30 de Abril de 2026

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Cultura e Eventos - 14/12/2025

Milton Hatoum volta a Manaus neste domingo, 14/12, para lançar dois novos livros e celebrar sua trajetória literária

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Foto: Reprodução/Google

O resultado é uma análise comparativa que estimula novas leituras e reinterpretações das obras clássicas, valorizando o olhar amazônico sobre sua própria história.

Manaus se prepara para receber uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Neste domingo, 14 de dezembro de 2025, às 10h, o escritor amazonense Milton Hatoum estará na Valer Teatro, no Largo São Sebastião, para lançar simultaneamente duas obras aguardadas: Dança de enganos, da Companhia das Letras, e A natureza como ficção, publicada pela Editora Valer. O evento é gratuito e aberto ao público.

 

Nascido em Manaus, em 1952, Milton Hatoum estudou arquitetura na USP e estreou na literatura em 1989 com Relato de um certo Oriente, vencedor do Jabuti. Ao longo de sua carreira, publicou romances, contos, crônicas e novelas que alcançaram leitores de catorze países e renderam prêmios importantes, como Portugal Telecom, APCA, Bravo!, Livro do Ano e o francês Roger Caillois. Entre suas obras mais conhecidas estão Dois irmãos, adaptado para a televisão, teatro e quadrinhos; Cinzas do Norte; A cidade ilhada; Órfãos do Eldorado; Um solitário à espreita; e a trilogia O lugar mais sombrio.

 

A manhã promete reunir leitores, estudantes, estudiosos da literatura e admiradores da escrita de Hatoum, que consolidou seu nome como um dos grandes cronistas da Amazônia, alcançando reconhecimento nacional e internacional com livros marcados por profundidade emocional, densidade histórica e um olhar apurado sobre os conflitos humanos.

 

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Reconhecido por clássicos como Relato de um certo Oriente e Dois irmãos, o autor retorna à sua cidade natal para autografar seus novos títulos e conversar com o público, oferecendo aos presentes a oportunidade de mergulhar em suas reflexões mais recentes sobre memória, política, floresta, história e ficção. Para Neiza Teixeira, coordenadora editorial da Valer, a presença de Hatoum no catálogo da editora tem um significado especial. Doutora em Filosofia e autora de Poetas, filósofos e xamãs, ela destaca não apenas o prestígio literário do escritor, mas também sua postura ética e humana.

 

“É uma honra e um momento de intensa alegria, porque Milton Hatoum, além de ser o escritor que é, é um ser humano encantador e defensor das pessoas mais desfavorecidas. É uma das vozes mais fortes em favor da Palestina, e essa coerência aprofunda seu valor. É um homem situado no seu tempo, atento às vozes que nunca foram ouvidas”, afirma.

 

Na obra publicada pela Valer, Hatoum analisa como a floresta amazônica foi representada em dois romances centrais na literatura sobre a região: A selva, de Ferreira de Castro, e Mad Maria, de Márcio Souza. O autor concentra-se na delicada fronteira entre barbárie e cultura, observada de modos diversos, mas sempre com gravidade. Hatoum revisita a presença dos nativos e dos migrantes atraídos pelas grandes frentes de exploração da borracha e pela construção da Madeira-Mamoré, refletindo sobre a repetição histórica da exploração humana e os duros contrastes que moldaram a região. O resultado é uma análise comparativa que estimula novas leituras e reinterpretações das obras clássicas, valorizando o olhar amazônico sobre sua própria história.

 

Dança de enganos

 

Fotos: Divulgação

 

Nesta obra de fôlego, Hatoum retoma o estilo que o consagrou: dramas íntimos atravessados por grandes movimentos históricos. Ambientado no fim dos anos 1960, período marcado pela ditadura militar, o romance é narrado por Lina, mãe de Martim — personagem presente nos volumes A noite da espera e Pontos de fuga.

 

Lina conduz o leitor por memórias que misturam amor, perda, silêncios e equívocos. A ausência do filho, embora dolorosa, permeia cada capítulo como presença invisível e constante. Ao revisitar sua vida e a de Dácio, Ondina, Delinha e Leonardo, a narradora compõe um mosaico de figuras que habitam as sombras e claridades da época.

 
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“Nem todas as dúvidas são vazias”, escreve Lina, numa reflexão que sintetiza o espírito do livro: o passado precisa de tempo, e a memória escolhe o que deseja guardar — ou esquecer. Com ecos de Conrad e Juan Carlos Onetti, Dança de enganos reafirma a força literária de Hatoum ao articular vida privada, política e ficção com maestria.
 

 

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