A economista Janaína Feijó, do FGV/Ibre, destaca que, mesmo com níveis educacionais mais elevados, as mulheres estão sub-representadas em áreas com maior demanda por mão de obra.
Apesar do aumento das vagas de emprego e da recuperação econômica pós-pandemia, a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro permanece estagnada. Dados recentes indicam que, mesmo com a queda no desemprego e o crescimento da renda, a taxa de participação feminina na força de trabalho continua em torno de 53%, significativamente abaixo dos 72,7% observados entre os homens.
Antes da pandemia de COVID-19, a presença feminina no mercado de trabalho vinha crescendo de forma contínua. No entanto, a crise sanitária interrompeu esse avanço, e muitas mulheres que deixaram seus empregos durante esse período ainda enfrentam dificuldades para se recolocar. A economista Janaína Feijó, do FGV/Ibre, destaca que, mesmo com níveis educacionais mais elevados, as mulheres estão sub-representadas em áreas com maior demanda por mão de obra.
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Sobrecarga de Cuidados e Barreiras Culturais
A sobrecarga de responsabilidades domésticas e de cuidados continua sendo um obstáculo significativo para a plena participação das mulheres no mercado de trabalho. Muitas avaliam que não vale a pena retornar ao emprego formal diante da baixa remuneração, da sobrecarga de cuidados e do receio de perder benefícios sociais. Ana Paula Diniz, do Insper, enfatiza a necessidade urgente de repensar o papel do cuidado no Brasil, propondo políticas públicas que promovam a divisão equitativa das tarefas domésticas e de cuidado.
Desigualdade Salarial e Segregação Ocupacional
Fotos: Reprodução/Google
Apesar de avanços na contratação de mulheres, a desigualdade salarial persiste. Em 2021, a remuneração média das mulheres foi 19,9% menor do que a dos homens. Essa diferença é ainda mais acentuada em cargos que exigem ensino superior, chegando a 37,3%. Além disso, as mulheres continuam concentradas em setores e ocupações de menor remuneração, refletindo uma segregação ocupacional que limita suas oportunidades de ascensão profissional.
Para enfrentar esses desafios, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade de gênero no mercado de trabalho. Isso inclui a ampliação de creches e escolas infantis, a implementação de políticas de licença parental mais equitativas e a promoção de uma cultura que valorize a divisão justa das responsabilidades domésticas. Sem essas medidas, o país corre o risco de continuar desperdiçando talentos femininos e comprometendo seu desenvolvimento econômico.
A estagnação da participação feminina no mercado de trabalho brasileiro é um reflexo de desigualdades estruturais e culturais que exigem atenção e ação imediata. Promover a equidade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma estratégia essencial para o crescimento econômico sustentável do país.
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