizados pelo sistema de justiça e relativizados pela sociedade. A nova proposta rompe com essa lógica e reposiciona o debate no campo correto: o dos direitos humanos. No entanto, o Portal alerta: sem aplicação rigorosa, a lei corre o risco de se tornar apenas simbólica.

 

É fundamental que o Estado brasileiro esteja preparado para:

 


• reconhecer e enquadrar corretamente a misoginia;
• garantir investigação e responsabilização efetiva;
• enfrentar a violência também nos ambientes digitais;
• e romper com práticas institucionais que ainda silenciam mulheres.

 
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A misoginia não está apenas nos casos extremos. Ela se manifesta no cotidiano — nas interrupções, no descrédito, na exclusão e na tentativa constante de reduzir mulheres ao silêncio. Criminalizar é necessário. Transformar é urgente. O Portal Mulher Amazônica se posiciona de forma firme e inequívoca: misoginia não é opinião — é violência. E toda violência deve ser enfrentada com rigor, responsabilidade e justiça.

 

Fontes:
Senado Federal do Brasil – tramitação e aprovação do PL 896/2023
Texto do Projeto de Lei nº 896/2023
Lei nº 7.716/1989
Declarações parlamentares em sessão plenária do Senado Federal

 

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