Após mais de 25 anos de negociação, países europeus aprovam pacto, que abre caminho para criação da maior zona de livre-comércio do mundo, um contraponto às medidas protecionistas dos Estados Unidos
O governo federal celebrou, nesta sexta-feira, o avanço do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), negociada há mais de 25 anos e aprovado pela maioria das 27 nações que compõem o Conselho Europeu. A decisão foi vista como uma vitória do multilateralismo, já que o tratado serve de contraponto às medidas protecionistas impostas, especialmente, pelos Estados Unidos, incluindo o tarifaço unilateral. Esse será o maior acordo comercial entre blocos do mundo.
Em comunicado oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou exatamente esse aspecto do acordo, que está previsto para ser assinado no próximo dia 17, no Paraguai, atual presidente do Mercosul. "Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o acordo entre Mercosul e União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", disse Lula.
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"Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos. O texto amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados. Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos", acrescentou ainda o chefe do Executivo.Nesta sexta-feira, em Bruxelas, Bélgica, embaixadores de países do Conselho Europeu votaram o acordo, que teve a aprovação da maioria qualificada das nações. Pouco depois, os governos dos países confirmaram seus votos.

O aval ocorreu apesar de um movimento de resistência articulado pela França. O governo de Emmanuel Macron é fortemente pressionado pelos agricultores franceses, que realizaram diversos protestos contra o acordo nos últimos meses. Eles temem o impacto da concorrência com o agronegócio brasileiro, e exigem a adoção de medidas de segurança.O texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos países do Mercosul para entrar em vigor. Porém, deve ser assinado na próxima semana, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Lula também recebeu, nesta sexta-feira, uma ligação do presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, a quem agradeceu pelo apoio ao tratado. "O presidente Lula agradeceu pelo empenho do governo de Pedro Sánchez em prol do acordo e reiterou a expectativa de que gere benefícios concretos para as pessoas nos dois blocos", disse o Planalto em nota sobre o telefonema. "Destacou, ainda, ser um sinal muito positivo em defesa do multilateralismo e de regras comerciais previsíveis e estáveis para as duas regiões", acrescentou.
Fonte: com informações Correio Braziliense
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